Segundo o New York Times: Binance teria ocultado o envio de 1,7 bilhão de dólares para contas ligadas ao Irã
A Binance passa por um período delicado após surgirem alegações sobre demissões internas relacionadas à descoberta de transações potencialmente associadas ao Irã no valor aproximado de 1,7 bilhão de dólares em criptomoedas. Essa situação destaca os desafios crescentes enfrentados pelas grandes plataformas cripto em termos de conformidade, gestão de riscos e monitoramento de fluxos financeiros internacionais. Em um mercado já sensível a movimentos regulatórios, esse caso chama a atenção para a forma como os principais atores gerenciam a transparência e a integridade de suas operações.

Em resumo
- Investigadores internos identificaram 1,7 bilhão de dólares enviados para entidades ligadas ao Irã, via mais de 1.500 contas acessadas desde o país, segundo o New York Times.
- Duas empresas, Hexa Whale e Blessed Trust, estão no centro dos fluxos suspeitos, com respectivamente 490 milhões e 1,2 bilhão de dólares transferidos para carteiras associadas ao Corpo dos Guardiões da Revolução.
- Binance contesta veementemente as acusações, afirma não ter violado nenhuma sanção e assegura ter reportado as atividades suspeitas às autoridades.
- O conflito se intensifica com o Wall Street Journal: Binance inicia processos por difamação, acusando o veículo de publicar uma reportagem tendenciosa e imprecisa sobre seu programa de conformidade.
Análise das transferências e transações cripto na Binance
Após as recentes revelações da Fortune, segundo as quais mais de um bilhão de dólares teriam transitado via Binance para o Irã e que cinco investigadores internos teriam sido demitidos por reportar esses movimentos à sua direção, uma nova investigação do New York Times, publicada nesta segunda-feira, traz elementos adicionais.
Ela revela que os investigadores internos da Binance identificaram, no ano passado, mais de 1.500 contas acessadas desde o Irã. A análise deles também mostra que cerca de 1,7 bilhão de dólares em criptomoedas circularam de duas contas da plataforma para destinatários ligados ao Irã, incluindo algumas carteiras associadas ao Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica.
Os especialistas estudam particularmente duas empresas específicas. Hexa Whale, uma empresa sediada em Hong Kong que, segundo o New York Times, usou a Binance para transferir 490 milhões de dólares para carteiras de criptomoedas ligadas a entidades iranianas. Ainda segundo esses documentos, um responsável israelense declarou aos investigadores que a Hexa Whale financiava organizações terroristas como os Houthis, uma milícia apoiada pelo Irã que controla o norte do Iêmen.
Depois, a segunda empresa se chama Blessed Trust. Esse prestador financeiro colabora estreitamente com a Binance. Os especialistas notam que 1,2 bilhão de dólares em criptomoedas passaram da conta da Blessed Trust na Binance para entidades ligadas ao Irã. Segundo o artigo, eles estabeleceram ligações entre essas entidades e carteiras de criptomoedas controladas pelo Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica do Irã.
Leung Ka Kui, diretor da Blessed Trust em Hong Kong, afirmou, segundo o mesmo jornal, que sua empresa nunca, conscientemente, facilitou transações que violassem sanções nem realizou pagamentos para entidades iranianas. Ele explicou que a colaboração da Blessed Trust com a Binance se limita a operações corriqueiras, como o pagamento de contas ou salários.
Resposta da Binance a essas alegações
Em uma declaração transmitida na terça-feira ao meio The Block, o porta-voz da Binance afirmou que nenhum investigador foi demitido por reportar problemas de conformidade ou mencionar possíveis violações de sanções.
Ele também esclareceu que a empresa contesta veementemente as conclusões apresentadas nos recentes artigos, destacando que a auditoria interna não identificou nenhuma infração às leis ou regulamentos relacionados a sanções nas transações mencionadas. Acrescentou que a Binance detectou e reportou às autoridades competentes as atividades consideradas suspeitas, o que demonstra a eficácia de seus sistemas de controle internos.
A plataforma de exchange também destacou dados que mostram uma redução marcante da sua exposição a entidades iranianas. Em uma publicação no X na segunda-feira, a Binance indicou ter diminuído em 97,3% sua exposição direta às quatro principais plataformas cripto iranianas entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, passando de cerca de 4,19 milhões de dólares para 0,11 milhão.
Além disso, lembrou que blockchains públicas funcionam de forma aberta: qualquer usuário pode enviar fundos a um endereço, o que torna impossível eliminar totalmente a exposição. Por sua vez, Changpeng Zhao, fundador da Binance, reagiu em uma mensagem publicada no X, afirmando que alguns meios de comunicação estavam difundindo “narrativas negativas” originadas de ex-funcionários. Acrescentou que, segundo ele, a Binance possui o “melhor programa de conformidade do setor”.
Escalada das tensões entre Binance e o Wall Street Journal
O confronto entre Binance e o Wall Street Journal se intensifica enquanto outros meios americanos publicam acusações graves. Após a divulgação de artigos mencionando o ingresso de fundos massivos potencialmente ligados ao Irã via plataforma, o CEO Richard Teng anunciou em uma postagem no X que a empresa está movendo ações legais contra o Wall Street Journal, acusando-o de difamação.
A Binance acusa diretamente o WSJ de divulgar uma investigação contendo, segundo ela, informações imprecisas e prejudiciais sobre seu programa de conformidade com sanções.
O escritório de advocacia Withers Bergman LLP envia uma carta ao veículo contestando formalmente a reportagem. A Binance afirma que o artigo distorce a realidade de seus mecanismos de conformidade, ignora respostas fornecidas antes da publicação e sugere equivocadamente violações de sanções iranianas ou obstruções a investigações internas.
A empresa também rejeita a ideia de que teria sancionado empregados que reportaram riscos de descumprimento. Segundo a Binance, o tratamento do WSJ carece de imparcialidade e alimenta uma narrativa tendenciosa enquanto vários meios influentes publicam revelações sensíveis sobre ela.
Perspectiva sobre o futuro da conformidade cripto
O caso do emissor do BNB destaca que os desafios de conformidade no ecossistema cripto continuam evoluindo rapidamente, com crescentes dificuldades para gerenciar riscos transfronteiriços e sanções internacionais. A indústria precisa esclarecer as regras e reforçar os mecanismos de transparência para atender às expectativas dos reguladores, usuários e mercados.
Plataformas como a Binance provavelmente permanecerão sob vigilância intensificada. A capacidade delas de demonstrar a eficácia de seus sistemas de conformidade pode influenciar a percepção pública e a forma como os reguladores encaram o setor de criptomoedas nos próximos anos.
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Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.
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