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Coreia do Norte processa seus próprios veteranos de guerra cibernética por desvio de dinheiro público

10h15 ▪ 5 min de leitura ▪ por Fenelon L.
Cybersécurité
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As autoridades da Coreia do Norte prenderam um grupo de ex-operadores cibernéticos e especialistas em informática, acusados de hackear dois bancos públicos e lavar os recursos via criptomoedas. O mídia sul-coreano Daily NK revelou o caso em 25 de julho, citando uma fonte anônima em Pyongyang. Um caso que abala a narrativa habitual dos ataques cibernéticos norte-coreanos, até agora sistematicamente direcionados para o exterior.

Ilustração em estilo quadrinhos retrô que mostra a prisão de cibercriminosos ligados à lavagem de criptomoedas na Coreia do Norte, tendo como pano de fundo uma investigação internacional e a segurança cibernética.

Em resumo

  • Um grupo de ex-agentes cibernéticos norte-coreanos foi preso pelo ataque ao banco central e ao Foreign Trade Bank, segundo o Daily NK
  • Os fundos estatais roubados foram convertidos em criptomoedas e depois lavados via intermediários baseados na China
  • Trata-se de um caso raríssimo onde operadores estatais norte-coreanos são acusados de atacar seu próprio governo

A Coreia do Norte bate dentro de seus próprios muros

Segundo o mídia especializado Daily NK, baseado em Seul, os suspeitos infiltraram as redes internas do banco central norte-coreano e da Foreign Trade Bank, duas instituições estratégicas do regime. Eles então converteram os fundos em ativos digitais e os reciclaram via intermediários situados na China.

Cointelegraph não pôde verificar o relatório de forma independente. Daily NK se baseia em uma rede de fontes dentro do país, um exercício notoriamente difícil devido ao controle absoluto que Pyongyang exerce sobre a informação. 

O caso permanece crível diante dos antecedentes: em junho de 2026, Consensys, a empresa por trás da carteira MetaMask, descobriu que um desenvolvedor ligado à Coreia do Norte havia infiltrado suas equipes.

O modo operatório descrito retoma esquemas conhecidos pelas forças internacionais de ordem. Invasão interna, conversão em criptomoedas, lavagem via corretores chineses. A diferença, desta vez, está no alvo: não uma plataforma de intercâmbio estrangeira nem um protocolo DeFi, mas os próprios cofres do Estado norte-coreano.

Um histórico de cyberataques que pesa bilhões

Pyongyang permanece há mais de uma década como o principal suspeito dos maiores assaltos digitais do planeta. 

O grupo Lazarus, unidade de elite da inteligência norte-coreana, saqueou especialmente 620 milhões de dólares no bridge Ronin Network em 2022, antes de conseguir o assalto histórico de 1,5 bilhão de dólares na plataforma Bybit em fevereiro de 2025.

O Departamento do Tesouro americano avalia o rendimento anual das operações cibernéticas para o regime entre 1 e 2 bilhões de dólares. Um recurso que financia o programa balístico e permite contornar as sanções internacionais. Em 2026, a empresa de análise Chainalysis atribuía até 76% dos roubos de criptomoedas registrados no mundo a atores ligados à Coreia do Norte, segundo um relatório divulgado pelo Cointelegraph.

A novidade do caso Daily NK não reside no método, mas no alvo. Até aqui, os operadores norte-coreanos miravam as infraestruturas estrangeiras. Desta vez, a fronteira entre agressor e vítima parece ter se confundido dentro do próprio regime.

Quando o caçador torna-se patrulheiro

Se o relatório do Daily NK se confirmar, este caso marca um precedente perturbador. Agentes treinados pelo Estado, versados nas técnicas de invasão mais avançadas, teriam virado suas competências contra seu próprio mandatário. Um cenário que levanta a questão da lealdade dessas unidades, frequentemente expostas a uma pressão extrema.

A lavagem via corretores chineses destaca outra realidade: a China ainda funciona como um hub para a reciclagem das criptomoedas roubadas, apesar dos apelos repetidos do GAFI. Plataformas de trading OTC e redes de laranjas continuam prosperando lá.

Resta saber se Pyongyang tornará pública essa onda de prisões. A transparência nunca fez parte do catálogo do regime de Kim Jong-un, mas o vazamento via Daily NK indica que a história já ultrapassou as fronteiras.

Em suma, esse caso expõe uma Coreia do Norte presa em sua própria máquina cibercriminosa. De um lado, um regime que instrumentaliza o hacking como alavanca de sobrevivência econômica. Do outro, agentes descontrolados, capazes de virar seu arsenal contra o Estado que os formou. Um paradoxo revelador, enquanto Pyongyang já rejeita as acusações que a imputam 76% dos roubos de criptomoedas globais em 2026.

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Fenelon L.

Passionné par le Bitcoin, j'aime explorer les méandres de la blockchain et des cryptos et je partage mes découvertes avec la communauté. Mon rêve est de vivre dans un monde où la vie privée et la liberté financière sont garanties pour tous, et je crois fermement que Bitcoin est l'outil qui peut rendre cela possible.

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