Cripto : A UE prepara novas regras para DeFi, staking e NFT
A União Europeia pode ampliar sua estrutura cripto para DeFi, staking, empréstimos e NFT. Os eurodeputados pedem à Comissão que avalie as atividades ainda pouco cobertas pelo MiCA. O projeto não cria obrigações imediatas, mas já desenha o próximo passo da regulamentação europeia dos ativos digitais.

Em resumo
- A UE considera ampliar a regulamentação cripto além do MiCA.
- DeFi, staking, empréstimos e certos NFTs estão envolvidos.
- Nenhuma nova obrigação foi oficialmente adotada ainda.
Crypto : A Europa olha além do MiCA
A comissão de assuntos econômicos e monetários do Parlamento Europeu quer preencher as áreas cinzentas do mercado cripto. Seu relatório convida a Comissão a estudar DeFi, staking, empréstimos e NFT. Essas atividades ainda são parcialmente ou indiretamente cobertas pelo quadro MiCA.
O texto foi preparado pelo eurodeputado belga Johan Van Overtveldt. Trata-se de uma resolução de iniciativa. Sua adoção não alteraria automaticamente o MiCA e não imporia novas regras imediatamente às empresas cripto. A votação em sessão plenária deve permitir ao Parlamento definir sua posição política. A Comissão manterá a iniciativa legislativa. Ela deverá decidir se os riscos identificados justificam uma extensão do regulamento ou um texto complementar.
O MiCA regula principalmente os emissores de criptoativos e os prestadores centralizados. O DeFi apresenta um problema diferente. Alguns protocolos operam com contratos inteligentes, governança distribuída e nenhuma empresa claramente identificável.
Assim, a UE terá que determinar quem leva a responsabilidade jurídica. Os desenvolvedores, interfaces web, detentores de tokens de governança ou organizações autônomas descentralizadas poderiam estar envolvidos. Uma definição muito ampla, porém, poderia assimilar um simples software a um serviço financeiro.
O staking levanta outras questões. As plataformas às vezes oferecem rendimento sem explicar claramente os períodos de bloqueio, as taxas ou os riscos de perda. As autoridades europeias também se interessam pelos empréstimos cripto, alavancagem e reutilização das garantias.
Os reguladores europeus já haviam identificado riscos relacionados à falta de informação, à liquidez e às cadeias de colateral. A nova reflexão regulatória, portanto, não parte do zero. Ela prolonga os trabalhos sobre a regulação DeFi.
Os NFT podem perder seu tratamento especial
Os NFTs também estão no centro da análise. O MiCA exclui em princípio os ativos realmente únicos e não fungíveis. Essa exceção, no entanto, torna-se mais difícil de aplicar quando milhares de tokens pertencem a uma mesma coleção.
Um NFT apresentado como único também pode servir como produto de investimento. Alguns projetos prometem rendimentos, representam direitos financeiros ou quase reproduzem o funcionamento de tokens clássicos. Assim, a UE pode priorizar a função econômica em vez do rótulo usado pelo emissor.
Esta abordagem evitaria esquivas. Entretanto, pode afetar setores que não pertencem diretamente às finanças, como arte digital, jogos ou itens colecionáveis. A definição futura deve evitar impor as mesmas obrigações a uma obra digital e a um ativo vendido como investimento.
O relatório também pede uma aplicação uniforme do MiCA. Diversos Estados podem ser tentados a adicionar suas próprias exigências. Um acúmulo de regras nacionais fragmentaria o mercado cripto europeu e enfraqueceria o princípio do passaporte único. O Parlamento não busca só reforçar a supervisão. O relatório também incentiva a tokenização dos serviços financeiros e o desenvolvimento dos stablecoins denominados em euros.
Os stablecoins em euros poderiam coexistir com depósitos bancários tokenizados e um futuro euro digital. Essa arquitetura daria espaço a bancos, empresas cripto e à moeda pública, sem obrigar um único modelo a substituir todos os outros.
A Europa avança, portanto, numa linha tênue. Quer regular as atividades deixadas à margem do MiCA, sem sufocar os protocolos descentralizados. O resultado dependerá de sua capacidade de distinguir os verdadeiros intermediários das infraestruturas abertas. Uma regulamentação precisa pode fortalecer a confiança. Um texto amplo demais poderia, ao contrário, empurrar parte da indústria cripto para fora da União Europeia.
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Enseignante et ingénieure IT, Lydie découvre le Bitcoin en 2022 et plonge dans l’univers des cryptomonnaies. Elle vulgarise des sujets complexes, décrypte les enjeux du Web3 et défend une vision d’un futur numérique ouvert, inclusif et décentralisé.
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