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Uma ação coletiva se desenha contra a Coinkite após o hack dos wallets COLDCARD

Mon 03 Aug 2026 ▪ 6 min de leitura ▪ por Ghiles A.
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As consequências da falha que afetou algumas carteiras de hardware Coldcard continuam a se expandir. Após perdas estimadas em mais de 88 milhões de dólares em bitcoin, várias vítimas agora preparam uma resposta judicial. Coinkite, o fabricante dos wallets envolvidos, enfrenta uma pressão crescente enquanto usuários de vários países reúnem informações para considerar uma ação coletiva. Essa nova etapa pode marcar um ponto de virada na gestão de litígios relacionados a carteiras de hardware.

Ilustração mostrando a ação coletiva proposta contra a Coinkite após o ataque às carteiras COLDCARD, com uma carteira de Bitcoin comprometida, um hacker e vítimas buscando medidas judiciais.

Em resumo

  • Mais de 1.300 BTC foram perdidos após a falha que afetou alguns wallets Coldcard.
  • Vítimas preparam uma ação coletiva contra a Coinkite para obter reparação.
  • Especialistas permanecem divididos sobre a responsabilidade jurídica potencial da Coinkite.
  • O caso pode criar um precedente para os fabricantes de carteiras de hardware.

Vítimas se organizam para iniciar processos contra a Coinkite

Após impulsionar investidores a mover seus bitcoins para plataformas de câmbio, a falha da Coldcard agora abre uma nova frente, desta vez no âmbito judicial. A Coinkite pode enfrentar uma ação coletiva após a perda de mais de 1.300 BTC atribuída a essa vulnerabilidade. Os valores roubados já ultrapassavam 88 milhões de dólares no momento da redação das informações disponíveis. Os especialistas acreditam ainda que esse número pode crescer.

Thomas Braziel, fundador e sócio-gerente da 117 Partners, está atualmente coordenando a coleta de informações junto às vítimas distribuídas em vários países. Seu objetivo é avaliar as diferentes opções jurídicas, incluindo uma ação baseada na responsabilidade por produtos ou um recurso coletivo contra a Coinkite. Essa fase de preparação visa documentar detalhadamente as perdas sofridas antes de qualquer processo.

Paralelamente, outras vítimas já tomam iniciativas individuais. No Brasil, Felipe Ojeda, defensor do bitcoin, afirma, segundo a Livecoins, ter perdido quase todo o seu patrimônio neste caso, declarando:

Era uma carteira de “guia espiritual”, que só recebia pagamentos, e eu a mantinha totalmente offline. Então, sem aviso, acordei e quando verifiquei, haviam apagado todos os bitcoins.

Felipe Ojeda, defensor do bitcoin. Fonte: Livecoins.

Ele registrou uma queixa na polícia e também planeja iniciar um processo judicial contra a Coinkite em seu país. Apesar dessa iniciativa, ele duvida que a empresa possa indenizar todas as pessoas afetadas.

As responsabilidades jurídicas permanecem no centro dos debates

A questão da responsabilidade do fabricante divide os especialistas em direito. Alguns acreditam que os processos podem enfrentar grandes obstáculos, mesmo com perdas significativas. O debate se concentra principalmente na capacidade de demonstrar que a Coinkite poderia ter antecipado ou impedido o hack relacionado à falha no gerador de sementes.

Cris Carrascosa, líder do escritório de advocacia ATH21, considera que a empresa não assume nenhuma responsabilidade regulatória direta em relação aos fundos mantidos pelos usuários de seus produtos. Segundo sua análise, um processo judicial deverá provar que o fabricante poderia razoavelmente prever esse tipo de ataque. Essa exigência pode dificultar o sucesso de uma possível ação coletiva contra a Coinkite.

Em contrapartida, Ana Ojeda, responsável pelo desenvolvimento comercial institucional na Blend, estima que uma responsabilidade parcial ainda é possível. Ela lembra que não há direito automático à recuperação total dos bitcoins perdidos:

As vítimas não têm direito automaticamente a um reembolso total; os contratos, a autodefesa dos Bitcoins e as questões transfronteiriças tornam qualquer reembolso complexo. No entanto, existe uma base jurídica credível para investigar responsabilidades: as promessas da Coldcard, a discrepância entre o design documentado e o comportamento real do firmware, assim como a extensão e frequência dos roubos são elementos que apoiam seriamente as acusações de defeito e negligência.

Ana Ojeda, responsável pelo desenvolvimento comercial institucional na Blend. Fonte: X / @criptolawyer.

No entanto, ela considera que uma base jurídica credível poderia existir se os investigadores demonstrarem uma falha ou negligência nas decisões tomadas pela Coinkite. Essa interpretação abre caminho para uma análise mais profunda das circunstâncias que levaram a essa falha.

Um caso que pode criar um precedente para os fabricantes de wallets

A evolução deste caso agora ultrapassa o âmbito dos usuários afetados. Os processos planejados podem influenciar a forma como futuros litígios envolvendo fabricantes de carteiras de hardware serão tratados. As jurisdições deverão determinar até onde vai a responsabilidade de uma empresa quando uma vulnerabilidade técnica causa perdas tão significativas.

Essa situação também chama atenção para as consequências financeiras de uma possível condenação. Alguns observadores ressaltam que a Coinkite provavelmente não teria recursos para indenizar todas as vítimas caso os tribunais considerem sua responsabilidade. Essa dúvida alimenta as discussões sobre os recursos atualmente em estudo e sua eficácia real.

Além dos aspectos financeiros e das perdas significativas em BTC, esse caso também pode redefinir as expectativas dos usuários em relação aos fabricantes de soluções de autocustódia. As investigações em andamento e os possíveis processos ajudarão a esclarecer o quadro jurídico aplicável nesse tipo de processo. As próximas decisões sobre a Coinkite serão, portanto, acompanhadas de perto, pois podem servir de referência para casos semelhantes envolvendo carteiras de hardware e a proteção de ativos em BTC no futuro.

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Ghiles A.

Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.

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