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Os mineradores de cripto recorrem à IA e HPC para compensar a queda

7h43 ▪ 6 min de leitura ▪ por Mikaia A.
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O bitcoin despenca há várias semanas e as outras criptos seguem a mesma trajetória descendente rumo ao abismo. Juntos, levam investidores, pequenos e grandes, muitas vezes desamparados diante da violência dos abalos. Mesmo os gigantes da indústria espirram neste contexto difícil. Os mineradores, esses ferreiros que mantêm a blockchain funcionando dia e noite, levam golpes particularmente dolorosos. Extrair bitcoins quase não rende nada hoje em dia. Pior ainda, essa atividade custa agora mais do que rende.

Diante da queda dos preços, mineradores de bitcoin como a MARA estão recorrendo massivamente à IA para sobreviver.

Em resumo

  • MARA produz cada bitcoin a 87.000 dólares enquanto o preço está em apenas 68.146 dólares.
  • Um megawatt dedicado à IA gera de três a vinte e cinco vezes mais do que um megawatt dedicado à mineração.
  • MARA detém oficialmente 53.822 BTC, mas apenas 13.057 são visíveis na blockchain.
  • Strategy acumula 720.737 BTC sem jamais minerar nenhum, enquanto os mineradores vendem suas reservas.

A dolorosa equação: minerar bitcoin custa 87.000 dólares mas vende por 69.000

Primeiro, vamos olhar os números apresentados nos relatórios oficiais. MARA Holdings, que é o maior minerador público do mundo, extrai cada bitcoin por 87.000 dólares em média. O preço do BTC atual mal chega a 69.000 dólares. Subtrair é infantil: prejuízo direto em cada bloco validado pelas suas máquinas.

Em seguida, o hashprice, essa métrica essencial de rentabilidade da mineração, caiu para 35 dólares por petahash. Algo nunca visto em anos nesta indústria acostumada a altos e baixos. 

O analista Shanaka Perera resume a situação com palavras fortes: 

Não é flexibilidade. São os números que obrigam a agir. 

Para cravar ainda mais, vamos analisar as compras de criptomoedas feitas no passado por essa empresa. Em 2025, a MARA adquiriu 4.267 bitcoins a um preço médio de 111.034 dólares por unidade. Esses preciosos sats perderam 38% de seu valor inicial no papel. O prejuízo líquido no quarto trimestre atingiu 1,7 bilhão de dólares, um número vertiginoso. 

O velho lema dos mineradores – “miner e guardar com cuidado” – está morrendo sob o peso enorme dos balanços.

A inteligência artificial, o novo Graal dos mineradores de cripto em plena crise

Diante desse desastre econômico sem precedentes, uma alternativa atraente se impõe gradativamente. A inteligência artificial e a computação de alta performance atraem todos os olhares. A arbitragem financeira é poderosa demais para que qualquer um a ignore. Um megawatt dedicado à mineração tradicional gera um múltiplo fraco e decrescente. O mesmo megawatt dedicado aos servidores de IA pode gerar de três a vinte e cinco vezes mais receita. 

Os cálculos foram feitos, as decisões caem uma após a outra. A MARA firma acordo com a Starwood Capital, um gigante do setor imobiliário que administra 125 bilhões em ativos. O objetivo está claro: transformar seus sites americanos em data centers de nova geração. 

Inicialmente, será implementada uma capacidade de um gigawatt no território. A longo prazo, dois vírgula cinco gigawatts podem surgir se tudo correr bem. As ações do minerador subiram 17% só com esse anúncio promissor. 

A Core Scientific, outro peso pesado do setor cripto, vende todos os seus bitcoins – cerca de 2.500 – para financiar sua transição para IA. A Bitdeer esvazia seu caixa sem demonstrar preocupação aparente. A Riot vendeu 5.363 BTC no último ano. A CleanSpark já vende mais do que produz, sinal dos novos tempos. 

O movimento é geral, poderoso, provavelmente irreversível no curto prazo.

O grande divórcio histórico: os produtores de bitcoin não querem mais guardá-lo

Essa transformação tecnológica esconde uma verdade mais profunda sobre a evolução do mercado. Revela uma ruptura histórica em todo o ecossistema. Shanaka Perera, novamente ele, esclarece com rara precisão: 

As entidades que mineram bitcoin não querem mais mantê-lo. A entidade que detém a maior quantidade de bitcoin jamais minerou um único. Produção e acumulação estão totalmente separadas pela primeira vez em dezesseis anos.

Enquanto os mineradores vendem, a Strategy, antiga MicroStrategy, compra sem parar. 3.015 BTC na última semana a 67.700 dólares cada. Seu tesouro de guerra agora atinge 720.737 bitcoins acumulados pacientemente. Nunca extraiu um único satoshi na vida, e ainda assim. 

No entanto, um mistério permanece e intriga os observadores atentos. As carteiras identificadas da MARA mostram apenas 13.057 BTC na cadeia. O depósito regulatório declara, no entanto, 53.822 reais. A diferença está com terceiros, fora da blockchain pública. Desde o anúncio chocante, nenhum movimento relevante foi detectado pelas ferramentas de monitoramento. 

O documento oficial diz “pode-se vender” muito claramente. A cadeia diz “ainda não” por enquanto. Essa lacuna é o verdadeiro sinal a ser observado nas próximas semanas.

Números-chave da crise dos mineradores

  • 87.000 dólares: custo de produção de um bitcoin na MARA, contra 68.146 no mercado atual;
  • 3 a 25 vezes: receita gerada por um megawatt em IA comparado à mineração tradicional;
  • 53.822 BTC: reservas declaradas pela MARA, das quais 13.057 visíveis na blockchain;
  • 1,7 bilhão: prejuízo líquido do maior minerador no quarto trimestre de 2025;
  • 720.737 BTC: tesouro da Strategy, que nunca extraiu sequer um satoshi.

As crises são impiedosas com quem as atravessa. Nem todos saem ilesos de tais provações. Em dezembro passado, a Bitmain, gigante chinesa de chips, despachou suas máquinas no prejuízo. Diante do colapso da mineração, quebrou preços para escoar seus estoques. Sinal de que a tempestade não poupa ninguém, nem mesmo os monstros sagrados da indústria.

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Mikaia A.

La révolution blockchain et crypto est en marche ! Et le jour où les impacts se feront ressentir sur l’économie la plus vulnérable de ce Monde, contre toute espérance, je dirai que j’y étais pour quelque chose

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