O maior crash da história já começou, diz Kiyosaki, que segue defendendo o Bitcoin
Desde 15 de setembro, Robert Kiyosaki afirma que “o maior crash da história” já começou. Segundo ele, o movimento teria partido da Europa e do Japão antes de conquistar progressivamente os outros mercados. Nesse cenário, o bitcoin faria parte dos ativos capazes de resistir à tempestade. Alguns indicadores de títulos dão peso à sua preocupação, mas os dados ainda não mostram pânico generalizado.

Em resumo
- Em 15 de setembro, Kiyosaki afirma que o crash começou na Europa e no Japão.
- O rendimento japonês de 10 anos alcançou 3% no início de setembro, a primeira vez desde 1996.
- O FMI estima que a dívida pública mundial atingirá 100% do PIB em 2029.
- O bitcoin gira em torno de 80.300 dólares em 20 de setembro, após uma recuperação desde a baixa da semana.
O Japão dá crédito a parte do seu cenário
Em julho, Robert Kiyosaki já apontava quatro ativos que, segundo ele, poderiam resistir ao próximo crash. Em 15 de setembro, ele foi além afirmando que o crash anunciado há anos finalmente começou.
Ele cita vários fatores: a “febre da IA”, a guerra no Irã, o endividamento mundial e a aposentadoria dos baby boomers.
No mercado de títulos, alguns números são difíceis de ignorar. O rendimento do título japonês de 10 anos atingiu 3% em 1º de setembro, seu nível mais alto desde 1996. A Reuters explica esse aumento pelas preocupações relacionadas à inflação, às finanças públicas e à política monetária japonesa.
Bitcoin.com News reportou na mesma semana custos de empréstimos em máximas de décadas na Alemanha, França e Reino Unido.
O setor tecnológico também sofre tensões. Cinco economistas do BCE estimaram recentemente que uma correção nas valorizações tecnológicas era possível. Contudo, isso não é suficiente para falar de crash.
O Bitcoin ainda não confirma o pânico
Se um crash histórico estivesse realmente em curso, os mercados normalmente mostrariam mais sinais disso. Contudo, o bitcoin está atualmente em torno de 80.300 dólares. Após atingir uma baixa em 16 de setembro, ele recuperou parte do terreno perdido.
Esse movimento contrasta com o cenário de um colapso generalizado. Os investidores estão de fato mais cautelosos devido ao aumento dos rendimentos dos títulos, mas a Reuters informou em 15 de setembro que não havia sinais de pânico nas ações americanas.
Kiyosaki continua a preferir ouro, prata e bitcoin. Ele também afirma comprar bitcoins durante as correções. No entanto, alguns dias de recuperação obviamente não invalidam seu cenário: eles simplesmente mostram que o crash anunciado ainda não produziu os efeitos descritos.
Uma dívida mundial que permanece sob vigilância
Um dos argumentos de Kiyosaki baseia-se no endividamento. Sobre esse ponto, os números do FMI mostram uma situação tensa. O Fiscal Monitor de abril de 2026 estima que a dívida pública mundial representava cerca de 94% do PIB em 2025 e poderia atingir 100% em 2029.
Mas o FMI não prevê um colapso abrupto dos mercados. Sua análise destaca mais pressões orçamentárias crescentes, altos encargos de juros e maior vulnerabilidade dos mercados de títulos.
O problema, portanto, é menos a existência dos riscos do que sua tradução em um verdadeiro crash. Por enquanto, o alerta de Kiyosaki se baseia em tensões bem reais, mas seu cenário mais extremo ainda precisa ser demonstrado.
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