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Grayscale vê três forças capazes de sustentar a adoção do bitcoin, apesar do mercado em baixa

19h15 ▪ 8 min de leitura ▪ por Ghiles A.
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A queda dos preços não seria suficiente para parar a adoção do bitcoin. Esta é a constatação apresentada em 12 de agosto por Zach Pandl, diretor de pesquisa da Grayscale. Segundo ele, várias tendências vão muito além dos movimentos de um ciclo de mercado. Os déficits públicos, o crescimento da blockchain nas finanças e a evolução das carteiras geracionais poderiam assim apoiar a demanda em médio e longo prazo. Essa análise não prevê um aumento automático dos preços, mas destaca fatores estruturais capazes de continuar sua progressão apesar da instabilidade.

Ilustração da adoção do Bitcoin entre instituições financeiras, investidores e um mercado em baixa.

Em resumo

  • Grayscale identifica três forças estruturais capazes de sustentar a adoção do bitcoin apesar do mercado em baixa.
  • Os déficits públicos e o aumento da dívida podem reforçar o interesse por ativos de oferta limitada.
  • A blockchain está se integrando gradualmente à finança tradicional graças aos stablecoins e ativos tokenizados.
  • A mudança geracional pode aumentar a presença de ativos digitais nas carteiras de investimento.
  • Os ETFs e os tesouros corporativos oferecem novos canais para facilitar a exposição ao bitcoin.

Três forças que ultrapassam o ciclo do mercado do Bitcoin

Zach Pandl, diretor de pesquisa da Grayscale, acredita que várias tendências podem sustentar a adoção do bitcoin por vários anos. Sua análise destaca evoluções estruturais que superam as flutuações de curto prazo dos mercados. Mesmo quando o preço do BTC passa por um período de baixa, alguns investidores podem continuar ajustando suas alocações. Para a Grayscale, essas mudanças podem, portanto, continuar além do ciclo atual.

Os três fatores destacados pela Grayscale são os seguintes:

  • Os déficits públicos e a dívida soberana, que podem reforçar o interesse por ativos de oferta limitada.
  • A integração da blockchain nas finanças, impulsionada especialmente pelos stablecoins e ativos tokenizados.
  • A mudança geracional nas carteiras, com um espaço crescente dado aos ativos digitais por alguns investidores.

O primeiro fator baseia-se na ideia de que uma oferta limitada pode atrair mais interesse quando as preocupações orçamentárias aumentam. Uma dívida maior não provoca, por si só, um aumento mecânico da demanda. Os dados americanos ilustram, porém, a magnitude dessa pressão. Em 12 de agosto, a dívida pública dos EUA alcançava 39,910 trilhões de dólares.

Dessa totalidade, 32,180 trilhões correspondiam à dívida detida pelo público. Os 7,730 trilhões restantes eram detidos intragovernamentalmente. As projeções orçamentárias adicionam outra dimensão a essa análise. O Escritório de Orçamento do Congresso prevê um déficit de 1,900 trilhão de dólares para o exercício de 2026.

Ele estima ainda que esse déficit pode atingir 3,100 trilhões de dólares em 2036. Simultaneamente, a dívida detida pelo público passaria de 101% para 120% do produto interno bruto. Essa situação, portanto, alimenta a reflexão sobre ativos raros. Contudo, não permite prever diretamente a evolução da demanda.

O segundo motor identificado por Pandl diz respeito à blockchain. Essa tecnologia está ganhando terreno progressivamente nos mercados financeiros graças aos stablecoins e ativos tokenizados. O mercado de ativos tokenizados ultrapassou 34 bilhões de dólares em maio. Representava menos de 3 bilhões em meados de 2024.

Os títulos do Tesouro americano tokenizados representavam então cerca de 16 bilhões de dólares. Essa progressão mostra que instrumentos financeiros tradicionais podem usar infraestruturas baseadas em redes criptográficas. A tecnologia ganha dessa forma progressivamente espaço nos mercados financeiros.

bitcoin e as finanças reguladas

O bitcoin continua sendo uma referência central nessa transformação. As autoridades financeiras também participam dessa evolução, definindo as regras aplicáveis aos títulos tokenizados. A Securities and Exchange Commission descreve esses títulos como títulos representados por criptoativos. Os registros de propriedade podem ser mantidos total ou parcialmente por redes criptográficas.

