EUA ampliam sanções e miram duas exchanges cripto por supostos vínculos com o Irã
Washington sancionou Shelbit e Aban Tether em 7 de agosto de 2026, acusando as duas plataformas cripto de apoiar circuitos financeiros ligados ao Irã. Por trás desses nomes pouco conhecidos desenha-se uma rede de empresas, apostas online e carteiras associadas aos Guardiões da Revolução.

Em resumo
- A OFAC incluiu Shelbit, Aban Tether e várias pessoas e empresas relacionadas em suas listas de sanções em 7 de agosto de 2026.
- O Tesouro americano descreve três categorias de transferências em cripto acima de 1 milhão, 2 milhões e 2 milhões de dólares envolvendo Shelbit, o IRGC e Nobitex.
- Os ativos sob jurisdição americana foram bloqueados, enquanto os envolvidos que continuam certas transações estão sujeitos a sanções.
Shelbit e Aban Tether entram no alvo da OFAC
Shelbit já estava sob os holofotes antes da decisão americana. Cointribune havia recentemente documentado o caso Shelbit e suas transferências para a Binance, em meio a suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de sanções. Em 7 de agosto, Washington avançou ao incluir diretamente a plataforma e seu suposto operador em seu dispositivo de sanções.
Em seu comunicado publicado em 7 de agosto de 2026, o Office of Foreign Assets Control (OFAC), ramo do Tesouro americano responsável pela aplicação de sanções econômicas, mira duas plataformas: Shelbit e Aban Tether. A agência também mira Siavash Kayvanpour, apresentado como o homem à frente de uma rede de empresas com presença na Geórgia, nos Emirados Árabes Unidos e na Polônia.
O primeiro balanço divulgado pelo Cointelegraph menciona mais de 5 milhões de dólares em transferências detalhadas pela administração. O comunicado oficial distingue, porém, diversos movimentos: mais de 1 milhão de dólares teriam circulado de carteiras controladas pelo Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) para a Shelbit, mais de 2 milhões da Shelbit para o IRGC, e mais de 2 milhões de endereços ligados a Kayvanpour para a Nobitex.
Essa divisão não permite afirmar que todos esses valores representam capitais totalmente distintos.
Aban Tether segue outra dinâmica. Segundo a OFAC, essa plataforma iraniana processou milhões de dólares em transações com Nobitex, Wallex, Bitpin e Ramzinex, quatro exchanges iranianos já designados por Washington. A agência sanciona Aban Tether por sua atividade no setor financeiro iraniano.
Uma rede de empresas e apostas por trás dos fluxos cripto
O caso vai além das duas plataformas listadas. O Tesouro descreve a Shelbit como ponto de passagem de uma vasta rede de sites de apostas em persa, administrada por dois influenciadores iranianos condenados em 2023 por jogo ilegal. Dezenas de milhões de dólares desse conjunto teriam transitado pela Shelbit, enquanto esses sites mantinham acesso ao sistema de pagamento iraniano.
Washington também vincula várias empresas a Kayvanpour: SHPS Shelbit na Geórgia, Shelbit General Trading nos Emirados Árabes Unidos, Shelbit Technologies na Polônia, assim como Crypto Home DMCC e NFT Home DMCC em Dubai. O regulador dos Emirados VARA havia tomado medidas contra a Shelbit General Trading em janeiro de 2025 e julho de 2026. Apesar dessas ações, a atividade teria continuado.
Essa ofensiva integra uma sequência mais ampla. Em maio, Scott Bessent afirmou que os Estados Unidos recuperaram um bilhão de dólares em criptos ligadas ao Irã, sem detalhar todas as operações envolvidas. A nova decisão não é, portanto, um golpe isolado: amplia a pressão americana sobre prestadores que conectam carteiras, plataformas locais e redes comerciais.
Continuaremos aumentando a pressão econômica. Seja em dólares, riais ou cripto, o Tesouro vai perseguir e desmontar redes financeiras ilícitas que mantêm o regime à tona.
Scott Bessent, secretário americano do Tesouro
O Departamento de Estado também oferece até 15 milhões de dólares por qualquer informação que permita desestabilizar os mecanismos financeiros do IRGC e suas diversas ramificações. Esse valor mostra a prioridade dada ao monitoramento desses circuitos.
O que as sanções mudam para os atores cripto
A inclusão nas listas da OFAC produz efeitos imediatos. Bens e interesses localizados nos Estados Unidos, ou controlados por pessoas americanas, devem ser bloqueados e reportados. A regra se estende a entidades detidas em 50% ou mais, direta ou indiretamente, por uma ou várias pessoas sancionadas.
As restrições não se limitam às fronteiras americanas. Instituições financeiras e empresas estrangeiras podem estar sujeitas a sanções caso realizem certas operações com as pessoas designadas. A OFAC também pode impor sanções civis com base na responsabilidade objetiva, sem precisar demonstrar intenção de burlar as regras.
Este é o ponto delicado para as exchanges. Transferências em blockchain pública deixam rastros, mas a identificação dos beneficiários reais ainda depende de controles internos, dados dos clientes e cooperação entre autoridades. Uma plataforma que mantém relações com um endereço ou empresa sancionada pode ter seu acesso a parceiros bancários e ao mercado americano fortemente comprometido.
Em síntese, Washington aperta o cerco sobre a infraestrutura que permite a circulação dos fundos, não apenas sobre seus detentores finais. A designação da Shelbit, a mira na Aban Tether e a ameaça de sanções secundárias forçam intermediários a rever seus controles. O risco de sanções para empresas marítimas já havia mostrado até onde essa exposição pode chegar. Agora, as plataformas cripto estão avisadas.
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