IA: Alibaba proíbe Claude de seus funcionários
Estamos bem longe da visita de Donald Trump à China, que deveria marcar uma nova era de cooperação. Desde então, as tensões financeiras, tecnológicas e comerciais só se intensificaram entre os dois gigantes. A Alibaba acaba de trazer uma prova clara disso ao proibir seus funcionários de usar a ferramenta Claude Code da Anthropic. Mas por trás dessa decisão esconde-se uma história de espionagem industrial, contas falsas e guerra tecnológica. Um paradoxo: para proteger sua inteligência artificial, a Anthropic talvez tenha traído a confiança de seus usuários.

Em resumo
- Anthropic escondeu um código no Claude Code para detectar usuários chineses pelo seu fuso horário e proxy.
- Alibaba proibiu a ferramenta para seus funcionários, classificando-a como software de alto risco com vulnerabilidades de segurança.
- Anthropic acusa a Alibaba de ter usado 25.000 contas falsas para extrair as capacidades do Claude e aprimorar o Qwen.
- A controvérsia revela uma escalada na guerra tecnológica entre EUA e China no campo da IA.
Espião ou protetor? O jogo duplo da Anthropic com sua IA
Em 10 de julho de 2026, Alibaba classificou Claude Code como um software de “alto risco”. Por quê? Pesquisadores descobriram que a Anthropic havia escondido um código capaz de detectar usuários chineses.
Anthropic integrou um código do tipo spyware escondido dentro do Claude Code que secretamente mira nos usuários chineses. Em seguida, ele envia informações sobre cada usuário injetando-as em sua mensagem de requisição.
Fonte: International Cyber Digest, X, 30 de junho de 2026.
O mecanismo é sorrateiro. O código verifica o fuso horário, a configuração do proxy e a afiliação a um laboratório de IA chinês. Depois, ele modifica sutilmente as mensagens enviadas ao servidor.
Os desenvolvedores que concederam ao Claude Code acesso total aos seus sistemas se sentiram traídos. A antinomia é evidente: a Anthropic justifica essa intrusão pela proteção de sua propriedade intelectual.
Mas será que se pode proteger seus segredos espionando quem usa suas ferramentas? A ética dessa abordagem é questionável.
25 mil contas falsas: Alibaba copiou o Claude?
Por trás desse escândalo há um confronto muito maior. A Anthropic acusa a Alibaba de ter conduzido uma campanha massiva de “destilação”. Cerca de 25.000 contas falsas teriam sido criadas para extrair as capacidades do Claude e aprimorar o Qwen, o modelo interno do gigante chinês.
Olá, esta é uma experiência que lançamos em março para impedir abusos de contas por revendedores não autorizados e proteger contra a destilação.
Fonte: Thariq Shihipar, Anthropic, X, 30 de junho de 2026.
Em resposta, a Alibaba proibiu a ferramenta e impôs à sua equipe sua própria plataforma, Qoder. Mas a questão permanece: a Alibaba realmente copiou o Claude? E se sim, a Anthropic está justificada em espionar todos os seus usuários chineses para pegar os infratores?
A dialética é intrigante: as duas empresas se acusam mutuamente de desonestidade.
Até onde se pode espionar para proteger segredos?
Esse cabo de guerra é apenas um episódio da guerra tecnológica entre Estados Unidos e China. A Anthropic já foi submetida a controles de exportação emergenciais pelo governo americano.
A Alibaba desenvolve seus próprios modelos para reduzir sua dependência das tecnologias americanas. A destilação tornou-se um campo de batalha estratégico.
No entanto, o método empregado pela Anthropic levanta uma questão fundamental: pode-se espionar seus usuários em nome da proteção de seus segredos? A reação da comunidade é dividida. Alguns consideram uma prática comum de telemetria. Outros veem como uma violação da privacidade.
Um internauta resume a ironia da situação no Reddit: “Se você está bravo com isso, espere até descobrir o que os navegadores web fazem…” — Fonte: Reddit, r/ClaudeAI, 30 de junho de 2026.
A confiança dos desenvolvedores está abalada. E nessa guerra da inteligência artificial, uma questão permanece: até onde as empresas estão dispostas a ir para proteger seus segredos?
As datas-chave do escândalo
- Março de 2026: Anthropic lança a experiência;
- 2 de abril de 2026: versão 2.1.91 do Claude Code;
- 30 de junho de 2026: revelação do código escondido;
- 10 de julho de 2026: proibição pela Alibaba.
A guerra da IA está longe de terminar. Ela acontece em várias frentes: tecnológica, comercial e agora ética. A China também atua em outros campos, como terras raras e defesa, onde impõe suas condições às empresas americanas. Anthropic e Alibaba são apenas atores de um confronto muito maior, cujas consequências vão muito além da simples rivalidade comercial.
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