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O BCE quer centralizar a supervisão das criptomoedas na Europa

19h15 ▪ 4 min de leitura ▪ por Fenelon L.
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O Banco Central Europeu acaba de dar um passo decisivo no debate sobre a regulação das criptomoedas na Europa. Em um parecer publicado na sexta-feira, ele traz seu apoio explícito a um projeto da Comissão Europeia que pode transformar de forma duradoura a forma como os ativos digitais são monitorados no Velho Continente. 

Um regulador europeu impassível monitora um ativo criptográfico em limbo, sob uma intensa iluminação laranja, em meio a uma tensão palpável e a rigorosos controles tecnológicos, em uma sala escura, dinâmica e futurista

Em resumo

  • O BCE apoia oficialmente a transferência da supervisão das criptomoedas para a ESMA, o guardião europeu dos mercados financeiros.
  • Este projeto representaria a reforma mais importante do quadro regulatório cripto na Europa desde MiCA.
  • Alguns Estados-membros, incluindo Malta, opõem-se firmemente.
  • O BCE aponta um risco sistêmico crescente relacionado à convergência entre bancos e atores cripto.

O BCE apoia um projeto europeu de supervisão das criptos pela ESMA

O Banco Central Europeu apoiou oficialmente, na última sexta-feira em Frankfurt, a proposta da Comissão Europeia.

O objetivo: retirar dos reguladores nacionais a supervisão das grandes empresas cripto para confiá-la à Autoridade Europeia dos Mercados Financeiros (ESMA). Uma mudança de paradigma importante.

Em seu parecer, o BCE mira claramente as plataformas de câmbio e os provedores de serviços em criptoativos (CASP) que operam em escala transfronteiriça. Ele os qualifica como “entidades de importância sistêmica”. Em outras palavras, seu peso e interconectividade justificam, segundo a instituição, uma supervisão centralizada e harmonizada em nível europeu.

O banco central não economiza nas palavras. Ele considera que essa transferência de poderes permitiria “garantir a convergência da supervisão, reduzir a fragmentação e atenuar os riscos transfronteiriços”. Em resumo: acabar com o mosaico regulatório atual, onde cada Estado-membro aplica as regras à sua maneira.

Pois sob o regime MiCA, que entrou em vigor em meados de 2023, as empresas cripto podem obter uma licença em qualquer país da UE para operar em toda a União. O resultado? Um verdadeiro turismo regulatório. Kraken escolheu a Irlanda, Coinbase e Bitstamp optaram por Luxemburgo, Bitpanda estabeleceu-se na Áustria.

Um projeto ambicioso, mas cheio de obstáculos

O parecer do BCE não é juridicamente vinculante, mas envia um forte sinal político. Este projeto representa a reformulação mais ambiciosa do quadro cripto europeu desde o MiCA, e nem todos aplaudem.

Malta, um dos principais polos de licenças MiCA, opõe-se abertamente à medida. A ilha considera o calendário prematuro: algumas disposições do MiCA para os CASP só entraram em vigor em dezembro de 2024. Por que retomar o trabalho tão cedo?

Por trás desse debate institucional está uma preocupação muito concreta. O BCE soa o alarme sobre um fenômeno em rápida expansão. Os bancos tradicionais associam-se cada vez mais às empresas cripto, oferecendo serviços ou propondo diretamente produtos de exposição a ativos digitais aos seus clientes. Uma interligação crescente que, segundo Frankfurt, poderia propagar choques do mercado cripto para todo o sistema financeiro clássico.

É precisamente por essa razão que o BCE defende um regime de supervisão centralizado, capaz de conter os riscos sistêmicos antes que eles migrem para o setor bancário. Ele impõe, contudo, uma condição clara: a ESMA deve dispor de financiamento e pessoal suficientes para assumir esse papel. Uma exigência longe de estar garantida neste estágio.

O texto ainda precisa passar por várias etapas: negociações entre legisladores e governos europeus, depois o processo no Parlamento. Meses de debates estão por vir.

Esta reforma marca uma virada na governança cripto europeia. No momento em que a tributação dos ativos digitais também se aperta, na França, cada alienação tributável deve agora ser rigorosamente declarada, sob pena de multas severas. Das carteiras dos particulares aos balanços das grandes plataformas, o cripto não escapa mais ao olhar dos reguladores. A Europa avança, metódica e sem recuar, para um controle total do setor.

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Fenelon L.

Passionné par le Bitcoin, j'aime explorer les méandres de la blockchain et des cryptos et je partage mes découvertes avec la communauté. Mon rêve est de vivre dans un monde où la vie privée et la liberté financière sont garanties pour tous, et je crois fermement que Bitcoin est l'outil qui peut rendre cela possible.

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