Bancos centrais reforçam apostas no ouro em meio à incertiza global
Os bancos centrais compraram 288,9 toneladas de ouro no segundo trimestre de 2026. Isso representa 62% a mais do que no mesmo período em 2025, quando as compras líquidas atingiram 177,9 toneladas. A Polônia e a China lideram esse movimento, e o World Gold Council não vê nenhum sinal de desaceleração.

Em resumo
- As compras líquidas dos bancos centrais alcançam 288,9 toneladas no T2 de 2026, contra 177,9 toneladas um ano antes (+62%).
- O Banco Nacional da Polônia domina o ranking com 51 toneladas adquiridas no trimestre, seguido pela China.
- O World Gold Council antecipa a continuidade da dinâmica: 89% dos banqueiros centrais preveem um aumento de suas reservas de ouro nos próximos 12 meses.
A Polônia e a China lideram a recomposição das reservas
O primeiro trimestre havia semeado dúvidas. As compras líquidas dos bancos centrais caíram para 57 toneladas, um número que contrastava com os trimestres anteriores. O relatório do World Gold Council (WGC) publicado em 30 de julho elimina essas preocupações: a demanda institucional atingiu um recorde histórico para um segundo trimestre.
O Banco Nacional da Polônia domina o ranking. A instituição estabeleceu uma meta de 700 toneladas para suas reservas nacionais e avança metodicamente: 51 toneladas adquiridas entre abril e junho, que se somam às 31 toneladas do T1. Varsóvia, portanto, repatriou 82 toneladas de ouro desde janeiro. Uma estratégia que faz todo sentido quando se sabe que o ouro recentemente voltou a subir para US$ 5.000, um patamar que o J.P. Morgan ainda considera longe do potencial do metal.
O Banco Popular da China não fica atrás. Pequim registrou suas compras mais altas desde o quarto trimestre de 2023, o que eleva suas reservas oficiais para 2.346 toneladas. Mas o número declarado não conta tudo.
Vários relatórios indicam que a China acumula ouro de forma não declarada por meio de importações via Londres. O WGC confirma que as compras não reportadas permanecem em nível elevado. A diversificação fora do dólar avança, discretamente, mas seguramente.
A Rússia e a Turquia reduzem suas vendas de ouro
A retomada das compras não vem apenas dos grandes compradores. Ela também se deve à desaceleração das vendas entre os dois principais vendedores do início do ano. A Rússia vendeu 22 toneladas no T2, o que a torna a maior vendedora líquida do período, mas essas vendas têm como objetivo principalmente cobrir um déficit orçamentário federal. A Turquia, que liderava as vendas no T1, diminuiu consideravelmente o ritmo, com apenas 4 toneladas vendidas.
Outros bancos centrais contribuíram para a dinâmica. O Uzbequistão adicionou 16 toneladas, o Cazaquistão 15 toneladas, a Jordânia e a República Tcheca 6 toneladas cada. No total, a demanda dos bancos centrais no primeiro semestre atingiu 345 toneladas. O número permanece o mais baixo desde 2022, prejudicado pelas fortes vendas da Turquia, Rússia e Azerbaijão no início do ano.
Uma tendência que vai além do simples efeito cíclico
O WGC não interpreta essa retomada como um surto passageiro. Sua pesquisa anual com banqueiros centrais mostra que 89% deles preveem um aumento das reservas de ouro nos próximos doze meses. Um nível de convicção que não é trivial em um mundo onde os BRICS buscam ativamente reduzir sua exposição ao dólar.
As compras não declaradas continuam sendo a variável oculta da equação. O WGC constatou que as aquisições de ouro não reportadas permanecem em nível elevado, corroborando as informações sobre o acúmulo discreto de Pequim. Essa opacidade dificulta a leitura do mercado, mas reforça uma evidência: a recomposição das reservas de ouro se tornou uma prioridade estratégica para as grandes potências, muito além das lógicas de preços de curto prazo.
Em suma, o salto de 62% nas compras de ouro dos bancos centrais no segundo trimestre valida uma tendência forte. A Polônia continua seu objetivo de 700 toneladas com a regularidade de um metrônomo, a China acumula muito além de suas declarações oficiais, e nove em cada dez banqueiros centrais planejam aumentar suas reservas no ano. Nesse contexto, a desaceleração das compras de ouro da Tether no T1 se destaca como exceção em um mercado onde a demanda institucional continua se fortalecendo.
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