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Cripto : Malta quer impor regras para as DAO na era MiCA

16h15 ▪ 4 min de leitura ▪ por Lydie M.
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Malta quer regulamentar as DAO e alguns protocolos de finanças descentralizadas na era MiCA. O regulador busca sobretudo distinguir os verdadeiros projetos cripto descentralizados das organizações que mantêm um controle humano por trás de seus smart contracts.

Uma reguladora maltesa bloqueia uma rede cripto descentralizada presa em uma estrutura jurídica europeia.

Em resumo

  • Malta quer criar um status jurídico para as DAO e alguns projetos cripto.
  • Malta quer criar um status jurídico para as DAO e alguns projetos cripto.
  • A consulta pública continua aberta até 10 de julho de 2026.

Cripto : Malta quer identificar os responsáveis pelas DAO

A Malta Financial Services Authority propõe criar uma categoria jurídica para as “organizações baseadas em software”. Ela poderia cobrir as DAO, alguns protocolos DeFi e outras estruturas cripto cujo funcionamento depende amplamente de smart contracts.

Essa iniciativa busca resolver uma questão central na indústria: quem é responsável quando um protocolo sofre uma falha, bloqueia fundos ou toma uma decisão contestada? O assunto está ligado ao debate sobre o status das DAO, ainda pouco claro em muitas jurisdições.

Malta quer separar a organização de seu software. De um lado estão os membros, desenvolvedores e detentores de tokens de governança. Do outro, o protocolo executado na blockchain. Essa distinção poderia ajudar o regulador a saber quem realmente controla uma infraestrutura cripto.

O regulamento MiCA regula os emissores de criptoativos e os provedores de serviços na União Europeia. Mas os serviços prestados de maneira totalmente descentralizada podem ficar fora de seu escopo.

Essa exceção cria uma zona cinzenta. Muitos projetos cripto se apresentam como autônomos enquanto uma equipe ainda pode modificar o código, suspender algumas funções ou controlar a interface usada pela maioria dos usuários.

O regulador maltês quer então examinar os fatos em vez dos slogans. O uso de blockchain não basta para provar descentralização. Um protocolo pode organizar votações comunitárias deixando alguns fundadores com o verdadeiro poder. Essa dificuldade já alimenta discussões sobre uma futura regulamentação DeFi.

Os projetos cripto serão avaliados pelo seu controle real

A MFSA poderia analisar a distribuição dos tokens de governança, o papel dos desenvolvedores e os poderes concedidos a algumas carteiras. Esses elementos permitem avaliar se uma DAO funciona realmente sem um centro decisório dominante.

Uma organização cripto pode parecer aberta enquanto permanece controlada por um pequeno grupo. Quando alguns endereços possuem a maioria dos direitos de voto, os demais membros frequentemente têm influência limitada. A governança torna-se então descentralizada apenas na aparência.

As chaves administrativas são outro sinal importante. Se uma equipe pode modificar um smart contract, interromper transações ou recuperar fundos, ela possui uma autoridade técnica identificável. Nesse caso, as autoridades podem considerar que o projeto deve cumprir obrigações próximas das impostas às organizações tradicionais.

Um reconhecimento jurídico pode trazer várias vantagens para as DAO. Elas poderiam assinar contratos, empregar colaboradores, administrar contas e clarificar a responsabilidade de seus membros. Isso também facilitaria as relações com bancos e investidores institucionais.

Existe, porém, o risco de criar um marco regulatório muito pesado. Se cada participante de uma DAO puder ser responsabilizado pelas decisões coletivas, alguns projetos cripto poderão deixar Malta ou evitar completamente a União Europeia.

O regulador deve então encontrar um equilíbrio. Ele deve proteger os usuários sem eliminar as vantagens da governança onchain. Uma supervisão muito fraca deixaria os investidores expostos. Uma regulamentação excessiva poderia deslocar a inovação para jurisdições menos rigorosas.

A consulta pública continua aberta até 10 de julho de 2026. Seu resultado será observado muito além de Malta. Já enfrentando críticas sobre a aplicação do marco MiCA, o país quer agora ser um laboratório europeu da regulação cripto. O verdadeiro desafio será determinar onde termina o código e onde começa a responsabilidade humana.

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Lydie M.

Enseignante et ingénieure IT, Lydie découvre le Bitcoin en 2022 et plonge dans l’univers des cryptomonnaies. Elle vulgarise des sujets complexes, décrypte les enjeux du Web3 et défend une vision d’un futur numérique ouvert, inclusif et décentralisé.

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