Ouro digital? Bitcoin se comporta cada vez mais como um ativo tecnológico
Durante anos, o bitcoin foi vendido como uma saída de emergência. Um ativo raro, fora dos bancos centrais, suposto brilhar quando o resto treme. Mas em 2026, a trilha sonora muda: ao menor arrepio na tecnologia, o bitcoin também tosse. E isso é mais que um detalhe de mercado. É uma crise de identidade a céu aberto.

Em resumo
- O Bitcoin passa da narrativa “ouro digital” para um ativo de crescimento, seguindo cada vez mais as ações de tecnologia.
- Enquanto o ETH atrai estratégias agressivas de tesouraria, BlackRock impulsiona a tokenização no coração da DeFi via Uniswap.
- Paralelamente, Polymarket batalha na justiça, sinal que a cripto se normaliza… enquanto enfrenta o muro regulatório.
Quando o bitcoin gruda nas ações: o “ouro digital” posto à prova
A constatação mais perturbadora não é que o BTC cai. É com quem ele cai. O comportamento de curto prazo parece mais com o de um ativo de crescimento do que com o de um refúgio estilo ouro.
Por que agora? Porque a institucionalização mudou a mecânica. Os ETFs, as mesas de operações, as estratégias “risk-on/risk-off” fizeram o bitcoin entrar nas mesmas cestas que o resto. Quando os gestores reduzem a exposição a ativos de risco, o bitcoin acaba muitas vezes na mesma sacola das ações de tecnologia, mesmo que sua narrativa diga o contrário.
E o gatilho do momento é quase irônico: as incertezas sobre o impacto da IA no software. As ações de software são sacudidas, o bitcoin acompanha o movimento, como se também usasse um crachá “growth”. Nesse cenário, ouro e prata podem seguir suas próprias direções… enquanto o bitcoin fica colado na mentalidade Nasdaq dos investidores.
O Ether em modo tesouraria: uma aposta que não pisca
Essa mudança na narrativa não atinge só o bitcoin. No Ethereum, outro fenômeno se impõe: empresas tratam o ETH como uma reserva estratégica, com uma lógica de tesouraria… e uma tolerância ao caos.
A BitMine Immersion Technologies é a ilustração clara. Em plena correção, a empresa adicionou 40.613 ETH, elevando seus ativos para cerca de 4,326 milhões de ETH. Falamos de um estoque gigantesco, exibindo perdas latentes massivas segundo os preços atuais. E, apesar disso, eles dobram.
A mensagem implícita é simples: “não negociamos, acumulamos.” Tom Lee defende uma estratégia voltada para o longo prazo, mesmo que isso signifique engolir perdas que fazem sangrar os balanços no papel. Não é romântico, é contábil. E é precisamente isso que torna o movimento crível aos olhos de alguns investidores.
Mas também envia um sinal ao mercado: se alguns atores aceitam perdas latentes desse tamanho para “segurar”, então o debate não é mais apenas tecnológico. Torna-se financeiro, quase sociológico: quem tem estômago para sobreviver à volatilidade e quem tem só uma narrativa sem resistência?
BlackRock no Uniswap, Polymarket no tribunal: a cripto se normaliza… lutando
Aí é que a história fica saborosa: enquanto o bitcoin se comporta como uma ação, Wall Street começa a jogar diretamente no palco da DeFi. BlackRock lançou seu fundo tokenizado de títulos do Tesouro, BUIDL, negociável via UniswapX, com acesso restrito a atores “whitelistados” via Securitize, num ambiente muito institucional.
O símbolo vale tanto quanto a infraestrutura: um gigante dos mercados tradicionais impulsiona um produto Tesouro “onchain” e, no mesmo movimento, também compra UNI (quantia não revelada). Não é apenas tokenização. É uma tentativa de instalar trilhos institucionais no coração de um protocolo criado para evitar trilhos.
E enquanto alguns constroem pontes, outros se preparam para o choque regulatório. Polymarket acionou a justiça federal contra o Estado de Massachusetts, contestando a ideia de que um Estado pode restringir seus contratos de eventos, alegando que a competência cabe ao âmbito federal (CFTC) e não a um mosaico local.
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Fasciné par le bitcoin depuis 2017, Evariste n'a cessé de se documenter sur le sujet. Si son premier intérêt s'est porté sur le trading, il essaie désormais activement d’appréhender toutes les avancées centrées sur les cryptomonnaies. En tant que rédacteur, il aspire à fournir en permanence un travail de haute qualité qui reflète l'état du secteur dans son ensemble.
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