China e Indonésia criam alternativa real ao dólar
O dólar não é mais apenas contestado, mas agora está sendo contornado nos usos reais. A partir de 30 de abril de 2026, os BRICS alcançam um avanço decisivo com o lançamento de um sistema de pagamento operacional entre a China e a Indonésia. Por trás dessa iniciativa, uma ambição clara: reduzir concretamente a dependência do dólar nas transações diárias. Este avanço marca a passagem de uma estratégia política para uma aplicação tangível, capaz de reconfigurar o sistema monetário internacional.

Em resumo
- Os BRICS avançam para uma nova etapa ao transformar a desdolarização em uma iniciativa concreta e operacional.
- Um sistema de pagamento sem dólar entre China e Indonésia será oficialmente lançado em 30 de abril de 2026.
- Este sistema baseia-se em uma tecnologia de pagamento por código QR que permite transações simples e diretas.
- Os primeiros testes já mostraram resultados significativos com mais de 1,64 milhão de transações registradas.
China–Indonésia : um sistema de pagamento transfronteiriço sem dólar
O projeto de desdolarização dos BRICS ganha uma dimensão concreta com o anúncio de um sistema de pagamento baseado no padrão QRIS (Quick Response Code Indonesian Standard), destinado a facilitar as transações entre a China e a Indonésia.
A entrada em vigor oficial está prevista para 30 de abril, após uma fase de preparação considerada concluída pelas autoridades. Filianingsih Hendarta, vice-governadora do Banco da Indonésia, afirmou: “concretamente, os aspectos técnicos e comerciais estão agora prontos para serem implementados” antes de acrescentar : “esperamos poder lançá-lo oficialmente em 30 de abril de 2026”. Este sistema visa permitir pagamentos diretos via código QR, sem recorrer ao dólar americano.
Vários elementos-chave estruturam esta iniciativa :
- A implementação de um sistema de pagamento interoperável baseado no QRIS ;
- O objetivo é facilitar as transações entre usuários chineses e indonésios ;
- Uma fase de testes registrou 1,64 milhão de transações ;
- O volume total das transações está estimado em 556 bilhões de rúpias (~32 milhões de dólares) ;
- A adoção é sustentada pelo aumento do número de usuários e comerciantes.
Este mecanismo é direcionado prioritariamente a viajantes e agentes econômicos que operam entre os dois países, simplificando os pagamentos transfronteiriços. Perry Warjiyo, governador do Banco da Indonésia, ressaltou essa dinâmica destacando o crescimento contínuo do ecossistema QRIS, impulsionado por uma adoção ampliada entre usuários e comerciantes.
Uma aceleração estratégica da agenda dos BRICS
Além do caso bilateral entre China e Indonésia, essa iniciativa insere-se em uma dinâmica impulsionada pelos BRICS para reduzir a influência do dólar no comércio internacional. A utilização de um sistema de pagamento baseado em códigos QR interoperáveis marca uma evolução para soluções tecnológicas adaptadas às economias emergentes, aptas a funcionar fora das infraestruturas financeiras dominantes. Essa abordagem baseia-se em usos já difundidos nos pagamentos móveis na Ásia, ao mesmo tempo em que lhes confere uma dimensão transfronteiriça.
Este avanço também ilustra uma mudança de método. Onde as discussões sobre desdolarização frequentemente permaneciam teóricas ou institucionais, este projeto propõe uma aplicação concreta e imediatamente utilizável.
Não se trata mais apenas de diversificar as reservas cambiais ou promover moedas locais nas trocas, mas de criar ferramentas operacionais para os usuários finais. Essa mudança para soluções pragmáticas pode acelerar a adoção de alternativas ao dólar em outras regiões e entre outros membros dos BRICS.
Em última análise, esse tipo de iniciativa pode redesenhar progressivamente os fluxos financeiros internacionais. Se a adoção se confirmar e se expandir para outros corredores econômicos, apesar da mudança de direção do bloco, o papel do dólar nos pagamentos diários poderá ser questionado, sem desaparecer a curto prazo. A evolução dependerá da capacidade desses sistemas de conquistar a confiança dos usuários, integrar-se às redes existentes e oferecer uma estabilidade comparável às infraestruturas atuais.
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Diplômé de Sciences Po Toulouse et titulaire d'une certification consultant blockchain délivrée par Alyra, j'ai rejoint l'aventure Cointribune en 2019. Convaincu du potentiel de la blockchain pour transformer de nombreux secteurs de l'économie, j'ai pris l'engagement de sensibiliser et d'informer le grand public sur cet écosystème en constante évolution. Mon objectif est de permettre à chacun de mieux comprendre la blockchain et de saisir les opportunités qu'elle offre. Je m'efforce chaque jour de fournir une analyse objective de l'actualité, de décrypter les tendances du marché, de relayer les dernières innovations technologiques et de mettre en perspective les enjeux économiques et sociétaux de cette révolution en marche.
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