OnlyMarms: como pesquisadores provocaram uma febre de memecoins na Solana
O retorno de Donald Trump à Casa Branca provocou um verdadeiro corte orçamentário nas administrações americanas. As universidades, afetadas pela tempestade, viram seus financiamentos derreterem como neve ao sol. Foi nesse contexto de escassez que pesquisadores da UCLA tiveram que mostrar criatividade desesperada para salvar seu projeto. A solução deles? Uma conta OnlyFans. E um memecoin na Solana. Ironia do destino: é este último o que rende mais.

En bref
Marmotas no OnlyFans: a ciência de calcinha com os cortes de verba
Desde 1962, o estudo das marmotas de ventre amarelo no Colorado é uma referência mundial para os biólogos. Este programa, um dos mais antigos do mundo, teve seus financiamentos federais abruptamente cortados. A National Science Foundation recusou renovar o financiamento, enquanto o departamento da UCLA perdeu um terço de seu apoio para estudantes de pós-graduação.
“Não. É desolador”, declara o professor Daniel Blumstein à NPR.
O que estamos fazendo é destruir a estrutura científica e as parcerias universidade-federal que nos tornaram grandes. Professor Daniel Blumstein
Para salvar seu projeto, Blumstein teve uma ideia no mínimo incomum: criar uma conta OnlyFans chamada “OnlyMarms”, prometendo “conteúdo de marmota sem censura”. A conta gerou cerca de 6.000 dólares, longe dos 75.000 a 100.000 dólares anuais necessários.
Diante desse cenário, os pesquisadores tiveram que olhar para outros horizontes.
Memecoin da Solana supera OnlyFans: a ironia do mercado cripto
A comunidade cripto rapidamente percebeu a história das marmotas, transformando essa causa científica em um fenômeno viral. Na Pump.fun, plataforma de lançamento de tokens na Solana, desconhecidos criaram um token OnlyMarms sem que os pesquisadores pedissem.
Blumstein relata:
Pessoas criaram independentemente um memecoin e nos disseram para pegar a transação — registrá-la, e depois recebemos as taxas de transação. E está explodindo… Aparentemente, é um memecoin para o bem, que as pessoas gostam.
Em três dias, o token gerou mais de 25.000 dólares, mais que o dobro das doações no OnlyFans. Esse paradoxo levanta uma questão: um ativo especulativo, muitas vezes criticado na esfera cripto, agora financia a pesquisa científica melhor que as verbas federais.
No entanto, essa fonte financeira permanece frágil. Memecoins atraem atenção, mas seu volume desaparece frequentemente tão rápido quanto surgiu.
Cerveja, concursos e entrevistas: a ciência se reinventa na Solana
Os pesquisadores lançaram um arsenal criativo para atrair atenção e doações. Uma cervejaria do Colorado lançou uma cerveja “Marmot Tears IPA”. Um concurso público “Fat Marmot Week” foi organizado no Instagram. As aparições na mídia se multiplicam: NPR, ABC, Radio-Canada.
O professor Julien Martin, co-responsável pelo estudo, até registrou o token na Pump.fun para garantir as taxas ao laboratório. O projeto agora tem uma página de agradecimentos dedicada em seu site oficial.
Essa engenhosidade inspira admiração, mas também revela uma verdade perturbadora. Cientistas passam mais tempo buscando financiamentos do que pesquisando.
Números-chave do projeto OnlyMarms na Solana
- Preço do SOL no momento da redação: 73,93 dólares
- OnlyFans: ~6.000 dólares arrecadados
- Memecoin: > 25.000 dólares em 3 dias
- Meta anual: 75.000 – 100.000 dólares
- Estudo em andamento desde 1962
Memecoins podem realmente salvar a ciência americana?
O sucesso do token OnlyMarms na Solana levanta uma questão fundamental: os memecoins podem se tornar uma fonte de financiamento durável para a ciência? A resposta é incerta. A volatilidade das criptomoedas e a natureza efêmera das tendências memecoin tornam esse financiamento instável.
No entanto, este projeto mostrou que a internet pode mobilizar fundos para causas científicas inesperadas. Blumstein vê nessa situação um sinal de alerta para toda a comunidade científica americana. O sistema federal de financiamento da pesquisa está desmoronando, e cientistas precisam buscar soluções alternativas.
A história das marmotas pode se tornar um caso clássico, uma ilustração perfeita da crise que atinge a ciência americana.
A Solana resiste à queda dos altcoins graças à tokenização e aos memecoins. Esta rede atrai projetos inovadores, desde marmotas até finanças descentralizadas. A história do OnlyMarms mostra que a cripto pode servir a causas inesperadas. Mas também revela a urgência de repensar o financiamento da pesquisa.
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