A exchange cripto Binance enfrenta novas revelações sobre transferências relacionadas ao Irã
676 milhões de dólares. Esse é o montante que teria transitado entre Shelbit, plataforma de Dubai suspeita de lavar fundos iranianos, e Binance. Apostas online, banco central de Teerã, suspeitas de ligações com os Guardiões da Revolução: o gigante da exchange cripto se vê, novamente, sob fogo.

Em resumo
- Shelbit, plataforma cripto não regulada de Dubai, transferiu pelo menos 676 milhões de dólares para Binance, incluindo 540 milhões após sua própria sanção pela VARA.
- Essa plataforma conectava uma rede de apostas online iranianas, o banco central de Teerã e carteiras ligadas aos Guardiões da Revolução.
- A VARA investiga lavagem de dinheiro e evasão de sanções, enquanto o OFAC monitora de perto uma Binance já condenada em 2023.
676 milhões de dólares: o que revela a investigação da Reuters sobre Shelbit
O caso é grave a ponto de causar preocupação nos corredores do OFAC. Segundo investigação da Reuters, a plataforma Shelbit — não regulada, sediada em Dubai e dirigida pelo expatriado iraniano Siavash Kayvanpour — teria movimentado pelo menos 4 bilhões de dólares desde maio de 2024. Seu papel, servir como um hub discreto entre uma rede de mais de 2.000 sites de apostas em persa, o banco central iraniano, e carteiras cripto que Israel associa aos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC). Deste montante, 676 milhões de dólares teriam acabado na Binance.
Detalhe que chama atenção: cerca de 540 milhões foram movimentados depois que o regulador de Dubai VARA sancionou a Shelbit, em janeiro de 2025, por atividade não licenciada. Ou seja, o dinheiro continuou a fluir mesmo com a plataforma cripto oficialmente na mira das autoridades. A Reuters permanece cautelosa: não é possível afirmar com certeza se o IRGC gerenciava diretamente a operação. Mas o simples fato de esses fluxos terem atingido a Binance reacende uma questão que acompanha a exchange há anos: sua conformidade é realmente efetiva, ou ela sempre reage tardiamente?
Binance e USDT: o verdadeiro calcanhar de Aquiles da conformidade cripto
Este caso Shelbit não é um acidente isolado, ele se encaixa em um padrão conhecido por pesquisadores de blockchain: redes sob sanções preferem stablecoins, lideradas pelo USDT, por sua liquidez e estabilidade. Ao contrário do bitcoin, cuja volatilidade dificulta a lavagem em grande escala, o token da Tether permite transferir montantes colossais sem oscilações bruscas de preço, antes da conversão final em plataformas importantes como a Binance.
Não é por acaso que a Binance carrega esse fardo desde seu acordo de 2023 com a justiça americana: confissão de culpa, multa recorde de 4,3 bilhões de dólares, e a admissão que a plataforma facilitou perto de 900 milhões de dólares em transações entre usuários americanos e iranianos. Em entrevista à Reuters, a exchange cripto declara desta vez que “o programa de conformidade funcionou como deveria” assim que contas ligadas à Shelbit foram detectadas: contas congeladas e reportadas às autoridades.
O problema é o timing. Uma conformidade que só entra em ação após o alerta de um pesquisador externo — neste caso Rich Sanders, que afirma ter alertado a Binance já em outubro de 2025 — parece menos um sistema de detecção e mais um serviço pós-venda. E enquanto o USDT continuar sendo a rota preferencial das redes sancionadas, exchanges que o listam estarão, que queiram ou não, na linha de frente.
O que Binance e Shelbit arriscam diante da VARA e do OFAC
Do lado de Dubai, o tom mudou. O regulador VARA, que já havia sancionado a Shelbit em janeiro de 2025, publicou em 24 de julho de 2026 um aviso oficial constatando que a plataforma continuava operando sem licença, sem verificações KYC e sem autorização comercial. Detalhe importante: a VARA não se limita a uma acusação vaga, ela vincula essas falhas a três textos legais específicos:
- O Decreto-Lei Federal nº 10 de 2025 sobre combate à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo;
- A Resolução do Gabinete nº 111 de 2022 sobre ativos virtuais;
- A Lei de Dubai nº 4 de 2022. Uma fundamentação jurídica que pesa muito na balança.
Como consequência, o regulador cripto afirma ter tomado as medidas de execução necessárias, imposto penalidades financeiras à Shelbit e ordenado a suspensão imediata de qualquer atividade não licenciada em Dubai. O aviso especifica que é publicado para fins informativos, sem constituir uma opinião legal ou profissional. Uma prudência de linguagem que não diminui a gravidade do caso.

Do lado americano, o OFAC afirma levar as alegações muito a sério. Para a Binance, já condenada em 2023, a questão vai além de mera comunicação de crise: um novo processo manteria a imagem de uma plataforma que sempre corre atrás dos escândalos ao invés de antecipá-los.
A Binance garante ter agido como deveria assim que o alerta foi dado. Mas reagir depois do fato, isso é realmente conformidade? Entre a investigação da VARA e a vigilância mostrada pelo Tesouro americano, a exchange cripto de Changpeng Zhao terá que provar que sua supervisão não se limita a comunicados de imprensa. O debate, por sua vez, está apenas começando.
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Le monde évolue et l'adaptation est la meilleure arme pour survivre dans cet univers ondoyant. Community manager crypto à la base, je m'intéresse à tout ce qui touche de près ou de loin à la blockchain et ses dérivés. Dans l'optique de partager mon expérience et de faire connaître un domaine qui me passionne, rien de mieux que de rédiger des articles informatifs et décontractés à la fois.
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