Lula descarta moeda BRICS e aposta em moedas locais
A moeda dos BRICS não existe, pelo menos ainda não. Enquanto Lula põe fim às especulações sobre uma moeda comum, uma transformação muito mais profunda ocorre em silêncio. Por trás dessa negação, as grandes economias emergentes aceleram a reformulação das trocas internacionais, contornando gradualmente o dólar. Entre discurso político e realidades financeiras, uma nova arquitetura monetária mundial já começa a tomar forma.

Em resumo
- Lula põe fim às especulações afirmando que nenhuma moeda comum dos BRICS está atualmente em consideração.
- O presidente brasileiro defende uma abordagem pragmática visando diversificar as trocas sem romper bruscamente com o dólar.
- Apesar dessa negação, vários países do bloco já aceleram o uso de moedas locais em suas trocas comerciais.
- Acordos importantes, especialmente entre Rússia, China e Brasil, ilustram essa transição para um sistema menos dependente do dólar.
Lula rejeita a ideia de uma moeda dos BRICS
Luiz Inácio Lula da Silva quis pôr fim às especulações em torno de uma moeda comum do bloco. Em uma entrevista concedida à India Today TV, ele afirma sem ambiguidades: “não existe nenhum projeto de criação de uma moeda dos BRICS. Nenhuma discussão está em curso dentro do bloco sobre a possibilidade de uma nova moeda”. O chefe de Estado brasileiro insiste que há um mal-entendido no debate.
Aqui estão os principais pontos a reter dessa posição :
- A ausência total de projeto de moeda comum dentro dos BRICS ;
- A recusa de uma leitura “anti-dólar” das iniciativas do bloco ;
- A vontade de propor mais opções nas trocas bilaterais ;
- Uma posição assumida publicamente durante uma entrevista e confirmada na cúpula do Rio.
Durante a cúpula dos BRICS em 2025, Lula especifica a direção prevista: “o mundo deve encontrar uma forma para que nossas relações comerciais não passem mais sistematicamente pelo dólar”. Ele menciona uma transição progressiva, conduzida pelos bancos centrais, sem contestar brutalmente o sistema existente. O uso das moedas locais aparece assim como uma alavanca de ajuste, em vez de uma mudança radical.
Infraestruturas financeiras que já contornam o dólar
Paralelamente a este discurso oficial, diversos mecanismos concretos testemunham uma transformação em curso. As trocas entre a Rússia e a China ilustram essa evolução. Segundo o ministro russo das Finanças Anton Siluanov, 99,1 % dos pagamentos comerciais entre os dois países agora são feitos em rublos e yuans. Por sua vez, a China e o Brasil implementaram um sistema semelhante desde 2023, cobrindo um volume de trocas estimado em cerca de 100 bilhões de dólares por ano.
Essa estratégia dos BRICS também se apoia em ferramentas mais estruturadas. A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, ressalta que “as operações em moedas locais continuarão a ser prioridade absoluta para construir um sistema financeiro internacional mais diversificado e equilibrado”. Paralelamente, o projeto “BRICS Unit” toma forma. Trata-se de um instrumento de liquidação baseado em blockchain, lastreado em 40% em ouro e 60% em uma cesta de moedas do bloco. Concebido como uma ferramenta de compensação interbancária, tem como objetivo contornar a rede SWIFT e limitar a exposição a sanções.
Essa evolução permanece sujeita a importantes restrições. Vários responsáveis indianos destacam o papel estabilizador do dólar na economia mundial, enquanto persistem limites estruturais, especialmente em termos de liquidez e conversibilidade. A dinâmica iniciada pelos BRICS se insere em uma transformação progressiva. A participação do dólar nas reservas mundiais, que passou de cerca de 70 % para 59 % em duas décadas, ilustra essa tendência. O bloco avança assim por ajustes sucessivos, sem ruptura imediata com a ordem monetária existente.
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Diplômé de Sciences Po Toulouse et titulaire d'une certification consultant blockchain délivrée par Alyra, j'ai rejoint l'aventure Cointribune en 2019. Convaincu du potentiel de la blockchain pour transformer de nombreux secteurs de l'économie, j'ai pris l'engagement de sensibiliser et d'informer le grand public sur cet écosystème en constante évolution. Mon objectif est de permettre à chacun de mieux comprendre la blockchain et de saisir les opportunités qu'elle offre. Je m'efforce chaque jour de fournir une analyse objective de l'actualité, de décrypter les tendances du marché, de relayer les dernières innovations technologiques et de mettre en perspective les enjeux économiques et sociétaux de cette révolution en marche.
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