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O PNUD amplia o uso da blockchain da Stellar após o sucesso dos testes de pagamentos on-chain

10h15 ▪ 6 min de leitura ▪ por Ghiles A.
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As experimentações da blockchain na ajuda internacional avançam para uma nova etapa. Após vários projetos-piloto realizados em diferentes países, o PNUD considera que essa tecnologia pode agora apoiar um leque mais amplo de programas humanitários e de desenvolvimento. Os resultados obtidos no campo, especialmente no Haiti e na Síria, convenceram a agência a expandir o uso dos pagamentos on-chain por meio de um novo acordo com a Stellar Development Foundation. Essa evolução representa um progresso concreto da blockchain nas operações realizadas pelas Nações Unidas.

Ilustração do PNUD utilizando a Stellar para expandir os pagamentos on-chain no Haiti e na Síria em programas humanitários.

Em resumo

  • O PNUD expande o uso dos pagamentos on-chain com Stellar após projetos-piloto bem-sucedidos em cinco países.
  • Na Síria, a blockchain reduziu os custos de distribuição dos pagamentos de 10% para 2%.
  • No Haiti, os pagamentos continuaram mesmo durante uma queda na rede celular, demonstrando a resiliência do sistema.
  • Um grupo consultivo sobre blockchain acompanhará o desdobramento dessa tecnologia nos programas do PNUD.
  • Os stablecoins ganham terreno como solução para transferências internacionais e acesso a serviços financeiros em regiões com pouca bancarização.

Os pagamentos on-chain demonstraram sua eficácia em cinco países

Após uma longa fase de experimentação, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento fez um balanço positivo de suas iniciativas blockchain conduzidas em campo. Esses trabalhos, realizados durante dezesseis meses no Haiti, na Síria, no Quênia, na Guatemala e na Gâmbia, levaram o PNUD a assinar um novo acordo com a Stellar Development Foundation para expandir o uso de sua infraestrutura blockchain. Paralelamente, outras iniciativas já estão em preparação na Colômbia e em Papua Nova Guiné. O objetivo agora é integrar mais os pagamentos baseados na blockchain aos programas em campo.

Os testes resultaram em vários resultados concretos. Na Síria, um programa “Dinheiro por trabalho” registrou os pagamentos em uma plataforma digital, reduzindo os custos de distribuição de 10% para apenas 2%. No Haiti, um projeto-piloto continuou a funcionar mesmo durante uma queda na rede celular. Essas experiências mostram que as infraestruturas blockchain podem manter a continuidade das operações mesmo em ambientes onde as redes tradicionais enfrentam dificuldades.

Esses primeiros retornos abrem caminho para uma implantação mais ampla. Os escritórios nacionais disporão progressivamente de um processo que lhes permitirá usar essas soluções em mais programas. Essa abordagem visa fortalecer a resiliência das operações ao mesmo tempo em que reduz os custos associados aos pagamentos destinados aos beneficiários.

O PNUD prepara uma implantação mais ampla da blockchain

O PNUD considera que essa primeira fase valida o interesse da blockchain para suas missões de desenvolvimento. A agência deseja agora estabelecer um quadro operacional para que seus escritórios nacionais possam adotar essa tecnologia com mais facilidade. Essa evolução reflete a vontade de ultrapassar as simples experimentações para integrar essas ferramentas em programas de maior escala.

No mês passado, o PNUD também lançou um grupo consultivo dedicado à blockchain durante a conferência Proof of Talk realizada em Paris. Essa iniciativa deve acompanhar as futuras orientações da organização no uso dessa tecnologia. O trabalho do grupo não se limitará aos pagamentos digitais, abrangendo também infraestruturas públicas digitais e melhoria dos sistemas públicos.

Por meio dessa estratégia, o PNUD pretende explorar vários usos da blockchain a serviço do desenvolvimento. Os aprendizados dos projetos-piloto servirão de base para os próximos desdobramentos. O objetivo permanece adaptar essas soluções às realidades locais, garantindo uma implementação coerente nos diversos escritórios da organização.

Os stablecoins ganham importância nas transferências internacionais

A ampliação dessas iniciativas insere-se numa dinâmica mais ampla em torno das redes blockchain e dos stablecoins. Essas tecnologias são cada vez mais usadas para facilitar transferências transfronteiriças, especialmente em regiões onde o acesso aos serviços bancários ainda é limitado. Elas oferecem uma alternativa para realizar pagamentos e transferir fundos com mais continuidade.

Essa tendência também se percebe no setor privado. A Ripple recentemente adquiriu participação na fintech africana Flutterwave para promover a adoção de seu stablecoin RLUSD e do XRP Ledger na África. A América Latina também atrai players do setor, que visam vários corredores de remessas na Argentina, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Essas iniciativas ilustram o interesse crescente pelas infraestruturas digitais nos mercados emergentes.

Gráfico comparando os principais corredores de remessas para a América Latina em 2025, com volumes em bilhões de dólares e sua evolução anual.
Os principais canais de transferência de fundos na América Latina. Fonte: Cointelegraph.

A ex-subsecretária-geral da ONU, Vera Songwe, considera que “os stablecoins agora ultrapassam o âmbito exclusivo das transferências“. Segundo ela, eles facilitam o acesso aos serviços financeiros digitais em regiões onde as soluções bancárias tradicionais permanecem pouco acessíveis. Ela lembra que “na África, cerca de 650 milhões de pessoas não têm conta bancária“. Conforme declarações dela, um smartphone permite acessar stablecoins, economizar em uma moeda menos sujeita à inflação e fortalecer a inclusão financeira.

O PNUD pretende agora basear-se nos aprendizados dos projetos-piloto para generalizar progressivamente essas soluções em seus programas, com o apoio da infraestrutura blockchain da Stellar. Se essa nova etapa confirmar os resultados observados no Haiti, na Síria e nos demais países envolvidos, o uso dessa tecnologia poderá tomar um lugar mais importante nas operações humanitárias e de desenvolvimento da organização, especialmente para assegurar e otimizar os pagamentos aos beneficiários.

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Ghiles A.

Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.

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