Metaplanet lança BitBonds e nega ter vendido qualquer Bitcoin
O Japão e a indústria cripto ofereceram um espetáculo delirante esta semana. O que parecia ser um simples anúncio de inovação por parte da Metaplanet não foi, dado as condições em que ocorreu. Primeiro, houve a apresentação de um programa de títulos chamado “BitBonds”. Uma operação quase inédita, se não rasparmos a superfície para descobrir o que está por trás da cortina: 1,4 bilhão em perdas latentes, títulos não garantidos e um movimento de bitcoins pouco tranquilizador. Os bitcoiners ficaram sem fôlego sem a intervenção do CEO.

Em resumo
- A Metaplanet levantou 200 milhões de ienes (1,3 milhão de USD) através de quatro séries de títulos BitBonds a 4,0-4,3 % por três anos.
- O CEO Simon Gerovich negou qualquer venda após a transferência de 5.014 BTC, uma operação rotineira que custou 8 dólares de taxas.
- A empresa detém 43.000 BTC com uma perda latente de 1,4 bilhão de dólares, com preço médio de compra de 96.191 dólares.
- Os BitBonds são não garantidos e expõem os credores à volatilidade do bitcoin, como reconhece o prospecto oficial da Metaplanet.
BitBonds: Metaplanet parte com tudo no mercado de títulos japonês
Metaplanet se gaba de 43.000 BTC em seu cofre, longe da Strategy e seus 840.447 bitcoins. Mas essa quantia já é suficiente, aos olhos de seus dirigentes, para ultrapassar a simples fase de acumulação. Agora, o foco é nos produtos derivados. Não é mais surpreendente ver a Metaplanet lançar um programa contínuo de emissão de títulos chamado “BitBonds”. Mais precisamente, quatro séries de BitBonds entrarão no mercado de crédito, totalizando 200 milhões de ienes, ou 1,3 milhão de dólares americanos.
A distribuição dos BitBonds fica a cargo da subsidiária licenciada Metaplanet Securities. Cupons anuais de 4,0 a 4,3 %, com vencimento em três anos, inundarão o mercado. Ainda precisa-se esclarecer que a Metaplanet tomará empréstimos a taxa fixa para financiar sua estratégia com bitcoin. Uma réplica do modus operandi da Strategy, liderada por Michael Saylor, mas com um toque japonês?
A lógica é fácil de entender: a Metaplanet mira 100.000 BTC até o final de 2026, e 210.000 até o final de 2027. Com rendimento fixo, os investidores japoneses, famintos por retorno em um país onde as taxas voltam a ser positivas, vão devorar esses títulos. Embora a necessidade de fluxo contínuo de financiamento possa se transformar em pressão adicional para os envolvidos.
Desafios técnicos e contradições que não fecham
Considerados um OVNI financeiro, os BitBonds apresentam falhas preocupantes: são títulos não garantidos, não avaliados, não lastreados em bitcoin. Na realidade, é a “credibilidade geral” da empresa, grande detentora de BTC, que está em jogo. Daí surgem questionamentos sobre a própria natureza da dívida.
Nosso mundo busca um valor capaz de influenciar a crença coletiva. Mas a Metaplanet persiste e confirma. Em seu prospecto, a empresa reconhece que sua capacidade de reembolso é materialmente afetada pelos movimentos do preço do bitcoin.
Os Títulos são obrigações seniores não garantidas, sem garantias e não avaliadas. Não possuem proteção do principal. O pagamento do principal e dos juros depende da solvência da Empresa, e a situação financeira e os resultados operacionais da Empresa podem ser materialmente afetados pelos movimentos do preço do Bitcoin, seu principal ativo.
