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Cripto: Brian Armstrong e executivos da Coinbase alvos de uma ação judicial de acionistas

11h15 ▪ 5 min de leitura ▪ por Mikaia A.
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O mercado cripto vacila. Liquidações em massa, volatilidade recorde, perdas abissais: as finanças digitais atravessam uma zona de tempestade. E enquanto os investidores cripto se apertam, as exchanges não ficam de fora. Algumas, como a Coinbase, agora precisam enfrentar outro tipo de abalo: judicial. O gigante americano, símbolo da cripto regulada, está sendo acusado por seus próprios acionistas de ter se aproveitado do sistema. Em jogo: vendas massivas de ações realizadas pouco antes da queda vertiginosa do preço.

Brian Armstrong enfrenta um martelo gigante da justiça, cercado por silhuetas acusadoras, sob um logotipo rachado da Coinbase.

Em resumo

  • Em 2023, acionistas processaram a Coinbase por vendas de ações consideradas duvidosas.
  • Brian Armstrong e Marc Andreessen teriam vendido antes da queda do preço.
  • O juiz McCormick mantém o processo apesar de uma investigação interna favorável.
  • A listagem direta sem bloqueio complica a defesa da exchange cripto.

Coinbase diante da justiça: quando a confiança se racha

Tudo começou em 2023, quando um grupo de acionistas da Coinbase acionou a justiça de Delaware. Segundo eles, vários executivos, incluindo o CEO Brian Armstrong e o famoso investidor Marc Andreessen, teriam vendido 2,9 bilhões de dólares em ações durante a listagem direta de 2021.

Essas vendas teriam evitado perdas superiores a um bilhão, tudo graças a informações internas confidenciais.

A juíza Kathaleen St. J. McCormick entendeu que o caso merecia uma análise aprofundada, rejeitando a solicitação de arquivamento feita pela Coinbase.

A defesa da exchange cripto baseia-se em um relatório interno de dez meses, conduzido por um comitê independente, concluindo ausência de ato ilícito. Mas a juíza apontou vínculos comerciais entre um membro do comitê, Gokul Rajaram, e o fundo Andreessen Horowitz, o que fragiliza essa defesa.

A Coinbase reagiu firmemente:

Estamos decepcionados com a decisão do tribunal e permanecemos determinados a contestar essas alegações sem qualquer fundamento na justiça.

O julgamento pode redefinir o conceito de ética no mundo das exchanges cripto listadas.

Brian Armstrong entre correlação com o Bitcoin e suspeitas de oportunismo

Para a Coinbase, a acusação de insider trading não procede. A empresa sustenta que o preço de sua ação sempre evoluiu em correlação com o bitcoin, tornando impossível qualquer manipulação baseada em informações internas.

Mas os acionistas reclamantes veem as coisas de outro modo: a estrutura da listagem direta teria oferecido aos executivos uma janela única para vender antes da correção do mercado cripto.

O advogado do comitê, Brad Sorrels, defendeu essa versão perante o tribunal:

As evidências mostraram claramente que os réus, incluindo os dois maiores acionistas, não queriam vender, pois estavam confiantes no sucesso da empresa. Foi realmente necessário insistir e lutar para convencer os acionistas a participar.

A Coinbase insiste em outro ponto: essas vendas teriam sido necessárias para garantir a liquidez inicial do mercado.

Contudo, ao contrário de um IPO clássico, a listagem direta não prevê nenhum período de bloqueio. Os insiders podiam portanto vender livremente suas ações desde o primeiro dia.

Essa escolha, apresentada como um gesto de transparência, volta-se hoje contra a firma cripto, percebida como beneficiária de um sistema permissivo demais.

Cripto e governança: o processo Coinbase como sinal de alerta

O caso vai além da simples disputa entre acionistas. Revela uma fratura profunda entre o espírito descentralizado da cripto e a disciplina dos mercados financeiros.

Para os reguladores, esse processo é uma oportunidade para lembrar que a governança não se limita às promessas de inovação.

Já fragilizada por rumores de insider trading ligados às suas listagens de tokens, a Coinbase agora precisa provar que respeita os padrões de uma empresa listada. Esse processo funciona como um espelho para toda a indústria cripto: como pregar a transparência quando seus executivos são acusados de abusá-la?

Os analistas veem nisso um teste em larga escala para a credibilidade do setor. Até Marc Andreessen, por meio de seu fundo a16z, é alvo da suspeita de ter vendido 118,7 milhões de dólares em títulos no momento perfeito.

A questão vai além da Coinbase: trata-se de saber se as exchanges cripto ainda podem se afirmar como instituições confiáveis.

Os números-chave do caso Coinbase

  • 2,9 bilhões de dólares: valor total das vendas internas contestadas;
  • 291,8 milhões: valor das ações vendidas por Brian Armstrong;
  • 118,7 milhões: montante cedido por Marc Andreessen através da Andreessen Horowitz;
  • 10 meses: duração da investigação do comitê especial. 

Enquanto as finanças cripto lutam para restaurar a confiança, as exchanges precisam enfrentar seus próprios demônios. Após a Coinbase, a Binance também enfrenta acusações. Alguns analistas até acreditam que as operações recentes da Binance teriam ampliado o crash de outubro, aumentando a desconfiança dos mercados. A moral da história: ninguém escapa da transparência, especialmente na cripto.

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Mikaia A.

La révolution blockchain et crypto est en marche ! Et le jour où les impacts se feront ressentir sur l’économie la plus vulnérable de ce Monde, contre toute espérance, je dirai que j’y étais pour quelque chose

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