Os mineradores de cripto recorrem à IA e HPC para compensar a queda
O bitcoin despenca há várias semanas e as outras criptos seguem a mesma trajetória descendente rumo ao abismo. Juntos, levam investidores, pequenos e grandes, muitas vezes desamparados diante da violência dos abalos. Mesmo os gigantes da indústria espirram neste contexto difícil. Os mineradores, esses ferreiros que mantêm a blockchain funcionando dia e noite, levam golpes particularmente dolorosos. Extrair bitcoins quase não rende nada hoje em dia. Pior ainda, essa atividade custa agora mais do que rende.

Em resumo
- MARA produz cada bitcoin a 87.000 dólares enquanto o preço está em apenas 68.146 dólares.
- Um megawatt dedicado à IA gera de três a vinte e cinco vezes mais do que um megawatt dedicado à mineração.
- MARA detém oficialmente 53.822 BTC, mas apenas 13.057 são visíveis na blockchain.
- Strategy acumula 720.737 BTC sem jamais minerar nenhum, enquanto os mineradores vendem suas reservas.
A dolorosa equação: minerar bitcoin custa 87.000 dólares mas vende por 69.000
Primeiro, vamos olhar os números apresentados nos relatórios oficiais. MARA Holdings, que é o maior minerador público do mundo, extrai cada bitcoin por 87.000 dólares em média. O preço do BTC atual mal chega a 69.000 dólares. Subtrair é infantil: prejuízo direto em cada bloco validado pelas suas máquinas.
Em seguida, o hashprice, essa métrica essencial de rentabilidade da mineração, caiu para 35 dólares por petahash. Algo nunca visto em anos nesta indústria acostumada a altos e baixos.
O analista Shanaka Perera resume a situação com palavras fortes:
Não é flexibilidade. São os números que obrigam a agir.
Para cravar ainda mais, vamos analisar as compras de criptomoedas feitas no passado por essa empresa. Em 2025, a MARA adquiriu 4.267 bitcoins a um preço médio de 111.034 dólares por unidade. Esses preciosos sats perderam 38% de seu valor inicial no papel. O prejuízo líquido no quarto trimestre atingiu 1,7 bilhão de dólares, um número vertiginoso.
O velho lema dos mineradores – “miner e guardar com cuidado” – está morrendo sob o peso enorme dos balanços.
A inteligência artificial, o novo Graal dos mineradores de cripto em plena crise
Diante desse desastre econômico sem precedentes, uma alternativa atraente se impõe gradativamente. A inteligência artificial e a computação de alta performance atraem todos os olhares. A arbitragem financeira é poderosa demais para que qualquer um a ignore. Um megawatt dedicado à mineração tradicional gera um múltiplo fraco e decrescente. O mesmo megawatt dedicado aos servidores de IA pode gerar de três a vinte e cinco vezes mais receita.
Os cálculos foram feitos, as decisões caem uma após a outra. A MARA firma acordo com a Starwood Capital, um gigante do setor imobiliário que administra 125 bilhões em ativos. O objetivo está claro: transformar seus sites americanos em data centers de nova geração.
Inicialmente, será implementada uma capacidade de um gigawatt no território. A longo prazo, dois vírgula cinco gigawatts podem surgir se tudo correr bem. As ações do minerador subiram 17% só com esse anúncio promissor.
A Core Scientific, outro peso pesado do setor cripto, vende todos os seus bitcoins – cerca de 2.500 – para financiar sua transição para IA. A Bitdeer esvazia seu caixa sem demonstrar preocupação aparente. A Riot vendeu 5.363 BTC no último ano. A CleanSpark já vende mais do que produz, sinal dos novos tempos.
O movimento é geral, poderoso, provavelmente irreversível no curto prazo.
O grande divórcio histórico: os produtores de bitcoin não querem mais guardá-lo
Essa transformação tecnológica esconde uma verdade mais profunda sobre a evolução do mercado. Revela uma ruptura histórica em todo o ecossistema. Shanaka Perera, novamente ele, esclarece com rara precisão:
As entidades que mineram bitcoin não querem mais mantê-lo. A entidade que detém a maior quantidade de bitcoin jamais minerou um único. Produção e acumulação estão totalmente separadas pela primeira vez em dezesseis anos.
Enquanto os mineradores vendem, a Strategy, antiga MicroStrategy, compra sem parar. 3.015 BTC na última semana a 67.700 dólares cada. Seu tesouro de guerra agora atinge 720.737 bitcoins acumulados pacientemente. Nunca extraiu um único satoshi na vida, e ainda assim.
No entanto, um mistério permanece e intriga os observadores atentos. As carteiras identificadas da MARA mostram apenas 13.057 BTC na cadeia. O depósito regulatório declara, no entanto, 53.822 reais. A diferença está com terceiros, fora da blockchain pública. Desde o anúncio chocante, nenhum movimento relevante foi detectado pelas ferramentas de monitoramento.
O documento oficial diz “pode-se vender” muito claramente. A cadeia diz “ainda não” por enquanto. Essa lacuna é o verdadeiro sinal a ser observado nas próximas semanas.
Números-chave da crise dos mineradores
- 87.000 dólares: custo de produção de um bitcoin na MARA, contra 68.146 no mercado atual;
- 3 a 25 vezes: receita gerada por um megawatt em IA comparado à mineração tradicional;
- 53.822 BTC: reservas declaradas pela MARA, das quais 13.057 visíveis na blockchain;
- 1,7 bilhão: prejuízo líquido do maior minerador no quarto trimestre de 2025;
- 720.737 BTC: tesouro da Strategy, que nunca extraiu sequer um satoshi.
As crises são impiedosas com quem as atravessa. Nem todos saem ilesos de tais provações. Em dezembro passado, a Bitmain, gigante chinesa de chips, despachou suas máquinas no prejuízo. Diante do colapso da mineração, quebrou preços para escoar seus estoques. Sinal de que a tempestade não poupa ninguém, nem mesmo os monstros sagrados da indústria.
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La révolution blockchain et crypto est en marche ! Et le jour où les impacts se feront ressentir sur l’économie la plus vulnérable de ce Monde, contre toute espérance, je dirai que j’y étais pour quelque chose
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