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Bitcoin já representa 85% de algumas carteiras, ante 2%

10h15 ▪ 6 min de leitura ▪ por Ariela R.
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Um investimento de 2 % em bitcoin, mantido intacto por mais de 10 anos, representa hoje quase 85 % da carteira média dos clientes da Fundstrat. Essa é a história contada por Tom Lee em uma entrevista para a Wealthion publicada em 11 de setembro de 2026. Um número espetacular, sem dúvida. Ainda mais porque diz muito sobre o poder da composição dos ativos cripto ao longo do tempo. No entanto, também ilumina um sério problema de concentração.

Um investidor cripto observa, perplexo, uma carteira em forma de pizza, na qual o bitcoin ocupa 85%.

Em resumo

  • A Fundstrat recomendava 2 % em bitcoin há mais de dez anos.
  • Essa posição agora representaria mais de 85 % de algumas carteiras, sem compras adicionais.
  • A mudança pressupõe um desempenho próximo a 278 vezes se o restante permanecer estável.
  • Tom Lee prevê doze meses de alta, mas seus números são estimativas.

Como um investimento cripto de 2 % em bitcoin passou para mais de 85 %?

Tudo começa com uma decisão moderada. Muitos investidores institucionais aplicam uma fração ínfima de seu capital na primeira cripto do mercado. A ideia inicial? Se expor a uma tecnologia emergente poderosa sem correr risco para o restante de seus ativos.

Dez anos depois, um pequeno investimento marginal de 2 % em bitcoin se transforma, ao longo dos ciclos, em um investimento relevante. Este representa até 85 % do valor total de algumas contas. Um desempenho que o cofundador da Fundstrat resume em uma frase simples:

Eles compraram 2 % e o bitcoin subiu muito.

Em outras palavras, o salto de 2 % para mais de 85 % decorre da valorização do bitcoin e não de aportes adicionais. O cálculo, aliás, revela a dimensão do fenômeno. Em uma carteira cripto inicial de 100 $, os 2 $ investidos em BTC devem subir até cerca de 555 $ para representar 85 % do total, se os 98 $ restantes permanecerem inalterados. Em outras palavras, o retorno implícito é cerca de 278 vezes o investimento inicial.

No entanto, essa reconstrução permanece teórica. Na sua apresentação oficial, a Fundstrat não informa data exata de compra, nem extratos auditados, nem desempenho de outros ativos. Outros elementos podem, portanto, alterar consideravelmente o resultado:

  • retiradas;
  • aportes;
  • vendas;
  • variações nas ações e obrigações.

O número espetacular de Tom Lee esconde uma outra realidade mais surpreendente

Segundo Tom Lee, entre 80 % e 90 % dos investidores ainda não se expõem ao bitcoin. E, no entanto, possuem ouro ou ações em abundância. Ao mesmo tempo, muitos deles aceitam investir em tecnologias que não compreendem totalmente. Esse é, em especial, o caso dos veículos elétricos e dos grandes modelos de inteligência artificial. O bitcoin, para eles, continua sendo uma zona de desconforto.

Durante sua entrevista à Wealthion, Tom Lee reduz o debate a uma questão simples:

Querem estar certos ou querem ganhar dinheiro?

Segundo alguns analistas cripto, uma posição vencedora pode se tornar perigosamente dominante. Sem o rebalanceamento, a valorização do preço do bitcoin automaticamente aumenta a exposição cripto. Mas não só! Isso também reduz a diversificação buscada inicialmente. Com 85 %, o comportamento da conta depende quase que totalmente de um único ativo, enquanto a alocação inicial de 2 % deveria justamente limitar a perda em caso de fracasso.

Nesse caso particular, a diferença entre desempenho e prudência conta muito. Em dezembro de 2024, a BlackRock considerava que uma ponderação de 1 % a 2 % podia ser adequada para investidores com governança e tolerância ao risco apropriadas. O gestor contudo fez um importante alerta: acima de 2 %, a participação do bitcoin no risco total se tornava desproporcional em relação a uma grande ação tecnológica.

Esse contraste não nega a história contada por Lee. Apenas muda sua leitura. Uma alta excepcional recompensa a paciência. Contudo, uma ponderação de 85 % também expõe a fortes quedas no mercado cripto.

Tom Lee prevê 12 meses de alta para a cripto e o bitcoin

Tom Lee estima que 80 % a 90 % dos investidores particulares ainda não possuem nenhuma cripto. Ele apresenta essa baixa participação como uma reserva de demanda potencial para o bitcoin e outros ativos digitais. No entanto, não se trata de uma pesquisa publicada nem de uma medição independente. A porcentagem vem da própria estimativa dele na entrevista.

Seu cenário também se baseia na limpeza do efeito alavancagem. Lee descreve o período atual como o quarto inverno cripto (ou bear market). Segundo ele, as liquidações de outubro e as ocorridas após o início da guerra com o Irã eliminaram parte das posições endividadas. Agora, ele vê o reaparecimento da alavancagem na Coreia e relaciona esse movimento aos anteriores fundos do ciclo cripto.

As ações relacionadas a ativos digitais reforçam seu otimismo. Segundo ele, quatro das 21 melhores performances do Russell 1000 no terceiro trimestre vêm de empresas cripto. Antes disso, a BitMine subiu 99 %.

Lee adiciona uma aposta de longo prazo na adoção institucional. Se 100 trilhões de dólares em ativos migrarem para a tokenização, capturar 1 % dessa atividade representaria, segundo seu cálculo, 1 trilhão de dólares em receitas líquidas.

De qualquer forma, essa mudança espetacular prova que o bitcoin é muito mais que um simples ativo. Ele se tornou agora o motor central do desempenho financeiro moderno. Os investidores finalmente adaptarão suas grades teóricas de leitura a essa realidade cripto? Tentarão bloquear à força o crescimento de um ativo digital que se recusa a ser preso em índices obsoletos? A resposta nos próximos anos!

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Ariela R.

Analyste et rédactrice crypto avec 7 ans d'expérience en journalisme financier numérique. Depuis 2021, j'analyse en profondeur les dynamiques du marché des cryptomonnaies, des ETF et des politiques monétaires qui les impactent. Mon approche combine veille macroéconomique et décryptage des données on-chain pour offrir une perspective factuelle aux investisseurs.

AVISO LEGAL

As opiniões e declarações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não devem ser consideradas como recomendações de investimento. Faça sua própria pesquisa antes de tomar qualquer decisão de investimento.