A justiça francesa investiga X e Elon Musk após denúncias sobre Grok
Até onde vai a liberdade humana, e a partir de onde começa a regulação? A questão ressurge abruptamente com o caso Grok, o chatbot de Elon Musk acusado de gerar conteúdos ilegais. Uma busca em Paris agora mira X, o império digital do dono da Tesla e SpaceX. Na era da IA generativa, a justiça francesa busca os limites entre inovação e responsabilidade. E Musk, acostumado a desafiar os Estados, descobre que na Europa a liberdade digital tem um preço.

Em resumo
- A polícia francesa realizou busca nos escritórios da X em Paris no dia 3 de fevereiro.
- A investigação mira a IA Grok, acusada de gerar deepfakes sexuais e imagens de crianças.
- Elon Musk denuncia encenação judicial e invoca a liberdade mundial de expressão.
- União Europeia e Reino Unido conduzem investigações paralelas sobre segurança da IA.
Grok, a IA de Elon Musk na tormenta judicial francesa
No dia 3 de fevereiro, a ciberpolícia francesa, apoiada pela Europol, realizou busca nos escritórios da X em Paris. Objetivo: determinar a responsabilidade da plataforma na disseminação de conteúdos pedopornográficos produzidos por sua inteligência artificial, chamada Grok.
Segundo o Ministério Público, mais de 23.000 imagens ilegais teriam sido geradas através do modo “Spicy”, projetado para conteúdo adulto. Um escândalo global.
Este caso ultrapassa fronteiras. Reino Unido, Austrália e Estados Unidos abriram investigações paralelas sobre o uso de dados pessoais.
Em Londres, William Malcolm, diretor do ICO, denunciou o risco de abusos em larga escala:
A criação e divulgação desses conteúdos reportados levantam sérias preocupações em relação à lei britânica de proteção de dados e apresentam um risco potencial significativo de dano ao público.
Para muitos, o caso Grok simboliza uma IA descontrolada, libertada cedo demais dos freios éticos. Os defensores da regulação acreditam que os gigantes tecnológicos devem ser penalmente responsáveis pelos abusos de seus algoritmos.
Uma nova era começa: a do direito penal aplicado à inteligência artificial.
Elon Musk denuncia uma “encenação judicial” e clama conspiração política
Fiel ao seu estilo, Elon Musk respondeu imediatamente. No X, denunciou uma “caça às bruxas política” orquestrada pela França.
O departamento Global Government Affairs publicou um comunicado inflamado:
A encenação da busca de hoje reforça nossa convicção de que esta investigação distorce a lei francesa, contorna o devido processo legal e ameaça a liberdade de expressão. X está determinada a defender seus direitos fundamentais, bem como os de seus usuários. Não nos deixaremos intimidar pelas ações das autoridades judiciais francesas.
Segundo X, o Ministério Público de Paris estaria tentando pressionar a direção americana. Essa defesa, tipicamente muskiana, transforma um processo judicial em combate ideológico sobre a liberdade digital.
Musk se apresenta como o campeão de uma Internet descentralizada, hostil à censura estatal.
Mas na Europa, essa postura já não convence.
Para J.B. Branch, da Public Citizen, a responsabilidade pelo design é central: “os reguladores devem examinar se as escolhas de design da empresa tornavam previsível o uso ilegal, se as avaliações de risco eram adequadas e se os dispositivos de proteção foram realmente testados antes do lançamento “.
A disputa promete ser longa entre um visionário libertário e uma Europa reguladora.
Musk funde seus impérios e desloca o campo de batalha da IA
Na véspera da busca, a SpaceX anunciou a absorção da xAI, integrando Grok e seus sistemas de inteligência artificial sob uma nova estrutura fora da Europa. Uma manobra habilidosa: colocando suas tecnologias sob o guarda-chuva espacial americano, Elon Musk reduz a influência dos reguladores europeus.
A IA do Grok agora escapa ao Digital Services Act e pode evoluir sem supervisão direta de Bruxelas.
Na Comissão Europeia, essa fusão é vista como um desafio jurídico. As autoridades veem uma tentativa de escapar do AI Act, enquanto consolidam um ecossistema opaco que mistura dados, espacial e redes sociais.
Mas Musk assume totalmente: para ele, a inovação prevalece sobre a regulação.
Ele defende uma visão onde a IA deve crescer livremente, mesmo que isso abale as instituições. E para seus detratores, é justamente essa mistura de poder e desregulamentação que torna seu império perigoso.
Fatos a reter
- Data da operação: 3 de fevereiro de 2026;
- Autoridades envolvidas: Ministério Público de Paris, Europol, ICO, Ofcom;
- Conteúdos visados: 23.000 imagens ilegais criadas pelo Grok;
- Objetivo da investigação: determinar a responsabilidade da X e xAI.
A liberdade digital sempre tem um preço. Entre inovação e regulação, a França traça uma linha dura, mesmo que desagrade os gigantes americanos. Após o Telegram, o caso X mostra que Paris endurece o tom. E como recentemente lembrou Pavel Durov, essas repetidas ações terminam por manchar duradouramente a imagem do país.
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