A autarquia francesa de jogos exige que os provedores de internet bloqueiem a Polymarket
A ANJ passa da ameaça aos atos: a Autoridade Nacional dos Jogos ordenou aos provedores de acesso à internet franceses que bloqueiem a Polymarket, após um primeiro aviso em novembro de 2024. Ela invoca atividades de jogo ilegal e riscos de manipulação. A decisão, anunciada na sexta-feira, vem endurecer o quadro francês em torno dos mercados preditivos.

Em resumo
- A ANJ ordenou o geobloqueio da Polymarket junto aos provedores de acesso franceses.
- A plataforma declara estar já bloqueada em 36 regiões no momento da publicação.
- O Ministério Público de Paris abriu uma investigação em maio de 2026 sobre a ausência de verificação de identidade.
Paris endurece a fiscalização dos mercados preditivos
A ANJ ultrapassou a etapa do bloqueio efetivo, após um aviso já formulado em novembro de 2024. A França não é novata em sua desconfiança diante das plataformas de apostas preditivas não regulamentadas.
Um estudo de Stanford documentou recentemente um risco de manipulação nos contratos de curto prazo, o que reforça a postura dos reguladores europeus. Dois anos após a primeira ameaça, o ultimato se concretiza: os provedores de acesso franceses devem agora cortar a Polymarket. A plataforma, porém, continua exibindo bilhões de dólares em volume negociado e uma base de usuários em expansão.
O regulador lembra que a publicidade para um site de jogos não autorizado constitui um delito, passível de multa de 100 mil euros. A Polymarket não possui nenhuma autorização de operação no território francês. A decisão se baseia numa lógica simples: o quadro nacional qualifica os mercados preditivos como jogos de azar ilegais desde que não respeitem suas exigências.
As apostas manipuladas que decidiram a decisão
A ANJ aponta mecanismos viciantes comparáveis aos do jogo regulamentado, mas destituídos das proteções do mercado legal. O regulador acrescenta um risco mais grave: a manipulação dos resultados em certos contratos de eventos. Segundo a autoridade, uma parte das apostas oferecidas na plataforma parecia manipulada, como contratos meteorológicos cujos sensores teriam sido hackeados.
Algumas das apostas oferecidas nessa plataforma pareciam manipuladas: por exemplo, apostas sobre o clima revelaram que sensores meteorológicos poderiam ter sido hackeados.
O Ministério Público de Paris abriu uma investigação, através de sua unidade de cibercrimes, já em maio de 2026. As investigações destacaram a ausência de verificação de identidade, especialmente controles KYC.
Polymarket sob o fogo cruzado dos reguladores globais
A França junta-se a uma lista já longa de jurisdições que restringiram o acesso à Polymarket. Singapura, Polônia, Portugal, Hungria, Ucrânia, Brasil e Indonésia já bloquearam a plataforma. Esta indica estar geobloqueada em 36 regiões no momento da publicação.
Do outro lado do Atlântico, a pressão também aumenta. Kentucky processou cinco plataformas de mercados preditivos, incluindo Kalshi e Polymarket, em 17 de junho, acusando-as de explorar apostas esportivas sem licença. Pelo menos 17 outros estados seguiram o exemplo. A Commodity Futures Trading Commission, por sua vez, processou oito estados, alegando que eles invadem sua prerrogativa federal exclusiva sobre contratos de eventos.
Em suma, o bloqueio ordenado pela ANJ marca uma virada na caça aos mercados preditivos não autorizados, na encruzilhada de três pressões. A França endurece seu quadro nacional, a Europa questiona a natureza desses produtos, e os Estados Unidos multiplicam os fronts judiciais. A ESMA já assimilou os mercados preditivos a opções binárias proibidas para particulares, sinalizando uma convergência regulatória duradoura. Polymarket terá que escolher entre conformidade e um recuo geográfico cada vez mais restrito.
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