Adam Back chama BIP 110 de regressão para o protocolo
Uma nova controvérsia agita o ecossistema Bitcoin. A proposta BIP-110, destinada a limitar certos dados registrados na blockchain, provoca um confronto aberto entre desenvolvedores e figuras históricas da rede. Criada para frear o crescimento das inscrições ligadas aos Ordinals e aos Runes, essa modificação do protocolo desencadeia críticas intensas. Entre elas, a de Adam Back, pioneiro do movimento cypherpunk, que denuncia uma verdadeira “regressão” para o Bitcoin. Por trás desse debate técnico, desenha-se uma questão central: até onde o bitcoin pode evoluir sem trair seus princípios fundamentais?

Em resumo
- A proposta BIP-110 reacende tensões na comunidade Bitcoin ao tentar limitar certos dados registrados na blockchain, especialmente aqueles ligados aos Ordinals e às Runes.
- Adam Back critica duramente essa mudança no protocolo, que ele considera uma regressão técnica capaz de afetar o ecossistema de software construído em torno do Bitcoin.
- Diversos riscos técnicos são apontados, incluindo o possível congelamento de algumas UTXOs, incompatibilidade com o Miniscript e a desativação de certas funções da linguagem de script do Bitcoin.
- Essa controvérsia evidencia divisões crescentes sobre a evolução do Bitcoin, entre a vontade de limitar alguns usos e a defesa da neutralidade do protocolo.
BIP-110 : uma proposta para limitar certos dados no bitcoin
A proposta BIP-110, submetida em dezembro de 2025 por Dathon Ohm, um desenvolvedor, visa reduzir a presença de dados arbitrários registrados na blockchain do Bitcoin. A iniciativa foca especialmente em certos usos possibilitados pelos protocolos Ordinals e Runes, que permitem integrar diferentes tipos de conteúdos diretamente nas transações. Para isso, o texto prevê a introdução de um soft fork temporário com duração de doze meses, criado para filtrar certas transações diretamente no nível do consenso.
Essa proposta rapidamente desencadeou reações críticas na comunidade Bitcoin. Adam Back, CEO da Blockstream e figura histórica citada no white paper de Satoshi Nakamoto, expressou sua oposição em termos particularmente severos.
Na rede social X, ele afirma: “a BIP-110 constitui uma verdadeira regressão deliberada. Ela destrói o espaço do usuário. Essa proposta congela UTXOs, quebra o Miniscript, desativa o OP_IF e elimina os mecanismos que permitem atualizações do protocolo. E um soft fork temporário é completamente absurdo”.
Em sua análise, vários problemas técnicos importantes podem surgir :
- O congelamento potencial de certas UTXOs existentes, tornando alguns fundos inutilizáveis ;
- O risco de ruptura com Miniscript, uma ferramenta usada para criar scripts Bitcoin mais seguros ;
- A desativação da instrução OP_IF, um elemento chave da linguagem de script Bitcoin ;
- A eliminação de certos mecanismos de evolução do protocolo, o que limitaria futuras atualizações.
Segundo Adam Back, essas mudanças não seriam uma simples modificação técnica, mas uma verdadeira regressão do protocolo, suscetível de perturbar o ecossistema de software construído ao redor do bitcoin.
Uma oposição crescente em torno dos riscos técnicos e de governança
Além das críticas de Adam Back, várias figuras influentes do ecossistema Bitcoin manifestaram oposição à BIP-110. Desenvolvedores e atores históricos como Jameson Lopp e Wang Chun também alertaram sobre as consequências técnicas dessa proposta. Os opositores mencionam especialmente o risco de que algumas UTXOs existentes se tornem inutilizáveis, o que poderia levar ao congelamento de certos fundos ou à impossibilidade de certas transações.
A proposta também gera preocupações na governança do protocolo. O mecanismo previsto estabelece uma ativação com 55% de apoio, enquanto que os soft forks do Bitcoin tradicionalmente exigem um consenso muito mais amplo, perto de 95%. Essa diferença alimenta temores de uma divisão na comunidade, com alguns observadores estimando que esse limiar poderia provocar uma cisão na rede caso uma parte significativa dos participantes se recuse a adotar a modificação.
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Diplômé de Sciences Po Toulouse et titulaire d'une certification consultant blockchain délivrée par Alyra, j'ai rejoint l'aventure Cointribune en 2019. Convaincu du potentiel de la blockchain pour transformer de nombreux secteurs de l'économie, j'ai pris l'engagement de sensibiliser et d'informer le grand public sur cet écosystème en constante évolution. Mon objectif est de permettre à chacun de mieux comprendre la blockchain et de saisir les opportunités qu'elle offre. Je m'efforce chaque jour de fournir une analyse objective de l'actualité, de décrypter les tendances du marché, de relayer les dernières innovations technologiques et de mettre en perspective les enjeux économiques et sociétaux de cette révolution en marche.
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