Binance e 89 empresas ainda sem licença MiCA a 10 meses do prazo
A França se prepara para um verdadeiro terremoto regulatório. Daqui a dez meses, as empresas ainda não cobertas pelo regulamento MiCA deverão ou fechar suas portas, ou obter uma licença europeia. Nos corredores da AMF, a inquietação cresce: alguns atores importantes ainda não deram o passo. Para outros, a corrida pela conformidade parece uma maratona exaustiva. A contagem regressiva começou e a indústria cripto prende a respiração.

Em resumo
- 90 empresas cripto francesas ainda sem licença MiCA, a dez meses do prazo final.
- A Binance ainda não obteve sua licença europeia apesar de estar registrada na França desde 2022.
- A AMF exige mais transparência e quer excluir empresas com licenças consideradas permissivas.
- MiCA transformará permanentemente o cenário cripto francês, favorecendo atores sólidos e bem capitalizados.
Binance diante do relógio MiCA: a França não vacilará
O gigante Binance, registrado na França desde 2022, ainda não obteve sua licença MiCA. Uma situação emblemática: cerca de 90 empresas ainda operam em um ambiente regulatório nebuloso.
Segundo Stéphane Pontoizeau, da AMF, cerca de 30% das empresas já enviaram seus documentos, 40% ainda não fizeram isso, e 30% não deram nenhum sinal de vida. A autoridade explica que contatou todas as empresas envolvidas, mas algumas ainda não disseram se pretendem pedir a licença ou simplesmente encerrar suas atividades. Uma inércia que preocupa: com a aproximação de junho de 2026, as empresas sem licença terão que encerrar seus serviços.
Binance, consciente do risco, já busca soluções na Europa para obter a autorização mais rapidamente. Mas a França, determinada a não ser o elo fraco, pensa em bloquear atores que escolheram jurisdições consideradas permissivas demais. A mensagem é clara: em Paris, a regulação cripto é para ser respeitada ou será abandonada.
MiCA, entre proteção e pressão: a grande triagem europeia
Adotado em 2023, MiCA (Markets in Crypto-Assets Regulation) representa uma ruptura histórica na regulação europeia. Por trás da promessa de um quadro harmonizado, o texto impõe obrigações rigorosas: capital mínimo, governança sólida, transparência ambiental e publicação de um livro branco para cada ativo.
Desde dezembro de 2024, apenas prestadores autorizados como PSCA podem operar. Um período transitório se estende até junho de 2026, mas o tempo é curto.
Para a França, MiCA é uma ferramenta de triagem. Deverá separar atores confiáveis de projetos oportunistas, evitar novos escândalos como FTX ou Terra Luna e proteger investidores. No entanto, alguns consideram a versão francesa mais severa que a de seus vizinhos europeus. A ESMA lembrou em dezembro que empresas não conformes devem dispor de um plano de fechamento ordenado antes do prazo final.
A Europa avança para uma regulação forte; os atores oscilam entre confiança e medo.
Startups: a sobrevivência ou o exílio europeu
Na França, somente 70 empresas já obtiveram a licença MiCA: atores sólidos como Deblock, Bitstack, OKX ou Caceis. Para as demais, o percurso parece uma prova de resistência. Startups cripto lutam para financiar seus processos: exigências de capital próprio, procedimentos de conformidade e auditorias reforçadas. Algumas pensam em obter a licença em outros países europeus, mais flexíveis administrativamente.
Mas a AMF avisou: poderá negar o acesso ao mercado francês a quem tentar essa manobra. Uma posição firme, correndo o risco de perder parte da inovação nacional.
MiCA foi pensado para proteger investidores deixando espaço real para inovação. Entre rigor e competitividade, os atores franceses avançam numa linha tênue. O mercado muda, e só os mais ágeis permanecerão em pé.
Datas e números da contagem regressiva MiCA
- 90 empresas sem licença a dez meses do prazo;
- Apenas 30% enviaram seus processos à AMF;
- 70 empresas já licenciadas, incluindo Bitstack e Caceis;
- Junho de 2026: fim do período transitório;
- Objetivo: um mercado europeu mais seguro e transparente.
A dez meses do fim do prazo, a tensão é palpável. Alguns na Banque de France ainda acham o MiCA permissivo demais. Defendem o reforço do marco europeu para evitar que brechas regulatórias renasçam em outras formas. A França, fiel à sua tradição de rigor, pretende pesar nesse debate: o equilíbrio entre inovação e estabilidade ainda está por escrever.
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