A SEC diferencia várias estruturas, incluindo os modelos patrocinados pelo emissor, de custódia e sintéticos. Essa definição oferece um marco para os atores financeiros que desejam usar essas infraestruturas. Ela também mostra que a blockchain não se restringe mais aos mercados especializados em ativos digitais.

Os stablecoins seguem uma trajetória regulatória paralela. Em abril, o Tesouro americano propôs regras destinadas a implementar os requisitos da lei GENIUS para stablecoins de pagamento. O texto prevê, entre outras coisas, tratar os emissores autorizados como instituições financeiras nos termos da lei de sigilo bancário.

Esses atores também deveriam implementar programas de combate à lavagem de dinheiro e conformidade às sanções. Para a Grayscale, essa evolução pode incentivar instituições financeiras a fortalecerem suas capacidades operacionais relacionadas à blockchain. A questão, portanto, vai além do mercado do bitcoin e diz respeito progressivamente à organização das finanças.

A mudança geracional modifica as carteiras

O terceiro fator avançado pela Grayscale diz respeito às preferências dos investidores mais jovens. Segundo a análise da empresa, esses investidores estão mais dispostos a possuir ativos digitais e investimentos alternativos. Eles podem combiná-los com ações, títulos e outros ativos tradicionais.

Essa evolução poderia influenciar instituições e plataformas de gestão de patrimônio. Esses atores poderiam adaptar seus produtos e modelos de alocação para atender a uma clientela mais familiarizada com ativos digitais. A mudança geracional impactaria, assim, tanto a demanda quanto os meios de acessá-la.

Os dados fornecidos por uma pesquisa conduzida pela Coinbase em janeiro passado com 351 investidores institucionais seguem essa linha. Cerca de 73% dos entrevistados planejavam aumentar suas alocações em ativos digitais até 2026. Eles mencionaram, entre outros motivos, uma regulamentação mais clara, produtos melhor regulados e uma infraestrutura mais sólida.

Empresas financeiras tradicionais também desenvolvem novos indicadores sobre essa evolução. A Strategy Inc. lançou em julho o Índice de Adoção Bancária do Bitcoin. O índice avaliava então a adoção bancária global em 32%. A Fidelity registrava 71%, a BNY 46% e o Goldman Sachs 45%.

Os ETFs e os tesouros corporativos ampliam os acessos

Os ETFs constituem um canal importante na estratégia de adoção descrita pela Grayscale. Eles permitem aos investidores obter exposição ao bitcoin por meio de suas infraestruturas usuais de corretagem. Em um ETF spot bitcoin, participantes autorizados criam e resgatam cotas. O fundo então mantém os ativos subjacentes conforme acordos de custódia.

Esse mecanismo facilita a integração dessa exposição em carteiras existentes. Permite também o uso de produtos financeiros já conhecidos, sem a necessidade de posse direta. Os tesouros corporativos oferecem também uma outra via. Algumas empresas podem registrar bitcoins em seu balanço e financiar suas aquisições com suas reservas, dívidas ou capital próprio.

A custódia torna-se então uma decisão relacionada à gestão de riscos. As empresas podem usar custodians regulados ou armazenamento a frio com múltiplas assinaturas. Quando as operações não podem ser revertidas, a segurança e a governança ganham importância particular.

Segundo a empresa, essas diferentes tendências podem se reforçar ao longo do tempo. As pressões orçamentárias podem sustentar o interesse por ativos raros, enquanto a blockchain pode ampliar seu uso nas finanças reguladas. A mudança geracional também poderia modificar o espaço dos ativos digitais nas carteiras.

Assim, a Grayscale estima que a adoção pode continuar a crescer apesar da instabilidade dos preços. Essa evolução depende sobretudo de tendências estruturais, em vez de movimentos imediatos do mercado. As próximas evoluções orçamentárias, financeiras e institucionais permitirão medir o progresso dessa adoção além do ciclo atual do BTC.

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Ghiles A.

Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.

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