Após o euro digital, a UE deveria tokenizar o SEPA segundo o Banco da Itália
A Europa pode em breve repensar profundamente sua infraestrutura de pagamento. O Banco da Itália acaba de enviar um forte sinal a favor de uma versão tokenizada do sistema SEPA. Uma iniciativa que pode redefinir o papel do euro em um mundo financeiro cada vez mais digital.

Em resumo
- A vice-governadora do Banco da Itália, Chiara Scotti, defende uma extensão tokenizada do sistema de pagamento SEPA.
- O SEPA representa 116 trilhões de euros em transações sem dinheiro no primeiro semestre de 2025.
- O euro digital continua sendo o projeto mais avançado do lado do BCE, com testes de pagamentos online já em andamento.
O SEPA tokenizado, uma ideia que cresce em Roma
Foi em Roma, durante um discurso proferido na segunda-feira, que Chiara Scotti, vice-governadora do Banco da Itália, lançou a ideia. Sua mensagem é clara: a União Europeia deveria considerar seriamente uma versão tokenizada de seu sistema comum de pagamentos, o SEPA (Área Única de Pagamentos em Euro).
Para Scotti, a tokenização não é mais uma tecnologia experimental. Tornou-se “relevante”. E em vez de esperar o surgimento de novos instrumentos, ela defende valorizar o que a Europa já possui.
“Uma extensão tokenizada do SEPA poderia ser um eixo importante de reflexão, apoiando-se em uma vantagem europeia distintiva: uma estrutura comum de pagamentos em grande escala, dotada de normas compartilhadas e de um grau estabelecido de interoperabilidade“, declarou ela.
O diagnóstico é pertinente. O SEPA trata de volumes colossais: no primeiro semestre de 2025, as transações sem dinheiro atingiram 116 trilhões de euros, um aumento de 2,9% em um ano, segundo o BCE. Tokenizar essa infraestrutura é potencialmente oferecer ao euro um novo fôlego na economia digital global.
Euro digital, stablecoins, qual é a real situação da Europa?
O Banco da Itália não para por aí. Chiara Scotti também lembrou que o euro digital permanece o projeto mais avançado do ponto de vista analítico. Política monetária, estabilidade financeira, proteção da vida privada, inclusão: todos os ângulos foram rigorosamente analisados pelo BCE e pelo Eurosistema.
Prova dessa dinâmica é que o BCE acabou de assinar acordos com três organismos de normalização, European Card Payment Cooperation, Nexo Standards e Berlin Group, para testar o processamento de pagamentos online relacionados ao euro digital.
Sobre os stablecoins e os depósitos tokenizados, o tom é mais prudente. Esses instrumentos “podem servir para casos de uso legítimos”, reconhece Scotti, mas suas implicações para o sistema monetário ainda são “menos claras”.
Uma mensagem que ressoa em um contexto em que os stablecoins em dólares, como USDT ou USDC, ganham terreno mundialmente. A Europa não pode se dar ao luxo de ignorar essa dinâmica, sob risco de ver o euro perder influência nos fluxos financeiros digitais.
Em suma, a proposta do Banco da Itália chega no momento certo. Enquanto o dólar digital avança discretamente e os stablecoins redesenham as trocas globais, a Europa tem uma carta a jogar com o SEPA tokenizado. A verdadeira questão não é mais se o euro deve se digitalizar, mas qual a velocidade em que Bruxelas estará pronta para dar esse passo.
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