Bitcoin : A SEC não descarta apreender o suposto tesouro de 600.000 BTC da Venezuela
Fala-se em um “tesouro” de 600.000 BTC, atribuído à Venezuela: um número que soa como uma ameaça. Washington considera a ideia de uma apreensão, sem admiti-la diretamente. Paul S. Atkins, presidente da SEC, não confirma nada… mas não fecha a porta. E é aí que tudo muda: o bitcoin não é mais apenas um ativo, é uma alavanca geopolítica. Resta decidir o essencial: provas, chaves e poder de apreensão.

Em resumo
- Um “tesouro” de 600.000 BTC é atribuído à Venezuela, mas nada foi confirmado on-chain até o momento.
- Paul Atkins (SEC) não descarta a possibilidade de uma apreensão, ressaltando porém que o caso vai além da SEC e envolve principalmente outros órgãos do Estado.
Um suposto tesouro de bitcoin, uma certeza ausente
Primeiro ponto para acalmar a excitação: a reserva de 600.000 BTC não está confirmada. Mesmo atores acostumados a rastrear fluxos ilícitos explicam que não veem, “claramente”, um pote de bitcoin desse tamanho na cadeia atribuível ao regime. Em outras palavras: muito barulho, poucos endereços.
A história ganhou força num contexto explosivo. No início de janeiro, os Estados Unidos anunciaram a captura de Nicolás Maduro durante uma operação militar controversa. Esse choque político imediatamente alimentou especulações: se o poder vacila, onde estão os cofres?
E ainda, mesmo se a Venezuela tenha flertado com cripto (o Petro em 2018 permanece um símbolo dessa fuga adiante monetária), isso não prova a existência de uma “carteira bitcoin imperial” cheia até a borda. O que é plausível, por outro lado, é a existência de bolsos dispersos. De circuitos paralelos. De salvaguardas privadas. Enfim, algo mais fragmentado, portanto mais difícil de apreender. Se o ativo é incerto, a apreensão é ainda mais. E aí a frase de Atkins se torna interessante.
“A SEC não está no comando”: o que a frase de Atkins quer dizer
Paul Atkins reconheceu a incerteza e relembrou uma realidade institucional: a SEC não é a agência que conduz uma confiscação de ativos soberanos. Seu papel está relacionado aos mercados e à proteção dos investidores, não no controle de ativos em nome da estratégia nacional.
Na prática, uma apreensão de bitcoins “relacionados a um Estado” rapidamente muda para outros centros de gravidade: DOJ (processos de confisco), Tesouro/OFAC (sanções), às vezes aspectos de segurança nacional. E o ponto crucial da guerra não é jurídico, é técnico: possuir as chaves. Sem acesso às chaves privadas, restam apenas hipóteses ou apreensões indiretas (plataformas, intermediários, equipamentos). É aí que o direito encontra o silício.
Daí o subtexto: Washington pode estar “aberto” à ideia, mas enquanto a reserva de bitcoin não for identificada e atribuível, a discussão parece um mapa do tesouro sem um X vermelho. Até alguns artigos recentes ressaltam essa falta de prova “on-chain” para fundamentar o número que circula.
E é justamente porque a zona cinzenta se amplia que o Congresso reintroduz outra ferramenta: a lei.
CLARITY Act: quando a América quer estabelecer regras onde antes só havia batalhas
Enquanto o caso “600.000 BTC” gira cabeças, o Senado avança em um tema mais estrutural: o Digital Asset Market Clarity Act de 2025 (H.R. 3633). O texto visa esclarecer quem regula o quê, especialmente entre a SEC e a CFTC, e tornar o terreno mais claro para os participantes do mercado, inclusive a DeFi, que frequentemente vive numa zona intermediária.
Não é por acaso: se o Congresso quer uma América capaz de “gerenciar” crises cripto, ela precisa de regras estáveis, não de reações pontuais. O fato de o comitê bancário do Senado programar etapas formais em torno do texto mostra que a era das gambiarras regulatórias já cansa até aqueles que não gostam de cripto.
Mas atenção ao detalhe que incomoda: organizações financeiras já alertam sobre certos pontos, especialmente o que parece incitações (recompensas/retornos) relacionadas a stablecoins de pagamento. Em outras palavras, mesmo quando se fala em “clareza”, cada um puxa sua linha vermelha.
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Fasciné par le bitcoin depuis 2017, Evariste n'a cessé de se documenter sur le sujet. Si son premier intérêt s'est porté sur le trading, il essaie désormais activement d’appréhender toutes les avancées centrées sur les cryptomonnaies. En tant que rédacteur, il aspire à fournir en permanence un travail de haute qualité qui reflète l'état du secteur dans son ensemble.
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