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Rússia amplia proibição de mineração crypto para Moscou e Kursk

19h15 ▪ 6 min de leitura ▪ por Mikaia A.
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A Rússia, paraíso teórico de energia para os mineradores de Bitcoin, acabou de desmentir sua própria reputação. Enquanto os analistas elogiavam a eficiência da mineração cripto na terra natal de Putin, a administração atual toma o caminho inverso. Assim como a China em seu tempo, o país parece querer banir essa prática de seus territórios mais estratégicos.

Um dirigente russo levanta a mão em frente a Moscou, enquanto um símbolo proibido cobre máquinas de mineração e um bitcoin.

Em resumo

  • A Rússia proíbe a mineração cripto em Moscou, sua região e Kursk de 15 de agosto de 2026 a 31 de dezembro de 2032.
  • O consumo de energia da mineração na região de Moscou ultrapassou 1 GW, colocando pressão na rede.
  • Os 65 centros de dados da região exibem uma capacidade de 734 MW, dos quais 233 MW estão na região de Moscou.
  • O fundador da BitRiver, Igor Runets, foi colocado em detenção provisória por fraude em um caso envolvendo a En+.

Moscou desliga a energia dos mineradores cripto até 2032

Se os EUA não são pró-CBDC, a Rússia planeja lançar sua própria moeda digital de banco central já em setembro. Não há mais como voltar atrás, de fato. Mas há outra coisa: o decreto nº 936 de 25 de julho de 2026 que assinou a sentença de morte da mineração na capital russa. Assinado pelo Primeiro Ministro Mikhail Mishustin, esse texto estende a proibição para Moscou, sua região e vários distritos de Kursk.

A vigência começa em 15 de agosto de 2026, com duração até 31 de dezembro de 2032. 

As restrições são introduzidas até o final de 2032 para estabilizar o sistema energético e prevenir uma escassez de capacidade nas regiões afetadas.

Fonte: Decreto nº 936 de 25 de julho de 2026 

Essa decisão marca um ponto decisivo. Após visar regiões remotas como Buriátia ou o Cáucaso, o Kremlin ataca agora o coração econômico do país. A duração da proibição, particularmente longa, ultrapassa muito o ciclo de vida dos equipamentos de mineração.

Os operadores sabem agora que investir em Moscou é uma aposta perdida desde o início.

Um gigawatt de consumo: a conta de luz que derrubou o Kremlin

O consumo elétrico das operações de mineração na região de Moscou ultrapassou um gigawatt, uma carga que a rede tem dificuldade para suportar. O Ministério de Energia da região de Moscou estima que a área possua 65 centros de dados conectados à rede, para uma capacidade total de 734 megawatts.

Entre eles, 19 estão na região de Moscou, representando 233 MW de capacidade. O ministério já havia pedido essa proibição em abril de 2026, alertando sobre uma demanda crescente de energia e benefícios econômicos considerados insuficientes.

A Rússia junta-se assim a uma lista crescente de países enfrentando o dilema energético da mineração. Os Estados Unidos, Cazaquistão e Islândia também enfrentam essa pressão. 

A estratégia russa é clara: proibir a mineração onde a eletricidade é escassa, autorizando-a em outros lugares. Uma abordagem regional que pode se espalhar.

Mineradores cripto na estrada: realocar ou quebrar?

Os operadores de mineração dispõem de algumas semanas para se adaptarem à proibição. A realocação dos equipamentos será cara: transporte, ventilação, novos contratos de energia. 

Os grandes operadores podem se voltar para a Sibéria ou outras regiões com preços baixos de eletricidade. Já os menores podem não sobreviver a essa mudança.

A participação em pools de mineração também é proibida, afetando até os mineradores fora das áreas restritas. O governo pode ver essa realocação como uma oportunidade para reorganizar a indústria, mas o risco de fuga de capital e competências é real. 

Alguns operadores podem deixar a Rússia para o Cazaquistão ou Bielorrússia.

Números marcantes da virada cripto russa

  • Preço do BTC no momento da redação: 64.261 dólares
  • Proibição em Moscou: 15 de agosto de 2026 – 31 de dez. de 2032
  • Data centers (Moscou + região): 65 (734 MW)
  • Consumo de mineração em Moscou: > 1 GW

BitRiver, En+ e a grande faxina da mineração na Rússia

Em 30 de julho de 2026, o fundador da BitRiver, Igor Runets, foi transferido de prisão domiciliar para detenção provisória. Ele é acusado de fraude em grande escala no contexto de um contrato com o conglomerado En+. O prejuízo é estimado em 1 bilhão de rublos, cerca de 12,5 milhões de dólares.

Os investigadores afirmam que Runets causou esses danos ao não entregar um contrato de equipamento de 8 milhões de dólares. A empresa-mãe da BitRiver, Fox Group, já está sob observação por uma dívida de 9,2 milhões de dólares com a En+.

Esse caso se soma a acusações de fraude fiscal. A coordenação entre as autoridades judiciais e o setor energético é notável.

A Rússia fecha as portas de Moscou para os mineradores de cripto, enquanto abre uma frente judicial contra seus gigantes. Ainda assim, Moscou permanece um grande detentor de Bitcoin, assim como a China. Mas os ataques preventivos, como o ataque ao Telegram, mostram que o Kremlin não hesita em agir com força.

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Mikaia A.

La révolution blockchain et crypto est en marche ! Et le jour où les impacts se feront ressentir sur l’économie la plus vulnérable de ce Monde, contre toute espérance, je dirai que j’y étais pour quelque chose

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