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Mais de 80 nações apostam em moedas locais

19h15 ▪ 5 min de leitura ▪ por Luc Jose A.
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Mais de 80 países agora buscam reduzir sua dependência do dólar americano, um movimento que ganha uma dimensão inédita com o impulso dos BRICS. Entre acordos comerciais em yuan, rúpia ou rublo e a multiplicação de acordos monetários bilaterais, várias grandes economias aceleram sua transição para alternativas ao dólar verde. À medida que o bloco ampliado dos BRICS ganha influência no comércio mundial, essa dinâmica redesenha gradualmente os equilíbrios financeiros internacionais e alimenta questionamentos sobre o futuro da dominação do dólar.

Um grupo de diplomatas dos BRICS representando diferentes regiões do mundo. Eles convergem em direção a uma esfera gigante que simboliza uma nova arquitetura monetária fora do controle do dólar americano.

Em resumo

  • Mais de 80 países reduzem progressivamente sua dependência do dólar nas trocas comerciais.
  • Os BRICS fortalecem seu peso econômico global e aceleram o uso das moedas nacionais.
  • China e Rússia agora efetuam a maior parte de suas trocas em yuan e rublo.
  • Essa dinâmica pode contribuir para o surgimento de um sistema financeiro internacional mais multipolar.

Mais de 80 países aderem à dinâmica da desdolarização

O movimento de desdolarização alcança uma nova etapa. Assim, mais de 80 países agora participam de iniciativas que visam reduzir sua dependência do dólar americano nas trocas internacionais. Essa dinâmica está amplamente associada à crescente influência dos BRICS, cuja composição se ampliou com a entrada de novos membros como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Egito, o Irã e a Etiópia.

Essa evolução faz parte de uma estratégia global que busca incentivar o uso das moedas nacionais nas trocas comerciais. O yuan chinês, a rúpia indiana e o rublo russo surgem progressivamente como alternativas ao dólar verde em diversos acordos bilaterais. Para os países envolvidos, o objetivo é reduzir sua exposição aos mecanismos financeiros dominados pelos Estados Unidos enquanto fortalecem sua autonomia na liquidação de suas transações internacionais.

Os números apresentados permitem medir a dimensão dessa transformação :

  • Mais de 80 países participam de iniciativas de desdolarização;
  • Os BRICS representam agora 20,4 % do comércio mundial ;
  • O bloco corresponde a aproximadamente 36,8 % do PIB mundial em paridade de poder de compra ;
  • O yuan, a rúpia e o rublo estão entre as principais moedas usadas nesses novos mecanismos de liquidação.

Esses indicadores demonstram o crescente peso econômico do grupo e explicam por que as iniciativas de desdolarização atraem cada vez mais atenção nos mercados internacionais.

As moedas locais ganham terreno no comércio e na energia

A evolução mais importante diz respeito à cooperação econômica entre China e Rússia, dois membros influentes da aliança dos BRICS. Segundo Yuri Ushakov, assessor diplomático do Kremlin, “praticamente todos os pagamentos relacionados a 240 bilhões de dólares em trocas comerciais entre os dois países agora são efetuados em yuan e rublo, o que os protege das sanções ocidentais”. Essa declaração revela uma mudança já amplamente operacional: as trocas comerciais entre as duas potências, avaliadas em cerca de 240 bilhões de dólares, são agora quase totalmente liquidadas em moedas locais.

Além disso, essa transformação vem acompanhada de uma intensificação das trocas energéticas. A Rússia exportou mais de 31 milhões de toneladas de petróleo para a China no primeiro trimestre do ano, um aumento superior a um terço. Ao mesmo tempo, Pequim continua sua estratégia internacional multiplicando acordos de swaps cambiais. A China teria assinado esse tipo de acordo com mais de 50 países, entre eles a Rússia, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Por sua vez, a Índia também desenvolve seus próprios mecanismos de liquidação em rúpias com mais de 20 países parceiros.

As possíveis consequências dessa evolução são múltiplas. O dólar permanece hoje a principal moeda de reserva mundial e mantém uma posição dominante nos mercados financeiros internacionais.

No entanto, a multiplicação dos acordos comerciais em moedas locais mostra que várias economias buscam diversificar seus instrumentos de pagamento e reduzir sua dependência de uma única moeda. O interesse demonstrado pela Arábia Saudita em uma possível cobrança parcial de suas exportações de petróleo em yuan é um sinal particularmente observado pelos mercados. Se essa tendência continuar, poderá contribuir para fortalecer um sistema monetário internacional mais multipolar, no qual várias moedas coexistam nas trocas comerciais globais.

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Luc Jose A.

Diplômé de Sciences Po Toulouse et titulaire d'une certification consultant blockchain délivrée par Alyra, j'ai rejoint l'aventure Cointribune en 2019. Convaincu du potentiel de la blockchain pour transformer de nombreux secteurs de l'économie, j'ai pris l'engagement de sensibiliser et d'informer le grand public sur cet écosystème en constante évolution. Mon objectif est de permettre à chacun de mieux comprendre la blockchain et de saisir les opportunités qu'elle offre. Je m'efforce chaque jour de fournir une analyse objective de l'actualité, de décrypter les tendances du marché, de relayer les dernières innovations technologiques et de mettre en perspective les enjeux économiques et sociétaux de cette révolution en marche.

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