Tom Lee imita a estratégia de Saylor para financiar a BitMine
Bitmine (BMNR), a empresa de tesouraria Ethereum cofundada por Tom Lee, apresentou quarta-feira à SEC uma oferta de ações preferenciais perpétuas com dividendo anual de 9,5%, visando levantar até 300 milhões de dólares. O movimento reproduz o esquema de financiamento que a Strategy popularizou no setor de tesourarias cripto. Mas esse modelo resiste realmente ao teste do mercado?

Em resumo
- A Bitmine oferece 3 milhões de ações da série A a 100 dólares cada, com dividendo anual de 9,5% pago semanalmente.
- Os títulos serão listados na NYSE sob o símbolo BMNP, sujeito à aprovação.
- O preço do ETH, caindo abaixo de 1.800 dólares, expõe atualmente a Bitmine a uma perda latente de cerca de 9 bilhões de dólares em seus ativos.
Bitmine apoia-se no manual da Strategy
Tom Lee, cofundador da Fundstrat, escolheu alinhar-se à estratégia de financiamento que Michael Saylor estruturou na Strategy (MSTR). Assim, a Bitmine emite 3 milhões de ações preferenciais perpétuas da série A, a 100 dólares por ação, com uma taxa de dividendo de 9,5% ao ano. O pagamento, semanal, permanece condicionado a uma decisão do conselho de administração.
Essa operação se insere numa tendência maior: várias empresas de tesouraria de ativos digitais agora recorrem a instrumentos híbridos para diversificar suas fontes de capital.
A própria Strategy lançou diversas categorias de ações preferenciais, enquanto a Strive (ASST) seguiu com seus próprios títulos SATA. A Bitmine pretende aplicar essa lógica ao seu estoque de Ethereum, acumulado em mais de 5,3 milhões de ETH ao longo do último ano.
Uma aposta arriscada num contexto de pressão setorial
O momento dessa captação, porém, levanta dúvidas. Na quarta-feira, a ação preferencial STRC da Strategy caiu 5%, passando abaixo do valor nominal de 100 dólares, enquanto o título SATA da Strive era negociado perto de 97 dólares.
Os investidores questionam a capacidade dessas empresas de manter os pagamentos de dividendos num ambiente de preços deprimidos.
A exposição da Bitmine ilustra bem esse risco. A empresa detém mais de 5,3 milhões de ETH adquiridos parcialmente quando o Ethereum estava cotado por volta de 5.000 dólares em outubro passado. Com o preço caindo abaixo de 1.800 dólares no momento do depósito, a perda latente ultrapassa 9 bilhões de dólares.
Além disso, a própria Strategy cedeu recentemente 32 bitcoins pela primeira vez desde 2022, parcialmente para financiar suas obrigações vinculadas às suas próprias ações preferenciais, um sinal que não deixou de causar preocupação no mercado.
O documento apresentado à SEC ainda não especifica a destinação dos fundos captados. Contudo, as ações BMNP oferecem aos detentores um direito de recompra em caso de mudanças estruturais significativas, com prêmios de 0% a 10%, dependendo da data do exercício.
Em suma, a Bitmine segue um caminho que a Strategy desbravou, porém num setor em que as margens de erro se reduzem. Uma perda latente de 9 bilhões em ETH, um modelo de dividendos sob tensão setorial e um uso dos fundos ainda não claro: essas são as três incógnitas que o mercado vai agora acompanhar. A próxima reunião do conselho sobre os dividendos poderá dizer se a aposta se sustenta.
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