JPMorgan aponta mais proteção no Bitcoin do que no ouro
O mercado reservaria para o bitcoin um paradoxo inesperado. De fato, a desconfiança que ainda o cerca se tornaria um fator de suporte se os investidores reduzirem suas coberturas. Em uma nota, os analistas do JPMorgan liderados por Nikolaos Panigirtzoglou compararam a dinâmica recente do bitcoin com a do ouro. Sua leitura baseia-se em três elementos: os fluxos para os ETFs, o posicionamento institucional nos mercados futuros e o nível de cobertura em torno dos principais fundos listados. Assim, o ouro parece estar mais avançado em sua recuperação, enquanto o bitcoin mantém maior potencial de recuperação.

Em resumo
- Os ETFs de ouro apagaram suas saídas de 2026, enquanto os ETFs de Bitcoin recuperaram cerca de metade.
- O Bitcoin continua mais vendido e coberto que o ouro, segundo a análise do JPMorgan.
- O short interest do IBIT permanece próximo da máxima anual, enquanto o do GLD está abaixo da média histórica.
- O JPMorgan estima que essa prudência poderia sustentar o Bitcoin se a demanda por cobertura diminuir.
- O cenário permanece condicional, dependendo da evolução do posicionamento dos investidores e do contexto de mercado.
Os fluxos para os ETFs mostram uma vantagem para o ouro
Ao final da reunião do Federal Reserve no final de julho, os ETFs lastreados em bitcoin e ouro registraram entradas, acompanhando o retorno da “”debasing trade””, segundo o JPMorgan. Essa dinâmica diminuiu durante a semana anterior à publicação desta nota. Os analistas relacionam essa retração ao aumento dos rendimentos obrigatórios corrigidos pela inflação e ao fracasso do Senado em avançar com o CLARITY Act.
Essa diferença aparece na recuperação dos fluxos. Os ETFs de ouro compensaram totalmente as saídas registradas no início deste ano. Quanto aos ETFs de Bitcoin, recuperaram apenas cerca da metade. Além disso, o JPMorgan observa uma desaceleração recente da demanda por ETFs de Bitcoin.
Os analistas acreditam que esse atraso deixa mais espaço para uma recuperação caso o fluxo se torne mais favorável. Neste estágio, o ouro apresenta uma recuperação mais completa, enquanto o bitcoin continua mais dependente de uma mudança de sentimento.
Três elementos resumem a diferença observada pelo JPMorgan entre os dois mercados :
- Os ETFs de ouro recuperaram a totalidade das saídas registradas anteriormente em 2026 ;
- Os ETFs de Bitcoin recuperaram apenas cerca da metade ;
- A demanda recente por ETFs de Bitcoin enfraqueceu novamente.
O posicionamento no IBIT revela maior prudência
Essa imagem muda ao observar os mercados futuros e as posições vendidas. O JPMorgan destaca que o posicionamento nos futuros segue elevado tanto para o bitcoin quanto para o ouro, o que revela um suporte institucional para ambos os ativos.
A diferença mais clara está nos ETFs. O short interest do iShares Bitcoin Trust da BlackRock, IBIT, permanece próximo do seu nível mais alto do ano, enquanto o do SPDR Gold Shares, GLD, evolui abaixo da sua média histórica.
O JPMorgan descreve assim “um posicionamento inicial mais cético que o do ouro”, que relaciona a uma demanda maior por cobertura em torno do bitcoin. A relação put/call do open interest também é maior para o IBIT do que para o GLD.
Essas estatísticas consolidam a ideia de um mercado mais defensivo diante do bitcoin, apesar das entradas recentes nos ETFs e do acúmulo de posições nos futuros. A prudência é, portanto, mais visível no bitcoin do que no ouro.
A redução das coberturas poderia modificar o balanço de forças
É essa diferença que alimenta o cenário avançado pelo JPMorgan. Os analistas escrevem que o short interest mais alto no IBIT em comparação ao GLD “poderia aumentar o apelo do bitcoin em relação ao ouro daqui para frente, se a demanda por cobertura diminuir”.
A formulação permanece condicional. Assim, o raciocínio não é anunciar que o bitcoin vai superar o ouro, mas identificar um mecanismo de mercado. Se os investidores reduzirem suas proteções, o recuo de algumas posições defensivas poderia oferecer maior suporte ao BTC.
Os analistas indicam também que outros fatores podem influenciar as trajetórias respectivas do bitcoin e do ouro. Acima de tudo, a comparação deles diz respeito ao posicionamento. O ouro chega com fluxos de ETF já restaurados e um nível de short interest relativamente contido. Entretanto, o bitcoin mantém mais posições vendidas e uma demanda por cobertura mais alta. Essa assimetria pode se tornar uma vantagem se se resolver.
A leitura do JPMorgan permanece cautelosa. Assim, o bitcoin ainda apresenta um atraso na recuperação dos fluxos de ETF em relação ao ouro, mas esse atraso vem acompanhado de um posicionamento mais cético que poderia, sob certas condições, se reverter a seu favor. Tudo dependerá da evolução da demanda por cobertura e do contexto de mercado. O potencial identificado pelo banco está menos numa convicção direcional do que na possibilidade de uma recuperação caso a prudência atual comece a diminuir.
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Diplômé de Sciences Po Toulouse et titulaire d'une certification consultant blockchain délivrée par Alyra, j'ai rejoint l'aventure Cointribune en 2019. Convaincu du potentiel de la blockchain pour transformer de nombreux secteurs de l'économie, j'ai pris l'engagement de sensibiliser et d'informer le grand public sur cet écosystème en constante évolution. Mon objectif est de permettre à chacun de mieux comprendre la blockchain et de saisir les opportunités qu'elle offre. Je m'efforce chaque jour de fournir une analyse objective de l'actualité, de décrypter les tendances du marché, de relayer les dernières innovations technologiques et de mettre en perspective les enjeux économiques et sociétaux de cette révolution en marche.
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