Bitcoin : MARA acusada de ter ocultado seu projeto de mineração na França
A aquisição da Exaion pela MARA continua a suscitar questionamentos vários meses após sua finalização. Uma denúncia apresentada nos Estados Unidos agora questiona a forma como esta operação foi apresentada às autoridades francesas. Segundo este documento judicial, o desenvolvimento da mineração de Bitcoin faria parte do projeto desde sua origem, enquanto as comunicações públicas destacavam principalmente a inteligência artificial e a computação de alto desempenho. Este novo processo abre assim um debate tanto jurídico quanto político.

Em resumo
- Uma denúncia afirma que a MARA teria escondido seu projeto de mineração de Bitcoin.
- O mandato assinado em 2025 já mencionava data centers dedicados ao Bitcoin.
- A IA e o HPC teriam sido usados como principal argumento perante as autoridades francesas.
- Os reclamantes pedem 11,32 milhões de euros em honorários à MARA.
- O Estado francês poderá ter que esclarecer seu conhecimento do projeto inicial.
O projeto da MARA teria incluído a mineração de Bitcoin desde as primeiras negociações
Em 20 de fevereiro de 2026, a MARA finalizou a aquisição de 64% da Exaion, antiga subsidiária da EDF especializada em nuvem segura, inteligência artificial e computação de alto desempenho. A operação representa um investimento total de 148 milhões de euros. Esse valor inclui 115 milhões de euros investidos em novas ações e 33 milhões de euros destinados à compra de títulos existentes.
No entanto, uma denúncia apresentada em 22 de julho perante o tribunal federal do distrito sul de Nova York oferece uma leitura diferente dessa transação. François Garcin e várias empresas a ele ligadas, incluindo Athanor, LLC, Argenthal Global Holdings Ltd (Malta), Argenthal Sansovino SAS (França), pedem o pagamento de honorários relacionados ao desenvolvimento da empresa na França.

De acordo com este documento, o mandato assinado em junho de 2025 não dizia respeito apenas à compra da Exaion e parcerias energéticas. Também previa a criação de data centers destinados à mineração de Bitcoin, um objetivo que não teria sido destacado nas interações com a EDF e as autoridades francesas.
O documento também afirma que François Garcin, fundador e CEO da Argenthal, teria organizado discussões com EDF, TotalEnergies, Engie, RTE e outros atores importantes do setor energético. Seu contrato previa uma remuneração de 2,4 milhões de euros distribuída em doze mensalidades de 200 mil euros. Ele também deveria receber uma comissão equivalente a 4% dos investimentos realizados pela MARA na Exaion. Os reclamantes agora pedem 11,32 milhões de euros, parte dos quais dependeria de um novo investimento previsto para 2027.
Uma estratégia de comunicação centrada na IA em vez do Bitcoin
As comunicações oficiais publicadas pela EDF e MARA durante a compra apresentavam a Exaion como um ator europeu no campo da nuvem segura, inteligência artificial e computação de alto desempenho. Essas atividades realmente existem dentro da empresa. Contudo, a denúncia sustenta que essa apresentação teria também servido para tornar a operação mais aceitável politicamente, omitindo intencionalmente a mineração de Bitcoin.
Segundo as declarações de François Garcin, sua missão consistia especialmente em convencer Emmanuel Macron e vários responsáveis franceses de que a chegada da MARA representava uma vantagem estratégica para o país. Suas ações teriam envolvido o Palácio do Eliseu, Matignon, Bercy, o Tesouro, assim como os serviços encarregados do controle dos investimentos estrangeiros na França.
A denúncia também indica que “Fred Thiel teria pedido a François Garcin para convencer as autoridades francesas de que a empresa americana não constituía um “cavalo de Troia“. O documento ressalta ainda que “o dirigente queria impedir que outras empresas concorrentes desenvolvessem parcerias similares com os atores franceses“.
Investimentos apresentados em torno das infraestruturas energéticas
O processo judicial também descreve diversas trocas sobre futuros investimentos na França. Gérard Mestrallet, ex-CEO da Engie e que se tornou assessor da MARA em agosto de 2025, teria mencionado a um alto responsável francês um programa que poderia chegar a 4 bilhões de euros em três anos, e até 10 bilhões de euros em um período de cinco a sete anos.
O documento também cita um projeto de carta destinado à EDF. Este documento apresentava a estratégia do grupo como uma parceria que abarcava desde as infraestruturas elétricas até a “Token Economics”. Segundo os reclamantes, esta formulação estabelecia diretamente um vínculo entre a eletricidade produzida na França e os usos futuros ligados ao Bitcoin.
Conforme a denúncia, François Garcin teria redigido os principais elementos dessa carta diplomática com o intuito de sublinhar o caráter estratégico da parceria com a EDF. Ele também teria coordenado a estratégia relacionada à candidatura junto à Exaion e recomendado que a carta de intenções fosse assinada pelos dirigentes da MARA França. Após várias reuniões organizadas em Paris, Fred Thiel teria então lhe parabenizado pelo avanço das discussões e o encorajado a fortalecer essas relações.
Qual poderia ser a reação do Estado francês?
Em uma declaração concedida ao Cryptoast, Bastien Desteuque, presidente do Instituto Nacional do Bitcoin (INBi), acredita que as consequências dependerão principalmente da dimensão que este caso tomar no debate público. Segundo ele, uma polêmica não é suficiente para automaticamente contestar uma operação já finalizada. A atenção política e midiática terá um papel importante na continuidade do processo.
Eles vão simplesmente ignorar o caso? Isso dependerá da repercussão. Quando toda a classe política se mobilizou contra a aquisição, especialmente com a cláusula de não concorrência, […] o governo retirou essa cláusula dizendo que foi graças à sua ação.
Bastien Desteuque, presidente do Instituto Nacional do Bitcoin (INBi). Fonte: Cryptoast.
Neste estágio, não há elementos que permitam afirmar que as condições que autorizaram a compra da Exaion foram violadas. Entretanto, se as acusações de que a MARA teria intencionalmente minimizado o papel da mineração de Bitcoin forem confirmadas, a questão ultrapassaria o âmbito puramente contratual. O governo francês deverá então esclarecer se conhecia essa estratégia no momento da autorização e se ainda considera que a operação se baseava em informações suficientemente completas.
Os próximos passos dependerão agora da evolução do processo iniciado em Nova York, bem como das eventuais reações das autoridades francesas. Se os elementos apresentados pelos reclamantes forem examinados mais a fundo, o caso poderá evoluir além do litígio financeiro e alimentar um debate sobre as condições em que os investimentos estrangeiros ligados ao BTC são apresentados e avaliados na França.
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Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.
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