Derrota importante para Trump contra a justiça americana
A Suprema Corte dos Estados Unidos acaba de dar um golpe forte. Em uma decisão raríssima, declarou ilegais as tarifas alfandegárias internacionais impostas por Donald Trump, retirando-lhe uma ferramenta comercial que ele brandia como uma arma geopolítica. Uma bofetada judicial que pode embaralhar as cartas de sua política econômica. Mas até onde irá esse confronto entre a Casa Branca e o poder judiciário?

Em resumo
- A Suprema Corte anulou as tarifas globais de Trump por 6 votos contra 3.
- A lei IEEPA não autoriza o presidente a impor tarifas alfandegárias, segundo a maioria.
- O juiz chefe John Roberts redigiu a opinião majoritária.
- As tarifas bloqueadas atingiam Canadá, México, China e dezenas de outros parceiros comerciais.
A Suprema Corte restringe o poder tarifário de Trump
Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos proferiu um veredicto contundente contra Donald Trump, invalidando por 6 votos contra 3 uma parte central de sua política tarifária.
O juiz chefe John Roberts redigiu a opinião majoritária, com o apoio dos juízes liberais Elena Kagan, Sonia Sotomayor e Ketanji Brown Jackson, bem como de dois juízes conservadores. Apenas Thomas, Alito e Kavanaugh defenderam a posição do executivo.
No centro da controvérsia: a lei sobre poderes econômicos internacionais de emergência, conhecida pela sigla IEEPA. Após sua posse, Trump invocou essa lei para declarar estado de emergência nacional. Inicialmente contra o tráfico de drogas vindo do Canadá e do México, depois devido aos “déficits comerciais persistentes” com seus parceiros.
Com base nisso, impôs tarifas alfandegárias massivas: 25% sobre as importações canadenses e mexicanas, 10% sobre produtos chineses, e uma tarifa mínima de 10% sobre quase todas as importações globais.
A Corte decidiu sem ambiguidades: a IEEPA não concedia esse direito. O termo “regular as importações”, presente na lei, não pode ser assimilado a um poder ilimitado de tributação.
Como lembra Roberts, as tarifas alfandegárias não são uma versão atenuada de uma proibição ou obrigação, pertencem ao poder fiscal, que constitucionalmente pertence ao Congresso.
Uma doutrina aplicada com precisão cirúrgica
Para justificar sua decisão, a maioria dos juízes se apoiou em um princípio jurídico bem estabelecido: a doutrina das “questões importantes”. A ideia é simples, quando uma decisão política é de grande importância, o Congresso deve autorizá-la explicitamente. Não pode, através de uma formulação vaga, permitir que o presidente aja à vontade.
Ora, em cinquenta anos de existência, a IEEPA nunca foi usada para impor tarifas alfandegárias dessa magnitude. Um precedente inexistente que, aos olhos da Corte, diz tudo.
A maioria também refutou, ponto a ponto, os argumentos avançados pelo governo Trump. A comparação com a lei Trading with the Enemy Act? Considerada frágil demais. Os precedentes de contextos de guerra? Inaplicáveis em tempos de paz.
Quanto à sentença Federal Energy Administration v. Algonquin SNG, simplesmente não se aplicava: baseava-se no artigo 232, uma lei que, sim, mencionava expressamente as tarifas alfandegárias. Algo que a IEEPA não faz.
Do lado judicial, a batalha foi travada em dois fronts simultâneos. Pequenas empresas haviam recorrido ao tribunal distrital de Washington D.C., enquanto doze estados e outras empresas moviam ação diferente perante a Corte de comércio internacional.
Em ambos os casos, a Casa Branca sofreu derrotas. A corte federal de apelações confirmou essas decisões. A Suprema Corte então reuniu os casos para decidir de uma vez por todas.
Um divisor de águas para a política comercial americana
Essa decisão não se limita a um desacordo jurídico: redesenha o contorno do poder executivo em matéria de comércio internacional. Trump não pode mais usar a IEEPA como um cheque em branco para impor tarifas à vontade.
Para recuperar margem de manobra, ele terá de obter autorização explícita do Congresso, ou recorrer a outras bases legais, como o artigo 232 ou 301, com suas próprias restrições processuais.
Para os mercados, a notícia inspira confiança: uma regra do jogo mais previsível, relações comerciais potencialmente estabilizadas. Contudo, para Trump, é uma humilhação rara, e talvez o começo de uma redefinição forçada de sua estratégia econômica.
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