Diante da dolarização das economias emergentes, as stablecoins ganham espaço
O relatório econômico anual do Banco de Compensações Internacionais (BRI) alerta sobre as possíveis transformações no panorama monetário global. Publicado em Basileia, o documento examina o papel dos stablecoins e seus limites nos sistemas financeiros atuais. A instituição destaca o risco de dolarização em algumas economias emergentes quando os usuários privilegiam ativos digitais vinculados ao dólar americano. Esta análise apresenta os desafios relacionados aos tokens indexados e às possíveis evoluções da moeda digital privada. O BRI considera que essas inovações requerem um marco regulatório adequado para evoluir.

Em resumo
- O BRI considera que os Stablecoins ainda não cumprem todas as funções de uma moeda verdadeira e apresentam várias limitações estruturais.
- O relatório alerta sobre uma possível dolarização das economias emergentes quando as famílias usam Stablecoins vinculados ao dólar como reserva de valor.
- O BRI destaca que mais de 99% dos Stablecoins permanecem indexados ao dólar americano, dominados principalmente pelo USDT e o USDC.
- A instituição acredita que uma adoção massiva dos Stablecoins poderia alterar os equilíbrios financeiros aumentando os custos de financiamento bancários.
- O BRI propõe uma alternativa baseada na tokenização regulada e um registro unificado ligando moedas digitais públicas e privadas.
O BRI questiona o lugar dos stablecoins no sistema monetário
O Banco de Compensações Internacionais (BRI), em seu relatório econômico anual de 2026, publicado no domingo durante sua assembleia geral anual em Basileia, Suíça, afirma que os stablecoins atuais não cumprem todas as funções esperadas de uma moeda completa. A instituição analisa vários critérios essenciais, como unicidade, elasticidade, interoperabilidade e integridade. Segundo suas conclusões, os modelos existentes ainda apresentam limitações importantes nesses diferentes aspectos. Esta avaliação coloca os tokens indexados no centro dos debates sobre o futuro dos pagamentos digitais.
O BRI também explica que os stablecoins podem se afastar de sua referência nos mercados secundários. Além disso, seus mecanismos de troca permanecem complexos para uso diário. O relatório compara seu funcionamento ao de cotas de fundos negociados em bolsa, em vez de uma moeda verdadeira. Esta análise está alinhada às declarações do diretor-geral do BRI sobre a natureza financeira desses ativos.
O mercado, no entanto, mantém um tamanho limitado frente ao sistema bancário tradicional. O BRI estima que o valor total dos stablecoins era de cerca de 320 bilhões de dólares no final de maio. Mais de 99% desses ativos permanecem vinculados ao dólar americano, com domínio do USDT da Tether e do USDC da Circle.
A dolarização digital preocupa o BRI nas economias emergentes
O relatório destaca um fenômeno chamado dolarização dos stablecoins, em que algumas famílias usam tokens indexados ao dólar como reserva de valor. Esta prática pode modificar os fluxos de capitais e reduzir a influência das moedas nacionais. O BRI considera que essa evolução representa um desafio para a soberania monetária de várias economias emergentes.
Os autores também estudaram as consequências econômicas de uma adoção massiva dos stablecoins de acordo com as reservas detidas por seus emissores. Seu modelo indica que uma expansão significativa poderia impactar levemente a produção a médio prazo. O aumento dos custos de financiamento bancário e a diminuição do crédito compensariam os benefícios relacionados à demanda por dívida pública.
Mesmo com uma capitalização muito alta, o relatório observa que o impacto negativo permaneceria limitado nos cenários estudados. O BRI lembra também que esses ativos representam uma parte importante das atividades ilícitas em algumas blockchains. Os controles relacionados às transações continuam mais difíceis quando os usuários possuem carteiras autônomas.
Rumo a uma nova arquitetura monetária após os limites dos tokens digitais?
Diante das dificuldades identificadas, o BRI propõe uma abordagem diferente, baseada em regras internacionais coerentes. O objetivo é integrar a tokenização no sistema existente dos bancos centrais e bancos comerciais. Essa orientação visa preservar a estabilidade monetária enquanto apoia as inovações digitais.
O banco apresenta especialmente a ideia de um registro unificado que reúna várias formas de moeda tokenizada. Esse modelo integraria as reservas de banco central, a moeda bancária comercial e outros ativos privados regulamentados. A moeda do banco central continuaria a ser o ponto de referência nessa arquitetura.
Além disso, mencionou também o projeto Ágora como uma experimentação destinada a testar essa abordagem. Este protótipo de pagamento transfronteiriço reúne vários bancos centrais e instituições privadas. Segundo o relatório, essa iniciativa ilustra uma possível evolução das infraestruturas financeiras mundiais.
A curto prazo, os stablecoins continuarão, portanto, a alimentar as discussões sobre a transformação da moeda digital e a evolução da indústria cripto. O avanço do uso deles pode reforçar os debates sobre a dolarização e as regras necessárias para enquadrar esses novos instrumentos.
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Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.
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