À três dias do prazo MiCA, 80% das empresas cripto europeias permanecem sem licença
A poucos dias de 1º de julho de 2026, a União Europeia concedeu apenas 230 licenças no âmbito do regulamento MiCA, deixando mais de 80% dos atores cripto sem autorização. A Espanha acaba de fechar a porta para qualquer extensão do prazo transitório. Essa contagem regressiva vai remodelar o mapa do mercado cripto europeu?

Em resumo
- A UE concedeu cerca de 230 licenças MiCA até o momento, com a Alemanha concentrando 56, os Países Baixos 26 e a França 21.
- A CNMV espanhola confirmou que não haverá nenhuma extensão além de 1º de julho de 2026 para plataformas não conformes.
- Mais de 80% das empresas de serviços sobre ativos virtuais da UE ainda operam sem autorização MiCA, a quatro dias do prazo.
A corrida pelas licenças cripto MiCA vira a favor da Alemanha, muito à frente dos seus vizinhos
Cerca de 230 empresas obtiveram autorização MiCA em toda a União Europeia. Deste total, a Alemanha detém 56, seguida pelos Países Baixos com 26 e pela França com 21. Uma distribuição que ilustra uma tendência forte: os operadores miraram massivamente nas jurisdições mais reativas, obtendo uma licença única para depois “transmitir” seus serviços para os outros 26 Estados-membros.
Esse fenômeno de concentração preocupa o setor há vários meses. O aumento dos custos de conformidade e o volume das exigências documentais fizeram com que muitos pequenos atores deixassem o mercado ou consolidassem operações. Resultado: um oligopólio está se formando ao redor de um punhado de plataformas bem capitalizadas, enquanto o restante do mercado ainda corre atrás da sua autorização.
De mais de 1.200 empresas de serviços sobre ativos virtuais listadas na UE, apenas algumas centenas possuem licença completa. Ou seja, a quatro dias do prazo, mais de 80% do mercado ainda está fora de conformidade.
A CNMV fecha a porta, a ESMA confirma, sem rede de segurança
A autoridade espanhola de mercados financeiros, a CNMV, excluiu oficialmente qualquer extensão do prazo final de 1º de julho, segundo a Reuters. Essa posição está alinhada com a da ESMA, que lembrou que um pedido de licença em análise não oferece proteção após o prazo.
As regras transitórias do MiCA são claras nesse ponto: o direito de atender clientes europeus termina em 1º de julho ou assim que o regulador decidir sobre uma solicitação pendente, o que ocorrer primeiro. Toda plataforma cujo processo estiver pendente nesta data deverá suspender seus serviços aos usuários da UE até receber autorização.
Entre os casos emblemáticos, a Binance retirou seu pedido MiCA na Grécia e agora busca licença em outro Estado-membro. Um sinal forte da pressão que existe, até mesmo sobre os atores mais poderosos do mercado.
Em suma, o prazo de 1º de julho não será prorrogado. A ESMA disse, a CNMV confirmou, e os números falam por si: 230 licenças para mais de 1.200 candidatos potenciais. Plataformas não conformes terão que suspender seus serviços europeus, transferir seus clientes para operadores autorizados, ou acelerar com urgência um processo que deveria ter sido concluído há meses.
A próxima data regulatória cripto na Europa pode ser a mais impactante desde a entrada em vigor do MiCA.
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