Consultant international en gestion de projet. Ingénieur de formation, avec une maîtrise en administration des affaires (M.B.A.) et affaires internationales d’HEC Montréal. Passionné de technologie et de cryptomonnaies depuis 2016.
Você não precisa de Bitcoin? Você o acha inútil, abstrato, especulativo? Então você provavelmente vive em um Estado de direito funcional. Você pode abrir uma conta. Receber seu salário. Poupar sem autorização. Sair do seu país sem perder seu dinheiro. Esse conforto não é a norma. É uma exceção histórica. Apenas 11% dos humanos nascem em um sistema monetário estável, democrático, protetor da propriedade. Os 89% restantes vivem em outro lugar. Em economias frágeis, hiperinfacionárias, autoritárias ou arbitrárias. Para eles, o dinheiro não é uma ferramenta neutra. É um filtro. Um teste de identidade. Uma condição de obediência. A maioria das discriminações econômicas não são morais. São sistêmicas. Bitcoin não foi concebido para especular. Ele nasceu para funcionar sem permissão. Sem identidade. Sem geografia. Este texto propõe algo simples: olhar para o Bitcoin não a partir da minoria que ele enriquece, mas a partir da maioria que ele protege do apagamento.
"Quem não se mexe não sente as correntes". A frase de Rosa Luxemburgo ressoa estranhamente na era digital. A moeda digital revela hoje correntes invisíveis que muitos ainda não percebem. O dinheiro em espécie desaparece silenciosamente, substituído por um mundo registrado, analisado e interpretado continuamente. Cada transação torna-se um dado, e cada dado uma alavanca de controle. A confidencialidade não é mais um luxo moral, mas uma linha de fratura política. As instituições defendem a transparência como condição de estabilidade. Os defensores da liberdade veem a vida privada como uma garantia fundamental. Essa tensão reconfigura nossa relação ao poder, à confiança e à autonomia individual. A questão central não é mais apenas técnica, mas o que aceitamos revelar para existir. Este texto explora a batalha existencial da confidencialidade monetária: proteger a dignidade humana quando tudo se torna rastreável.
"Nem tudo que reluz é ouro". Este provérbio do século XVII se aplica admiravelmente às inovações chamativas. Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) tem sido apresentada como uma revolução comparável à eletricidade ou à internet. Mas será que realmente se trata de uma revolução? Ou seria antes uma otimização espetacular do que já existe? Como a conhecemos, a IA não revoluciona nada. Ela apenas lubrifica os mecanismos de um sistema já em funcionamento e se inscreve principalmente na continuidade de um paradigma centralizado. Paralelamente, outra tecnologia, muito menos midiática mas muito mais radical, segue sua trajetória: Bitcoin e a descentralização. Ao contrário da IA, o Bitcoin não se contenta em melhorar os sistemas existentes. Ele os questiona e às vezes até os torna obsoletos. A verdadeira revolução atual, a única, é o Bitcoin. Porque ele não torna o velho mundo mais rápido, ele constrói um novo.
"Nós não defendemos a natureza. Nós somos a natureza que se defende." Este provérbio indígena ilustra a capacidade do mundo natural de sobreviver a crises sem buscar a otimização absoluta. Lembra que a resiliência está no coração do que é vivo. A natureza não busca nem a velocidade nem a eficiência imediata, mas a diversidade e a adaptação. Certas espécies animais, em particular, atravessam eras evoluindo diante das ameaças. Da mesma forma, o Bitcoin não aposta na performance instantânea, mas em sua resiliência devido à sua arquitetura descentralizada. Ele segue as mesmas leis da natureza, sendo capaz de resistir a múltiplos ataques e proibições. O paralelo, abordado neste artigo, entre a natureza e o Bitcoin levanta uma questão essencial sobre o modelo a ser compreendido. Devemos privilegiar a eficiência ou a resiliência, a fim de garantir a perenidade de um mundo em constante evolução digital?