Apenas US$ 719 milhões em Bitcoin enfrentam risco quântico, segundo a CoinShares
O gestor de ativos digitais CoinShares minimizou as preocupações de que computadores quânticos possam representar uma ameaça iminente ao Bitcoin, argumentando que apenas uma pequena parte das moedas está realisticamente exposta a tais ataques. Embora os receios sobre a tecnologia quântica tenham alimentado a ansiedade do mercado nos últimos meses, a empresa diz que os riscos atuais permanecem amplamente teóricos e distantes de serem acionáveis.

Em resumo
- A CoinShares estima que apenas 10.230 BTC possuem chaves públicas expostas que poderiam ser alvo de futuros ataques quânticos.
- A maior parte dos Bitcoins potencialmente vulneráveis está concentrada em grandes carteiras, limitando o risco de uma perturbação sistêmica do mercado.
- Carteiras com menos de 100 BTC levariam séculos para serem quebradas, mesmo sob suposições otimistas de computação quântica.
- Especialistas permanecem divididos sobre os riscos quânticos, com alguns considerando as ameaças distantes e outros defendendo atualizações antecipadas.
CoinShares: só uma pequena parte do Bitcoin corre risco com ataques quânticos
Em um post publicado na sexta-feira, o chefe de pesquisa de Bitcoin da CoinShares, Christopher Bendiksen, disse que apenas 10.230 BTC de aproximadamente 1,63 milhão de BTC são mantidos em endereços de carteira com chaves criptográficas publicamente visíveis que, em teoria, poderiam ser alvejadas por um computador quântico. Nos preços atuais, essa quantia vale cerca de US$ 719 milhões, um valor que Bendiksen observou que poderia se assemelhar ao tamanho de uma negociação rotineira no mercado em vez de um choque sistêmico.
A maior parte do Bitcoin potencialmente exposto está concentrada em carteiras maiores. Cerca de 7.000 BTC estão armazenados em endereços que possuem entre 100 e 1.000 BTC, enquanto cerca de 3.230 BTC estão em carteiras com saldos variando de 1.000 a 10.000 BTC. Bendiksen argumentou que mesmo se tais saldos fossem comprometidos, o impacto mais amplo no mercado provavelmente seria limitado.
Por outro lado, aproximadamente 1,62 milhão de BTC estão mantidos em carteiras com saldo inferior a 100 BTC. Segundo Bendiksen, atacar essas carteiras seria impraticável mesmo sob suposições extremamente otimistas sobre o progresso futuro da computação quântica, com cada endereço levando séculos para ser quebrado.

Pontos-chave por trás da avaliação da CoinShares incluem:
- Apenas uma pequena parte do Bitcoin está em carteiras com chaves públicas expostas.
- A maior parte das moedas vulneráveis está concentrada em um número limitado de endereços grandes.
- Carteiras menores requereriam tempo e recursos irrealistas para serem atacadas.
- Regras centrais da rede permanecem intactas diante dos métodos quânticos.
Bendiksen explicou que os riscos relacionados a quântica decorrem de algoritmos como o de Shor, que poderia teoricamente quebrar assinaturas em curva elíptica do Bitcoin, e o de Grover, que poderia enfraquecer a função de hash SHA-256. No entanto, ele enfatizou que nenhum desses métodos poderia alterar o limite fixo de 21 milhões de moedas do Bitcoin ou contornar a prova de trabalho, dois pilares do design da rede.
Temores quânticos reacendem debate sobre a segurança dos US$ 1,4 trilhão do Bitcoin
As preocupações sobre computação quântica se tornaram uma fonte recorrente de medo, incerteza e dúvida, com críticos alertando que qualquer violação na criptografia poderia comprometer redes que protegem cerca de US$ 1,4 trilhão em valor. As moedas consideradas em risco são principalmente saídas de transações não gastas, ou UTXOs, muitas das quais datam da “era Satoshi” inicial do Bitcoin, quando o reuso de endereços era mais comum.
O debate continua dentro da comunidade Bitcoin sobre se um hard fork resistente a quântica deve ser perseguido agora ou adiado. Figuras como o presidente executivo da Strategy, Michael Saylor, e o CEO da Blockstream, Adam Back, argumentam que as ameaças quânticas são exageradas e distantes de ocorrerem.
Bendiksen concorda com essa visão, observando que ataques significativos exigiriam milhões de qubits tolerantes a falhas, muito além dos aproximadamente 105 qubits alcançados pelo último sistema da Google, Willow.
Adotando uma postura cautelosa, o fundador da Capriole Investments, Charles Edwards, descreveu a computação quântica como um possível risco existencial. Ele defendeu atualizações mais cedo do que tarde. O fundador argumentou que resolver a questão poderia até levar a uma valorização maior do Bitcoin. Ao mesmo tempo, alguns pesquisadores apontaram para assinaturas pós-quânticas como um caminho potencial a seguir.
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James Godstime is a crypto journalist and market analyst with over three years of experience in crypto, Web3, and finance. He simplifies complex and technical ideas to engage readers. Outside of work, he enjoys football and tennis, which he follows passionately.
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