Tether aposta em ouro físico enquanto Coinbase prefere derivativos
O ouro acaba de ultrapassar 5.311 dólares a onça, despertando uma corrida ao valor refúgio. Diante deste pico histórico, dois gigantes das criptomoedas adotam estratégias opostas. A Tether aposta no ouro físico, a Coinbase nos derivativos. Essa divergência não é por acaso. Ela revela duas visões do futuro financeiro : ancorada no tangível para um, voltada para os mercados para o outro. Uma reviravolta estratégica como essa pode redefinir o equilíbrio de forças no ecossistema cripto.

Em resumo
- O ouro atingiu um nível recorde de 5.311 dólares a onça, confirmando seu status de valor refúgio frente à incerteza econômica.
- A Tether reforça massivamente suas reservas de ouro físico, alcançando 130 toneladas, das quais 16,2 são destinadas ao stablecoin XAUT.
- A Coinbase adota uma abordagem oposta ao apostar nos contratos futuros de metais preciosos, sem posse física.
- Essa divergência estratégica ilustra duas visões opostas de estabilidade : ancoragem tangível contra flexibilidade financeira.
A Tether sonha em ser banco central do ouro
Enquanto o preço do ouro ultrapassava os 5.311 dólares a onça, a Tether confirmava seu papel crescente na acumulação do metal precioso.
O emissor do stablecoin USDt detém agora 130 toneladas de ouro físico, avaliadas em cerca de 22 bilhões de dólares. A isso somam-se as 16,2 toneladas atribuídas especificamente ao seu stablecoin lastreado em ouro, o XAUT, para um total de 520.089 onças troy.
“Estamos nos tornando, de certa forma, um dos maiores bancos centrais de ouro do mundo”, declarou Paolo Ardoino, CEO da Tether, durante entrevista à Bloomberg. Segundo os dados mais recentes do World Gold Council, essa reserva coloca a Tether no nível dos bancos centrais de países como México, Suécia ou África do Sul.
A empresa esclareceu que as reservas de ouro relacionadas ao token XAUT são separadas dos demais ativos, e que cada token pode dar direito à entrega física mediante solicitação. A estratégia adotada pela Tether baseia-se assim numa lógica de lastro tangível, fundamentada em ativos reais, rompendo com certa abstração financeira do setor. Essa acumulação visa :
- Reforçar a credibilidade do XAUT num contexto econômico incerto ;
- Diversificar as reservas da Tether adicionando um ativo historicamente estável ;
- Competir com instituições tradicionais no terreno das reservas estratégicas ;
- Oferecer aos investidores cripto uma exposição direta e entregável ao ouro.
Esse posicionamento atípico entre os emissores de stablecoins reflete uma vontade clara: ancorar as criptomoedas em fundamentos tangíveis para atrair uma nova categoria de investidores e se inscrever no longo prazo.
Coinbase aposta em contratos futuros
Diante dessa ofensiva materialista, a Coinbase adotou uma abordagem decididamente financeira. Em vez de acumular ouro físico, a plataforma americana destacou sua gama de produtos derivativos, especialmente os contratos futuros sobre metais preciosos.
“Você pode negociar metais preciosos na Coinbase”, lembrou Brian Armstrong, CEO da empresa, numa publicação no X. Ele citou ouro, prata, cobre e platina entre as opções disponíveis, ressaltando que esses instrumentos não implicam entrega física.
Essa estratégia provocou reações mistas na comunidade cripto. Alguns comentaristas viram nisso um “top signal”, interpretando o destaque a esses produtos como sinal de um topo iminente nos mercados do ouro. Ao contrário da Tether, a Coinbase parece não buscar capitalizar o valor refúgio intrínseco do metal amarelo, mas sim oferecer instrumentos de negociação flexíveis a seus usuários, numa lógica de mercado sobretudo especulativa.
Num contexto de tensões econômicas, as estratégias da Tether e da Coinbase traçam duas visões irreconciliáveis. Enquanto o ouro tokenizado dispara, a questão não é mais se deve se expor a ele, mas como. Físico ou derivativos, o desfecho dessa divergência pode muito bem redesenhar o futuro dos valores refúgio na esfera cripto.
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Diplômé de Sciences Po Toulouse et titulaire d'une certification consultant blockchain délivrée par Alyra, j'ai rejoint l'aventure Cointribune en 2019. Convaincu du potentiel de la blockchain pour transformer de nombreux secteurs de l'économie, j'ai pris l'engagement de sensibiliser et d'informer le grand public sur cet écosystème en constante évolution. Mon objectif est de permettre à chacun de mieux comprendre la blockchain et de saisir les opportunités qu'elle offre. Je m'efforce chaque jour de fournir une analyse objective de l'actualité, de décrypter les tendances du marché, de relayer les dernières innovations technologiques et de mettre en perspective les enjeux économiques et sociétaux de cette révolution en marche.
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