Os editores lutam contra a ameaça que a IA do Google representa para o jornalismo
A disputa entre a imprensa europeia e o Google acaba de alcançar um novo patamar. Em 10 de fevereiro de 2026, o Conselho Europeu dos Editores apresentou uma queixa oficial às autoridades da União Europeia. Acusa o gigante americano de extrair artigos de imprensa para treinar suas ferramentas de inteligência artificial, sem nunca pedir permissão, e sem pagar um centavo às redações envolvidas.

Em resumo
- O Conselho Europeu dos Editores apresentou uma queixa contra o Google em 10 de fevereiro de 2026 em Bruxelas.
- O Google gera automaticamente resumos de artigos via IA, sem remunerar os meios de comunicação envolvidos.
- Os resumos de IA teriam reduzido o tráfego dos editores em 33% globalmente.
- A Comissão Europeia já investiga o Google por abuso de posição dominante desde dezembro de 2025.
A IA do Google suga o jornalismo em silêncio
Em 10 de fevereiro de 2026, o Conselho Europeu dos Editores apresentou uma queixa oficial contra o Google às autoridades da União Europeia. De fato, a organização, que representa centenas de meios de comunicação em todo o continente, contesta a exibição de resumos automáticos gerados pela IA no topo das páginas de resultados de busca.
Esses resumos se alimentam de artigos de imprensa escritos por jornalistas — sem acordo prévio e sem qualquer compensação financeira para as redações.
Christian Van Thillo, presidente do Conselho, não mede palavras. Para ele, é uma confiscação pura e simples do trabalho jornalístico.
“Trata-se de impedir que um ator dominante abuse do seu poder de mercado para apropriar-se do conteúdo dos editores sem seu consentimento, sem compensação justa“, declarou em um comunicado.
Por anos, editores e Google coexistiram em um equilíbrio frágil mas funcional: o Google direcionava os leitores para os sites de notícias, os meios forneciam conteúdo de qualidade. Os resumos de IA rompem esse pacto. Menos cliques, menos visitantes, menos receita publicitária.
Os números são eloquentes. Segundo uma análise da Debug Lies, os resumos de IA do Google reduziram o tráfego dos editores em 33% globalmente desde seu lançamento.
Um dilema impossível, uma investigação europeia à espreita
O Google não pretende ceder terreno. Um porta-voz do grupo respondeu que a queixa visa principalmente “frear o desenvolvimento de novas funcionalidades úteis de IA que os europeus desejam”.
A empresa também afirma oferecer ferramentas para que os sites possam desativar essas funcionalidades. Contudo, os editores rejeitam esse argumento.
O raciocínio é claro: retirar-se dos resumos de IA é também perder visibilidade nos resultados de busca tradicionais. Em outras palavras, os meios enfrentam uma escolha dolorosa: ou aceitam que seu trabalho alimente a IA do Google gratuitamente, ou tornam-se invisíveis para os internautas. Duas opções, nenhuma solução favorável.
Essa queixa chega no melhor momento para os reguladores. A Comissão Europeia já havia aberto uma investigação em dezembro de 2025 sobre as práticas do motor de busca. Em fevereiro de 2026, Teresa Ribera, vice-presidente executiva da UE, falou sobre medidas urgentes para limitar os danos ao setor midiático, sem esperar a conclusão da investigação.
Se as autoridades derem razão aos editores, o Google poderá ser obrigado a implementar um sistema automatizado de remuneração. Um mecanismo inspirado na diretiva europeia de direitos autorais de 2019 — mas em uma escala muito mais ampla.
Em suma, essa questão vai muito além de um simples litígio entre um gigante tecnológico e redações. Levanta uma questão fundamental para o futuro da web: quem paga quando uma inteligência artificial se alimenta do trabalho humano? A decisão europeia pode estabelecer um precedente mundial. E para os meios independentes, talvez seja a última chance de influenciar esse debate antes que seja tarde demais.
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