O Ocidente diante de uma crise de confiança monetária segundo Balaji Srinivasan
Balaji Srinivasan, ex-CTO da Coinbase e investidor influente no ecossistema cripto, afirma que os governos ocidentais acabarão lançando campanhas massivas de apreensão de ativos. E isso, à medida que uma crise de dívida soberana se aproxima. Ele diz ver um momento chegando em que o Estado buscará novas formas de arrecadação, pois a conta pesa e a opção “continuar como antes” se fecha. E ao mesmo tempo, a mensagem implícita é clara: Bitcoin volta a ser uma opção de saída, ou pelo menos um plano B, quando a confiança no sistema fiat se abala.

Em resumo
- Balaji Srinivasan alerta que a dívida pode levar Estados ocidentais a apreensões de ativos.
- Seu foco principal é a apreensibilidade técnica dos ativos digitais. O bitcoin surge como um plano B, útil mas não invencível.
A crise do endividamento como pano de fundo, não apenas decoração
Quando o endividamento se torna estrutural, a política fiscal se transforma. Aumentam certos impostos, criam-se taxas “excepcionais”, mudam-se as regras do jogo no meio da partida. E quando isso não é suficiente, o vocabulário se endurece.
Nesse contexto, o Bitcoin é usado como termômetro de confiança. Quando os poupadores pensam que as regras podem mudar rápido, buscam ativos mais difíceis de serem bloqueados. Nem sempre para “fugir”. Às vezes apenas para respirar.
As instituições internacionais acompanham há anos o aumento da dívida pública nas grandes economias avançadas. Na ferramenta de dados do Fundo Monetário Internacional, a dívida bruta das administrações públicas americanas mostra níveis muito altos em porcentagem do PIB nas projeções recentes.
Nesse estágio, não se trata de dizer que a apreensão é “inevitável” no sentido jurídico. Trata-se mais de uma questão de trajetória. Quanto mais a dívida pesa, mais os governos se tornam inventivos.
O que Srinivasan destaca é uma noção ampliada de apreensão. Ele não fala apenas de um Estado que chega para “tomar” um bem. Balaji também insiste em formas mais difusas, como a inflação, que corrói um patrimônio sem produzir um aviso prévio. Em uma conversa longa, ele resume a lógica assim: a apreensão pode vir “pela inflação” ou “pela tomada direta”. Por outro lado, o bitcoin pode ser mantido sem banco, desde que se assuma a guarda.
O precedente histórico que os maximalistas exibem: o ouro, depois o Bitcoin
Quando se fala em apreensão, a história do ouro sempre volta à tona. Em 1933, Franklin D. Roosevelt assinou a Executive Order 6102. De fato, essa ordem restringiu a posse de ouro e impôs entrega ao Estado além de certos limites, num contexto de crise bancária. É aí que o bitcoin entra na narrativa como “ativo rígido” e como infraestrutura.
Para os partidários de Balaji, o bitcoin não é apenas um investimento. É uma ferramenta de soberania individual, desde que se domine sua conservação e se limite os intermediários. A nuance é importante. Na verdade, possuir bitcoin via uma plataforma não é o mesmo que possuí-lo realmente.
Balaji menciona o risco de um universo muito centralizado tornar os ativos fáceis de congelar, escanear, transferir contra a vontade do proprietário. Ele cita, por exemplo, as dependências a plataformas e atualizações de software, com temor de que uma ordem estatal se torne tecnicamente executável.
Resta a parte menos confortável, aquela que se esquece quando o mercado está em euforia. O bitcoin não elimina o risco político, ele o desloca. Fiscalidade, obrigações declarativas, pressão nos pontos de entrada e saída, tudo isso já existe em vários graus. A “saída” é, portanto, uma estratégia, não uma varinha mágica. E num mundo superendividado, as regras mudam rápido, às vezes em silêncio, às vezes com um grande discurso na televisão.
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Enseignante et ingénieure IT, Lydie découvre le Bitcoin en 2022 et plonge dans l’univers des cryptomonnaies. Elle vulgarise des sujets complexes, décrypte les enjeux du Web3 et défend une vision d’un futur numérique ouvert, inclusif et décentralisé.
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