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A Europa detém 10 400 bilhões nos Estados Unidos e pode em breve se desfazer deles

11h15 ▪ 7 min de leitura ▪ por Mikaia A.
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Donald Trump gosta de se apresentar como o homem que tornou as finanças americanas “mais fortes do que nunca”. Ele fala alto, ameaça frequentemente e sempre promete “fazer dobrar” aqueles que contestam sua liderança. Mas desta vez, seu tom arrogante pode se voltar contra ele. Porque do outro lado, a Europa não mais treme: ela detém milhares de bilhões de dólares investidos nos Estados Unidos e, em caso de necessidade, pode sacar seu famoso “bazuca econômico”.

A Europa e Trump se enfrentam em um confronto explosivo, em um contexto de tensões econômicas e desafios colossais.

Em resumen

  • Os europeus detêm US$ 10,4 trilhões em ativos financeiros nos Estados Unidos.
  • As ameaças tarifárias de Trump provocam uma tendência de retirada gradual dos mercados americanos.
  • A União Europeia brandia a possibilidade de uma “bazuca econômica” para contrariar as pressões americanas.
  • Os analistas temem um contágio nas finanças mundiais, afetando o dólar, as ações e os títulos.

A arma secreta da Europa: 10 400 bilhões que fazem Wall Street tremer

A Europa, com uma arma secreta, é há anos o principal motor dos mercados americanos. Seus fundos de pensão, companhias de seguro e gestores de ativos detêm quase 10 400 bilhões de dólares em ações americanas, cerca de metade de todo o capital estrangeiro em Wall Street.

É uma cifra colossal, e ainda assim pouco conhecida. Por trás dos recordes da bolsa americana esconde-se uma realidade: sem o dinheiro europeu, os índices americanos nunca teriam atingido esses patamares.

Mas os tempos mudam. Desde que Trump ameaçou impor tarifas a oito nações europeias, um vento de desconfiança sopra. Na Amundi, o maior gestor europeu, o sinal é claro. Seu diretor de investimentos, Vincent Mortier, revela:

Vemos cada vez mais clientes querendo diversificar longe dos Estados Unidos. Observamos que essa tendência começou em abril de 2025, mas ela se acelerou um pouco nesta semana.

Em outras palavras, os investidores que alimentaram a prosperidade americana podem se tornar seu calcanhar de Aquiles. Os números são eloquentes: a Europa detém 49% de todas as ações americanas em poder de estrangeiros, e metade vem precisamente dos países visados por Trump.

É uma dependência de dois gumes: Wall Street brilha, mas graças ao dinheiro de um continente que o presidente dos Estados Unidos insulta regularmente.

Trump, as finanças e o jogo perigoso das ameaças

Os mercados não gostam nem de incertezas nem de egos superdimensionados. Trump combina os dois. Seu tom beligerante recente contra a Europa foi suficiente para derrubar os mercados: o S&P 500 caiu 2,1% após seus últimos anúncios.

Claro, nada catastrófico a curto prazo, mas os sinais de tensão se multiplicam: os fluxos de capital estabilizam-se, os pedidos de desinvestimento aumentam e os gestores falam abertamente em “realocação”.

A Europa, além de suas ações, detém cerca de 2 000 bilhões de dólares em títulos do Tesouro americano. Uma redução, mesmo que marginal, aumentaria o custo do financiamento da dívida americana.

O economista Richard Portes (London Business School) lembra que “o endividamento dos Estados Unidos é hoje sua maior fraqueza”. O perigo é, portanto, claro: Trump brinca com fogo numa dependência que não controla mais.

E enquanto o presidente americano promete a duplicação dos mercados, os investidores procuram a saída. O fundo dinamarquês AkademikerPension já começou a vender seus Treasuries, enquanto o fundo pensionista da Groenlândia, SISA Pension, considera reduzir sua exposição em 50% nos ativos americanos.

O desempenho recente reforça a tendência: em 2025, a bolsa sul-coreana (Kospi) saltou 80%, o Stoxx 600 europeu 32%, contra apenas 16% para o S&P 500.

O resultado: as finanças mundiais deslizam suavemente para um novo equilíbrio, menos centrado em Nova York, mais diversificado.

Quando a Europa redescobre seu peso no cenário financeiro mundial

O que está em jogo hoje vai além de um simples braço de ferro diplomático. Pela primeira vez em muito tempo, a União Europeia descobre que pode golpear forte sem disparar um tiro. O episódio da Groenlândia, onde Trump teve que recuar perante a ameaça europeia de uma retaliação econômica de 93 bilhões de dólares, é a prova disso.

Segundo o The Guardian, não foram os discursos políticos, mas os próprios mercados que forçaram a Casa Branca a arrefecer o clima.

Em Bruxelas, uma ideia se impõe: o dinheiro europeu é uma arma de dissuasão em massa. A UE trabalha em uma nova ferramenta, o Instrumento Anti-Coerção (ACI), capaz de replicar economicamente a qualquer ataque comercial americano.

Claro, a Europa não quer sabotar Wall Street, mas agora sabe que as finanças podem ser políticas.

Como ressalta Lars Christensen, analista da Paice:

Não se trata da Europa se opor aos Estados Unidos. Trata-se de cautela em nossos investimentos — de mitigação de riscos. 

Analistas da Tikehau Capital e Julius Baer falam até de um “novo ciclo de investimento”, voltado para Ásia e Europa. 

A América por muito tempo dominou as finanças mundiais, mas sua arrogância política pode custar-lhe essa hegemonia. As finanças, por outro lado, não têm bandeira — apenas cálculos.

Os números que resumem a batalha financeira

  • A Europa detém 10 400 bilhões $ em ações americanas, ou 49% do capital estrangeiro em Wall Street;
  • Em 2025, o Stoxx 600 subiu 32%, contra 16% para o S&P 500;
  • Os investidores europeus possuem 2 000 bilhões $ em dívida soberana dos EUA;
  • O S&P 500 caiu 2,1% após as ameaças tarifárias de Trump;
  • O preço do Ethereum está atualmente em 2 931 dólares.

Quando a Europa promete sacar seu bazuca, os mercados mundiais prendem a respiração. Na última vez, o bitcoin vacilou e o ouro disparou. Desta vez, pode ser Wall Street que tremerá, se o Velho Continente decidir se desfazer de seus bilhões. Trump joga um jogo perigoso, e as finanças, elas, não perdoam.

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Mikaia A.

La révolution blockchain et crypto est en marche ! Et le jour où les impacts se feront ressentir sur l’économie la plus vulnérable de ce Monde, contre toute espérance, je dirai que j’y étais pour quelque chose

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