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Crypto : Vitalik Buterin critica a adoção forçada do Bitcoin e a cultura do vale-tudo

20h15 ▪ 4 min de leitura ▪ por Lydie M.
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Vitalik Buterin acaba de lembrar uma coisa que a indústria cripto esquece rápido demais: ser aberto não significa dizer “sim” para tudo. Em uma entrevista bastante ampla, o fundador do Ethereum estabelece um limite claro. Uma comunidade que aplaude tudo que faz o preço subir acaba atirando no próprio pé. Não imediatamente. Mas com certeza.

Vitalik Buterin lève la main face à une foule casquée pro-Bitcoin, dénonçant l’imposition forcée du BTC.

Em resumo

  • Vitalik Buterin lembra que a abertura na cripto não deve se tornar um reflexo de validação automática, sob risco de prejudicar o ecossistema.
  • Ele acredita que o Ethereum desenvolveu uma cultura que filtra alguns excessos, e alerta que uma comunidade muito “friendly” também atrai atores tóxicos.
  • Ele critica finalmente o maximalismo do Bitcoin que aplaude a adoção forçada, considerando as abordagens de cima para baixo frágeis e insustentáveis quando o mercado se vira.

Ethereum, um sistema aberto mas não neutro

Buterin começa destacando que a plataforma Luna não foi construída sobre o Ethereum por acidente. Para ele, o colapso da Terra Luna não é apenas uma questão de código ou mercado. É também uma questão de cultura. Ethereum é aberto, sim, mas existe uma espécie de filtro natural: padrões, uma exigência, uma maneira de ver o risco.

Ele enfatiza um ponto frequentemente mal compreendido: em um sistema aberto, você não pode impedir todas as más ações. Entretanto, você pode evitar incentivá-las. Isso parece óbvio até o momento em que um projeto promete 20% sem risco e todo mundo retweeta.

Buterin descreve a cripto como um espaço de alta variância. Lá encontramos pessoas brilhantes, exigentes, obcecadas pela elegância técnica e, por outro lado, oportunistas muito rápidos, às vezes perigosos. O problema não é que eles existam. O problema é quando uma comunidade se torna conhecida por recebê-los sem fazer perguntas.

Porque nesse momento, a reputação desaba. E na cripto, a reputação é um ativo invisível mas vital. Quando você a perde, não atrai mais os construtores. Você atrai aqueles que vêm colher a confiança dos outros. Buterin resume isso sem rodeios:

se você é muito friendly, você não atrai apenas os construtores, atrai também os piores perfis.

O caso Do Kwon permanece na mente de todos. Não porque ele seja o único. Mas porque simboliza um cenário que se repete: hype, cegueira, colapso, e todo o setor paga a conta em credibilidade.

Bitcoin, maximalismo e adoção pela força

É quando Buterin mira certos círculos do Bitcoin que ele se torna realmente incisivo. Ele denuncia um reflexo comum demais: celebrar automaticamente toda pessoa rica ou poderosa assim que ela demonstra apoio ao Bitcoin, sem jamais questionar seus métodos ou o uso dessa influência.

Para ele, essa complacência acaba fragilizando o ecossistema, porque confunde promoção com legitimidade, exatamente como quando se toma um aumento da atividade on chain como um sinal “saudável” quando pode também ser alimentado por comportamentos oportunistas, como ilustra a explosão de atividade no Ethereum ligada a ataques de dusting.

O exemplo dele: Nayib Bukele e a adoção do Bitcoin em El Salvador por decisão top-down. Para Buterin, uma parte dos maximalistas fechou os olhos para questões de liberdades públicas e democracia, pois só importava uma coisa: um país adota Bitcoin. O método não importava.

E é justamente isso que ele denuncia: a adoção forçada é frágil por natureza. Enquanto o preço sobe, aguenta. Assim que o preço cai, e a pressão permanece, desmorona. Ele diz claramente: quando o preço cai e a adoção é imposta, o conjunto se torna insustentável.

Buterin não rejeita a ideia de adoção massiva. Ele rejeita o método. Para ele, a cripto funciona quando as pessoas estão convencidas, não quando são obrigadas. No caso de El Salvador, ele acredita que o uso real não decolou como previsto porque a lógica estava invertida: tentou-se impor antes de persuadir. E quando a volatilidade fez seu trabalho, como sempre, a adesão derreteu. Normal: você não constrói uma confiança duradoura com uma obrigação administrativa.

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Lydie M.

Enseignante et ingénieure IT, Lydie découvre le Bitcoin en 2022 et plonge dans l’univers des cryptomonnaies. Elle vulgarise des sujets complexes, décrypte les enjeux du Web3 et défend une vision d’un futur numérique ouvert, inclusif et décentralisé.

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