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Pequim reforça o controle monetário com a proibição dos stablecoins

12h15 ▪ 4 min de leitura ▪ por Fenelon L.
Regulação de Cripto
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Pequim acaba de esclarecer sua posição de forma radical. O Banco Popular da China proíbe formalmente a emissão de stablecoins lastreados no yuan e de ativos tokenizados, para empresas chinesas e estrangeiras. Uma linha vermelha agora estabelecida.

Um funcionário chinês suspendeu abruptamente os tokens digitais, simbolizando a proibição de stablecoins e da tokenização atrelada ao yuan oficial.

Em resumo

  • O Banco Popular da China e sete reguladores proíbem a emissão não autorizada de stablecoins indexados ao yuan e de ativos tokenizados (RWA).
  • A proibição atinge todos os emissores, nacionais e internacionais, e se aplica ao yuan onshore (CNY) e offshore (CNH).
  • Pequim aposta tudo em seu yuan digital (e-CNY), sua própria moeda digital emitida pelo banco central, cuja atratividade acabou de ser reforçada.

O golpe de misericórdia contra os stablecoins privados

A decisão anunciada na sexta-feira pelo Banco Popular da China (PBOC) não deixa espaço para ambiguidades. A partir de agora, “nenhuma entidade ou indivíduo no país ou no exterior pode emitir stablecoins vinculados ao RMB (Renminbi) sem o consentimento dos departamentos competentes“. Esta declaração conjunta, assinada em especial pelo Ministério da Indústria e pela Comissão Reguladora de Valores Mobiliários, marca um ponto de virada definitivo.

Winston Ma, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Nova York e ex-diretor do fundo soberano chinês CIC, analisa essa proibição como “a última etapa de um projeto plurianual”.

O objetivo? Manter as criptomoedas fora do sistema financeiro oficial, enquanto promove ativamente o e-CNY, o yuan digital controlado pelo Estado. Essa estratégia revela uma vontade clara: Pequim não quer nenhuma concorrência para sua própria moeda digital.

A proibição abrange tanto o yuan onshore (CNY) quanto sua versão offshore (CNH), esta última permitindo certa flexibilidade nos mercados cambiais internacionais. Ao bloquear qualquer iniciativa privada de stablecoin, a China consolida seu monopólio monetário e reforça sua soberania financeira frente aos gigantes americanos do setor como Tether ou Circle.

Da hesitação à proibição total

O caminho trilhado por Pequim não foi linear. Em agosto passado, rumores apontavam para uma possível abertura permitindo que empresas privadas emitissem stablecoins lastreados no yuan. Essa potencial reviravolta teria marcado uma ruptura histórica com a política ultra-restritiva adotada há anos. Mas a euforia durou pouco.

Já em setembro, o governo chinês recuou, exigindo que os emissores suspendessem ou interrompessem seus projetos pilotos “até novo aviso”. Essa incerteza ilustra as tensões internas no regime entre inovação financeira e manutenção do controle estatal. No fim, prevaleceu a segunda opção, sem surpresa.

Para tornar seu yuan digital mais atraente, Pequim lançou uma carta na manga em janeiro de 2026. Os bancos comerciais agora estão autorizados a pagar juros sobre carteiras em e-CNY. Essa medida visa atrair poupadores e investidores que poderiam ser tentados pelos rendimentos oferecidos em outros lugares, especialmente na DeFi ou via stablecoins privados.

Essa estratégia de recuo pode custar caro para a China a longo prazo. Enquanto os stablecoins em dólares dominam o comércio internacional digital, Pequim se isola de um segmento em plena expansão. A proibição também freia a tokenização de ativos, setor promissor para modernizar os mercados financeiros. Resta saber se o yuan digital será suficiente para preencher essa lacuna.

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Fenelon L.

Passionné par le Bitcoin, j'aime explorer les méandres de la blockchain et des cryptos et je partage mes découvertes avec la communauté. Mon rêve est de vivre dans un monde où la vie privée et la liberté financière sont garanties pour tous, et je crois fermement que Bitcoin est l'outil qui peut rendre cela possible.

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