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A União Europeia se impacienta com os atrasos na regulação cripto

9h15 ▪ 5 min de leitura ▪ por Mikaia A.
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Nos corredores de Bruxelas, o murmúrio tornou-se uma confissão: sim, a UE atrasou-se na regulação cripto. Os barões europeus sabem disso, e a atmosfera pesa. Entre o desfase dos Estados membros e a lenta aplicação do quadro MiCA, a paciência diminui. Por trás dos comunicados discretos, uma mensagem emerge: é preciso agir, e rápido. Pois quanto mais a União temporiza, mais o ecossistema cripto avança, às vezes longe das salvaguardas comunitárias.

A figura da Europa impõe um pergaminho fiscal sobre as criptomoedas a doze nações, sob um mapa em chamas e um céu tempestuoso.

Em resumo

  • Doze países da UE não aplicaram a diretiva fiscal sobre ativos cripto.
  • A Comissão Europeia lhes concede dois meses antes de um procedimento judicial.
  • O MiCA impõe um quadro único para empresas cripto operando na União Europeia.
  • A Hungria é criticada por uma lei nacional incompatível com a regulação MiCA.

Cripto: Bruxelas passa à ação, doze países sob pressão fiscal

Além do fato de que a UE recentemente empunhou seu bazuca contra os EUA, é importante notar que a Comissão Europeia decidiu elevar o tom. Doze Estados membros, incluindo Bélgica, Espanha, Grécia e Holanda, estão agora na mira. Sua culpa? Não terem transposto a tempo a Diretiva (UE) 2023/2226, um texto essencial que obriga plataformas e prestadores de serviços cripto a declarar transações e identidades de seus clientes.

O objetivo é claro: aumentar a transparência fiscal e combater a evasão em um mercado que se tornou tentacular. Esta diretiva, inspirada no modelo da OCDE, representa um avanço decisivo para uma fiscalidade cripto harmonizada.

Em seu comunicado oficial, a Comissão Europeia esclarece que os Estados membros têm dois meses para notificar as medidas que implementem integralmente a diretiva. Após esse prazo, reserva-se o direito de emitir um parecer fundamentado para iniciar um procedimento formal contra os países envolvidos.

Em outras palavras, a máquina jurídica da UE está prestes a entrar em ação. Já não se trata de uma ameaça simbólica: é uma notificação coletiva. Bruxelas quer evitar que alguns Estados utilizem sua lentidão como vantagem competitiva para atrair empresas cripto relutantes.

MiCA e fiscalidade, o tandem da unificação europeia

A UE agora tenta construir uma arquitetura coerente entre MiCA, o regulamento principal dos mercados cripto, e o novo quadro fiscal. Um regula, o outro arrecada: juntos formam as duas pernas do projeto europeu de soberania financeira.

Desde 2023, o MiCA estabelece as regras do jogo: registro obrigatório dos emissores de tokens, obrigações de reserva para stablecoins e regulação dos prestadores de serviços. Paralelamente, a diretiva fiscal impõe um reporte automatizado entre as administrações nacionais.

Na prática, isso significa que empresas cripto operando em um país deverão prestar contas a todos os 27 Estados membros. Um modelo inspirado na cooperação bancária internacional, aplicado ao mundo digital.

A Comissão enfatiza isso em seu pacote de infrações de janeiro:

A implementação rápida e completa das regras da diretiva por todos os Estados membros é essencial para fortalecer a transparência fiscal e combater a fraude, evasão e elisão fiscal sobre rendimentos de investimentos.

Por trás da tecnicidade do texto há um grande desafio político: devolver à Europa um poder fiscal comum, capaz de rivalizar com os Estados Unidos e seus gigantes do Web3.

Hungria, revolta cripto e Europa a duas velocidades

A Hungria é exceção — ou advertência. Ao modificar sua lei nacional sobre criptomoedas, Budapeste impôs um regime de “autorização penal” para algumas plataformas. Resultado: vários atores suspenderam seus serviços, denunciando um quadro excessivamente repressivo.

Para Bruxelas, esta lei é uma infração direta ao regulamento MiCA, que prevê aplicação uniforme em todo o território da União. A mensagem da Comissão é clara: nenhuma iniciativa nacional deve contrariar a lógica do mercado único.

Este episódio ilustra uma persistente divisão entre Estados “prudents” e os mais intervencionistas. No entanto, o desafio vai além da simples regulação: trata-se de preservar a coerência do bloco europeu diante do aumento dos riscos financeiros e da competição global.

Fatos a reter

  • 12 Estados chamados à ordem por não terem transposto a diretiva cripto;
  • Prazo de dois meses antes de procedimento judicial europeu;
  • Objetivo: harmonizar a fiscalidade e o reporte cripto na escala da UE;
  • O regulamento MiCA estará plenamente em vigor em 1º de julho de 2026;
  • Bruxelas visa uma supervisão comum do mercado de ativos digitais.

Se a UE aperta o freio na regulação cripto, é também para preparar o terreno para sua própria inovação monetária. O projeto do euro digital avança discretamente, visto pelos banqueiros centrais como um escudo estratégico contra tensões geopolíticas. Amanhã, essa moeda digital poderia se tornar a arma econômica suave da Europa, capaz de assegurar sua resiliência frente às crises globais — uma extensão lógica da busca por autonomia financeira iniciada com a regulação cripto.

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Mikaia A.

La révolution blockchain et crypto est en marche ! Et le jour où les impacts se feront ressentir sur l’économie la plus vulnérable de ce Monde, contre toute espérance, je dirai que j’y étais pour quelque chose

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