BIP-360 : Bitcoin se divide frente ao desafio quântico
O assunto “bitcoin frente ao quântico” retorna em ondas. Esta semana, não se trata mais apenas de um debate de pesquisadores. Uma parte do ecossistema pressiona para acelerar uma atualização concreta. E outra freia com todas as forças, julgando o alerta prematuro.

Em resumo
- BIP-360 relança o debate sobre a resistência quântica do bitcoin.
- Alguns querem acelerar a partir de 2026, outros consideram a ameaça ainda distante.
- A verdadeira batalha será a migração dos endereços, mais política que técnica.
BIP-360, a opção pós-quântica que mexe com o bitcoin
BIP-360 propõe adicionar ao bitcoin um novo tipo de endereço capaz de utilizar assinaturas chamadas “pós-quânticas”. A ideia é oferecer uma saída de emergência antes que máquinas mais poderosas tornem algumas assinaturas atuais frágeis.
Tecnologicamente, a proposta costuma ser resumida como um “pay-to-quantum-resistant-hash”. Ela mira principalmente os bitcoins que poderiam se tornar expostos se, um dia, um computador quântico conseguir derivar uma chave privada a partir de uma chave pública. BIP-360 tenta antecipar um futuro onde esse cenário não é mais ficção científica.
Mas o mais importante não é a fórmula. É o sinal político. Para o bitcoin, toda evolução séria exige uma coordenação rara: carteiras de hardware, nós, mineradores, plataformas de troca, integradores. Uma boa ideia, sem alinhamento, permanece um PDF na Internet.
Urgência ou excesso de precaução: a divisão dos bitcoiners
Os defensores da aceleração falam de um risco de mercado antes mesmo de um risco técnico. Charles Edwards (Capriole) insiste em um cronograma apertado e menciona uma janela em 2026 para finalizar e implementar. Ele vai além. Segundo ele, os coins que não migrarem para o BIP-360 deveriam ser até “queimados” até 2028. Essa radicalidade chocou, mas também despertou a conversa.
Do outro lado, perfis muito respeitados lembram que o pânico pode ser um mau conselheiro. Adam Back enfatiza que o bitcoin não “faz criptografia” no sentido que muitos entendem, e que os cenários de falhas a curto prazo são principalmente FUD. Ele considera que a ameaça significativa ainda está distante, em horizontes de décadas.
Samson Mow, por sua vez, escolhe o sarcasmo para estourar a bolha. Seu argumento é quase pedagógico: se o quântico ainda está em demonstrações modestas, por que imaginar que ele vai devorar o bitcoin amanhã de manhã? A zombaria mira principalmente a ideia de uma “venda em pânico” causada por um medo mal compreendido.
Taproot recua: sinal técnico ou sintoma psicológico?
Um elemento colocou lenha na fogueira: o uso do Taproot está recuando. Segundo Willy Woo, a parte das transações usando Taproot teria caído de cerca de 42% em 2024 para cerca de 20% recentemente. Ele diz nunca ter “visto” o formato mais recente perder adoção no bitcoin.
É tentador ver nisso um voto dos usuários. Taproot está associado às assinaturas Schnorr, ou seja, a uma família criptográfica que o quântico poderia teoricamente ameaçar via algoritmo de Shor. Nessa leitura, menos Taproot significaria “menos superfície de ataque”. E a ideia é viralmente simples, por isso circula rapidamente.
Exceto que a realidade é mais sutil. A vulnerabilidade depende sobretudo de um ponto específico: quando a chave pública é revelada on-chain, e por quanto tempo ela permanece explorável. Muitos formatos revelam a chave pública no momento do gasto. Taproot não é magicamente “o único” afetado, embora sua percepção pública possa ser assim. E, no mercado, a percepção frequentemente acaba pesando tanto quanto a criptografia.
2026-2028: o verdadeiro desafio é a migração
Mesmo que todos concordassem amanhã, a parte mais difícil começaria depois. Uma transição pós-quântica é uma migração em massa. Deve ser compatível, progressiva e compreensível por não especialistas. Caso contrário, cria um novo risco: erros de manuseio, perdas ou fundos bloqueados.
Também é por isso que alternativas circulam. Do lado da Blockstream Research e das discussões na mailing list bitcoindev, uma pista explorada é a das assinaturas “baseadas em hash”. O apelo é claro: a segurança repousaria principalmente em hipóteses de funções hash, um terreno já familiar ao bitcoin.
No fundo, o debate BIP-360 vai além da técnica. Toca o DNA do bitcoin: mover-se lentamente, mas sobreviver a tudo. Os “apressados” temem um choque de confiança antes do ataque real. Os “pacientes” temem uma atualização precipitada, mais perigosa que a ameaça. Entre os dois, a rede avança como sempre: por atritos, por tentativas e por consenso… quando finalmente aparece. E quanto ao preço, Tom Lee vê um forte sinal.
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Fasciné par le bitcoin depuis 2017, Evariste n'a cessé de se documenter sur le sujet. Si son premier intérêt s'est porté sur le trading, il essaie désormais activement d’appréhender toutes les avancées centrées sur les cryptomonnaies. En tant que rédacteur, il aspire à fournir en permanence un travail de haute qualité qui reflète l'état du secteur dans son ensemble.
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