CLARITY Act divide o Senado americano e os atores cripto
A regulação cripto nos Estados Unidos parecia estar chegando ao fim, mas o caminho se alonga novamente. Os debates em torno do CLARITY Act, que deveria trazer um quadro jurídico claro para o mercado de ativos digitais, enfrentam visões irreconciliáveis. Entre a promessa de inovação regulada e o medo de um controle excessivo, as posições se cristalizam. Em Washington, a unidade parece agora fora de alcance: vai levar tempo até que o nevoeiro legislativo se dissipe.

Em resumo
- O CLARITY Act quer regulamentar a cripto e esclarecer as competências da SEC e CFTC.
- A Coinbase retira seu apoio, provocando o adiamento da votação e revelando divisões internas.
- Os stablecoins se tornam o cerne do conflito entre bancos, reguladores e plataformas cripto.
Quando a “clareza” vira cabo de guerra: a batalha do CLARITY Act
Promovido pelo senador republicano Tim Scott, o CLARITY Act quer redefinir as regras do jogo da indústria cripto. Oficialmente, o texto visa proteger os investidores e garantir a segurança nacional segundo a nota do Comitê Bancário do Senado. Para seus autores:
Este projeto de lei substitui a incerteza pela clareza, fortalece a aplicação das leis contra atores maliciosos e oferece proteções modernas aos clientes, investidores e ao sistema financeiro.
Por trás desse discurso, as críticas crescem. Atores como Galaxy Digital alertam sobre uma possível expansão do poder de vigilância do Estado americano sobre os usuários cripto. As disposições relativas à DeFi e aos stablecoins dividem opiniões: o texto proíbe rendimentos passivos sobre stablecoins, enquanto autoriza recompensas para ações específicas, como pagamentos ou fidelização.
Para os Estados Unidos, este projeto marca uma virada: ele pretende integrar a cripto à regulação tradicional. Mas também corre o risco de sufocar aquilo que pretende salvar.
Coinbase contra-ataca: quando a voz da indústria cripto se quebra
A cisão se abriu na véspera da votação. A Coinbase, principal exchange cripto americana, repentinamente retirou seu apoio ao projeto. Seu CEO, Brian Armstrong, tuitou seu desacordo: o texto contém “muitos problemas” e representaria “um mau projeto de lei”. Ele afirma que os Estados Unidos não devem proibir recompensas sobre stablecoins nem minar a autoridade da CFTC.
Esta desistência de peso imediatamente abalou a agenda política. A comissão bancária do Senado adiou sua votação, revelando a dimensão das dissensões internas. Para muitos, o abandono da Coinbase ilustra a incapacidade da indústria cripto de falar com uma só voz, apesar de anos de lobby e milhões gastos em campanhas pró-cripto.
Enquanto isso, os bancos tradicionais continuam a influenciar o debate, opondo-se firmemente aos programas de rendimento sobre stablecoins. A seus olhos, esses produtos ameaçam a estabilidade do sistema financeiro e incentivam a fuga de depósitos do sistema bancário clássico.
Estados Unidos: quando a cripto se torna uma arma política
À medida que o texto se arrasta, sua importância vai além da simples regulação. O CLARITY Act tornou-se um símbolo: o de uma América dividida entre inovação e controle. Os republicanos, liderados por Tim Scott, insistem na necessidade de manter a inovação cripto em solo americano. Os democratas, por sua vez, temem uma lei escrita pela e para a indústria.
No pano de fundo, outra batalha se desenrola. O ex-presidente Donald Trump se posiciona como “crypto president”, prometendo um ambiente pró-inovação e o retorno de capitais aos Estados Unidos. Com as eleições de meio de mandato de 2026 no horizonte, cada lado politiza a cripto para atrair empreendedores e investidores Web3.
Os analistas veem nisso uma evolução inevitável: a cripto não é mais um assunto técnico, mas uma alavanca política. Washington não debate mais só um projeto de lei, mas o modelo econômico do futuro.
CLARITY ACT – Os fatos a reter
- O texto visa definir os ativos digitais como títulos ou commodities;
- Ele compartilha a supervisão entre a SEC e a CFTC;
- A votação foi adiada após a retirada do apoio da Coinbase;
- O projeto proíbe rendimentos passivos sobre stablecoins, autorizando apenas recompensas de uso;
- Bancos e plataformas cripto se enfrentam sobre o futuro do rendimento digital.
Enquanto os Estados Unidos se atolam nos debates, a Europa avança mais rápido. Na França, quase 90 atores cripto estão sob fiscalização antes da entrada em vigor do regulamento MiCA. Aqueles que não adaptarem sua conformidade correm o risco de ver seu futuro regulatório seriamente comprometido.
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