cripto para todos
Juntar-se
A
A

Um estudo do BIS questiona algumas métricas onchain do Bitcoin

10h15 ▪ 5 min de leitura ▪ por Ghiles A.
Informar-se bitcoin (BTC)
Resumir este artigo com:

Os dados registrados em blockchains frequentemente dão a impressão de oferecer uma leitura precisa dos fluxos financeiros. No entanto, um estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) mostra que algumas métricas podem variar conforme o método utilizado. Para o bitcoin, os pesquisadores identificaram uma discrepância que pode atingir seis vezes na estimativa do valor das transferências realizadas na blockchain. Essa diferença não diz respeito às trocas realizadas nas plataformas, mas sim à interpretação das transações registradas diretamente na rede.

Ilustração de um analista examinando métricas onchain do Bitcoin em uma tela com dados de blockchain.

Em resumo

  • O BIS revela que as estimativas das transferências onchain podem variar até seis vezes conforme o método utilizado.
  • As moedas de troco nas transações complicam a interpretação dos fluxos realmente enviados a terceiros.
  • A capitalização de mercado convencional pode atingir quatro vezes a capitalização realizada.
  • O estudo recomenda considerar as métricas onchain como aproximações ao invés de medidas diretas.

Transferências difíceis de medir com precisão

O estudo do BIS destaca primeiro os limites relacionados à estrutura das transações de bitcoin. Quando um usuário gasta fundos, a parte não utilizada pode retornar ao seu próprio endereço sob a forma de troco. Essa saída pode então parecer uma transferência, embora não corresponda a um pagamento destinado a terceiros. O valor calculado depende, portanto, do tratamento dado a esses movimentos.

De acordo com a análise dos pesquisadores, essas escolhas metodológicas podem provocar discrepâncias consideráveis entre diferentes estimativas. Em alguns casos, o valor das transferências de bitcoin na blockchain varia até seis vezes, dependendo do método adotado. Essa diferença diz respeito aos fluxos on-chain. O dado bruto permanece idêntico, mas sua interpretação muda conforme as regras.

Gráfico comparando o volume dos dados registrados no Bitcoin, Ethereum e Tron, entre camada base e contratos inteligentes.
Distribuição dos registros da blockchain analisados no estudo do BIS. Fonte: BIS

O BIS também destaca aqui que vários indicadores por vezes dão a impressão de uma precisão superior à permitida pelos dados. Os volumes de transações, a capitalização de mercado e o valor total bloqueado apresentam assim limites na interpretação. Os pesquisadores consideram as métricas on-chain como aproximações. Essa distinção é importante para analisar os usos reais de uma rede.

A capitalização também apresenta uma diferença

O problema não diz respeito apenas às transferências de bitcoin. O estudo também destaca uma discrepância entre a capitalização de mercado convencional e a capitalização realizada. Esta última valoriza cada unidade segundo seu último preço de transação, enquanto a medida convencional se baseia em outra abordagem. A capitalização convencional às vezes atingiu quatro vezes a capitalização realizada.

Esses resultados vêm de uma análise de 100 bilhões de registros de blockchain provenientes do Bitcoin, Ethereum e Tron. A amostra mostra que essas dificuldades abrangem de forma mais ampla os dados produzidos por diferentes redes estudadas. Consequentemente, a comparação entre indicadores requer considerar seu método de construção.

O Ethereum adiciona uma dificuldade com a multiplicação dos contratos autônomos. Dos 67,5 milhões de contratos ativos examinados, quase 54 milhões não puderam ser categorizados segundo os critérios adotados pelo estudo. Essa situação complica a interpretação da atividade da blockchain. Os pesquisadores observam assim desafios similares para o Bitcoin em vários segmentos do ecossistema cripto.

Os stablecoins ilustram os limites dos dados brutos

A análise do USDT mostra por que o mesmo dado pode ocultar usos econômicos diferentes. No Ethereum, o USDT aparece mais ligado às finanças descentralizadas, enquanto o presente no Tron está mais associado a pagamentos e reserva de valor. Os ativos detidos em contratos autônomos reforçam essa diferença. No Ethereum, sua participação ultrapassou 20% em 2022, contra cerca de 1% no Tron.

Para os pesquisadores, agregar a atividade do Bitcoin e do USDT entre várias blockchains pode ocultar essas diferenças de uso. Uma mesma métrica global pode reunir operações relacionadas à DeFi, pagamentos ou conservação de valor. O estudo convida a observar o contexto de cada transação. Essa abordagem distingue melhor atividade técnica e atividade econômica.

Algumas ferramentas já aplicam essa separação. A Visa, com seu painel Onchain Analytics alimentado pelo Allium Labs, apresenta volumes de transações em stablecoins sob duas formas. O volume ajustado reduz algumas distorções, principalmente bots, trading de alta frequência, pontes e operações internas. O painel exibe atualmente 6,4 trilhões de dólares em transações acompanhadas em 30 dias, contra 313,1 bilhões após o ajuste.

A curto prazo, o estudo pode fortalecer a atenção dada aos métodos de cálculo dos dados da blockchain. As métricas on-chain continuarão úteis, mas seu alcance dependerá do tratamento aplicado às transações. Para o bitcoin, distinguir movimentos técnicos e transferências econômicas pode permanecer central.

Maximize sua experiência na Cointribune com nosso programa "Read to Earn"! Para cada artigo que você lê, ganhe pontos e acesse recompensas exclusivas. Inscreva-se agora e comece a acumular vantagens.



Entrar no programa
A
A
Ghiles A. avatar
Ghiles A.

Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.

AVISO LEGAL

As opiniões e declarações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não devem ser consideradas como recomendações de investimento. Faça sua própria pesquisa antes de tomar qualquer decisão de investimento.