Scott Bessent afirma que os EUA recuperaram 1 bilhão de dólares em criptos ligadas ao Irã
O Tesouro dos EUA confirmou na sexta-feira a apreensão de cerca de um bilhão de dólares em criptos ligadas a entidades iranianas, alguns detentores ainda ignorando hoje que suas carteiras estão vazias. O anúncio de Scott Bessent ocorre em um contexto particular: os dois países estariam próximos de um acordo de paz capaz de aliviar as tensões em torno do estreito de Ormuz.

Em resumo
- Scott Bessent declarou na sexta-feira que os Estados Unidos apreenderam cerca de 1 bilhão de dólares em criptos ligadas a entidades militares iranianas.
- O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica teria promovido uma plataforma de seguro marítimo paga em bitcoin, chamada Hormuz Safe.
- Indivíduos ligados ao Irã usaram o USDT da Tether para transferir fundos, segundo as autoridades israelenses.
O Tesouro dos EUA recupera 1 bilhão de dólares em criptos ligadas ao Irã
Scott Bessent escolheu o Fórum Econômico Nacional Reagan 2026, em Simi Valley, Califórnia, para divulgar essa informação. Diante de Larry Kudlow da Fox Business, ele detalhou o método:
Simplesmente tomamos posse das carteiras deles. Alguns talvez estejam digitando neste exato momento, sem perceber que sua carteira foi hackeada.
No entanto, o secretário do Tesouro não especificou as datas exatas das operações, nem as criptos envolvidas. Ele também não fez ligação com o sistema Hormuz Safe, essa plataforma de seguro marítimo em bitcoin que a agência Fars, próxima ao governo iraniano, apresentou este mês como uma solução para contornar as sanções ocidentais.
Para entender o contexto, deve-se lembrar que o estreito de Ormuz permanece no centro das tensões: quase 20% do petróleo mundial passa por ali, e o Irã controla alavancas de pressão consideráveis desde o início do conflito em fevereiro.
Irã e bitcoin, entre contorno e fraude
A estratégia iraniana em torno do bitcoin não é de hoje. Em abril, o Financial Times já relatava que Teerã planejava impor direitos de trânsito em bitcoin às petroleiras que cruzassem o estreito, com o argumento explícito de que esses pagamentos “não podem ser rastreados nem confiscados devido às sanções”.
Esse argumento já não vale mais. Paralelamente, golpistas se passando por autoridades iranianas visaram companhias de transporte marítimo, exigindo pagamentos fraudulentos em bitcoin e USDT, segundo a Reuters.
Além disso, no ano passado, o Escritório Nacional de Combate ao Financiamento do Terrorismo de Israel afirmou que o Corpo da Guarda Revolucionária recebeu 1,5 bilhão de dólares em USDT via transferências identificadas pelas autoridades.
Em resumo, essas apreensões refletem uma realidade que Washington parece querer impor: o blockchain não oferece o anonimato que Teerã esperava. As negociações em curso, sinalizadas pela Axios como próximas de um acordo sujeito à aprovação de Donald Trump, podem mudar o cenário diplomático. No entanto, as sanções cripto contra o Irã não parecem prestes a afrouxar. Um bilhão de dólares apreendidos sem declaração de guerra, é uma mensagem clara.
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