Comunicado oficial da Metaplanet
Em outras palavras, os credores emprestarão a taxa fixa, mas suportarão risco de crédito correlacionado com a volatilidade da rainha das criptomoedas. Uma mecânica complexa para títulos emitidos privadamente via Metaplanet Securities, sem mercado secundário organizado. Para piorar, a liquidez dos BitBonds não tem garantia, e sua revenda antes do vencimento será difícil. O projeto de expansão para ofertas públicas e tokenização, planejado pela Metaplanet, é menos dissuasivo do que parece.
Também é importante mencionar que os primeiros BitBonds diferem muito das promessas anteriores de títulos lastreados em bitcoins ou baseados em stablecoins. A comunidade cripto segue se perguntando sobre a filosofia da Metaplanet.
Venda de bitcoins: o boato, a negativa do CEO e o que de fato aconteceu
O lançamento dos BitBonds não aconteceu sem percalços. Na véspera da apresentação, 12 de agosto, uma notícia alarmou a criptoesfera. Analistas detectaram um movimento maciço de 3.881 BTC, depois 5.014 BTC das carteiras da Metaplanet.
Esse tipo de operação nunca deixa os observadores indiferentes: dela depende a volatilidade do bitcoin e das outras criptos. Não se fizeram perguntas recentemente, quando a MARA Holdings e a Strategy venderam parte de seus ativos digitais? O CEO, Simon Gerovich, teve que agir como bombeiro ao anunciar que “ nenhum bitcoin foi vendido, e nossos ativos continuam sendo 43.000 BTC“.
Ele até aproveitou a oportunidade para publicar todos os endereços da Metaplanet, para apagar o incêndio. A demonstração beneficiou mais a rede Bitcoin: apenas 8 dólares de taxa para mover 322 milhões de dólares. Os bancos tradicionais receberam sua crítica.
Mas uma operação dessas não pode ser tomada levianamente, ao se observar movimentos desse tipo na indústria cripto. A crise de confiança ronda, inevitavelmente. Ainda mais com a Metaplanet apresentando uma perda latente de 1,4 bilhão de dólares em suas aquisições. Seus bitcoins, adquiridos a um preço médio de 96.191 dólares a unidade, derretem sob o sol diante de uma cotação atual do BTC de 63.800 dólares.
BitBonds: genialidade financeira ou tiro no pé estratégico?
Esta notícia coloca a Metaplanet numa encruzilhada. Primeiro, não esqueçamos que esta empresa japonesa possui um cofre bem cheio de bitcoins. É até considerada a terceira maior detentora de BTC em sua categoria. Depois, lembremos que muitos investidores japoneses não vão recusar BitBonds rendendo 4 %, em um mercado onde as taxas voltam a ser positivas. Esses títulos serão disputados como água no deserto, apesar do risco sistêmico — sabendo que um problema de solvência espera a Metaplanet em caso de colapso do bitcoin?
Certo, Gerovich interferiu, mas os analistas não se deixam enganar: perdas latentes superiores a 1 bilhão de dólares, uma ação que perdeu quase 43 % em um ano… A credibilidade da Metaplanet parece mais frágil do que nunca. Em que base a empresa se apoia? Provavelmente num futuro mais favorável para o bitcoin, uma regulação mais flexível e investidores cada vez mais audaciosos.
Em suma, os BitBonds são uma aposta audaciosa da Metaplanet, apesar do caráter imprudente da decisão. Mas a espera pelo despertar do bitcoin está mais longa do que o esperado: até mesmo a desaceleração da inflação americana não trouxe o efeito esperado.
Maximize sua experiência na Cointribune com nosso programa "Read to Earn"! Para cada artigo que você lê, ganhe pontos e acesse recompensas exclusivas. Inscreva-se agora e comece a acumular vantagens.
La révolution blockchain et crypto est en marche ! Et le jour où les impacts se feront ressentir sur l’économie la plus vulnérable de ce Monde, contre toute espérance, je dirai que j’y étais pour quelque chose
As opiniões e declarações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não devem ser consideradas como recomendações de investimento. Faça sua própria pesquisa antes de tomar qualquer decisão de investimento.