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O Bitcoin pode atingir 1 milhão de dólares segundo Kevin O’Leary

11h15 ▪ 8 min de leitura ▪ por Ghiles A.
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O mercado de criptomoedas pode conhecer uma nova virada se as grandes instituições reforçarem sua confiança nos ativos digitais. Kevin O’Leary acredita que o bitcoin pode um dia alcançar 1 milhão de dólares, mas ele associa essa trajetória a uma condição específica: dissipar as dúvidas em torno da computação quântica. Durante uma entrevista no podcast The Rollup, o investidor também detalhou sua visão sobre a tokenização, blockchains e as infraestruturas necessárias para a economia digital.

Kevin O’Leary aparece diante de um símbolo do Bitcoin com uma meta de 1 milhão de dólares exibida.

Em resumo

  • Kevin O’Leary acredita que o bitcoin pode atingir 1 milhão de dólares sob certas condições.
  • A computação quântica representa, segundo ele, um dos principais riscos para a segurança da rede.
  • A tokenização dos ativos pode acelerar o uso das blockchains nas finanças tradicionais.
  • O’Leary revisa sua estratégia privilegiando infraestruturas ao invés de uma blockchain ou modelo único.
  • A energia, o urânio e os pequenos reatores modulares ocupam um lugar crescente em sua visão da economia digital.

Uma meta de 1 milhão de dólares sob condição para o Bitcoin

Kevin O’Leary, portanto, não descarta a hipótese de um bitcoin a 1 milhão de dólares. Contudo, ele não apresenta esse nível como uma simples consequência do aumento da demanda. Segundo ele, as instituições precisam primeiro eliminar uma ameaça relacionada aos avanços da computação quântica.

Essa questão diz respeito diretamente à segurança das redes digitais. Um computador quântico suficientemente potente poderia, em teoria, atacar os mecanismos criptográficos usados para proteger as carteiras. Para O’Leary, essa incerteza ainda impede que alguns atores institucionais considerem o ativo como um componente central de suas carteiras. Essa prudência explica por que o preço ainda é secundário em sua análise. Para ele, o bitcoin precisa primeiro superar o debate sobre segurança antes de integrar as alocações institucionais.

O investidor acredita que a resolução desse problema poderia mudar a percepção do mercado. Enquanto o risco permanecer complexo de medir, os grandes fundos podem limitar sua exposição e manter uma abordagem cautelosa. Ele associa, portanto, a perspectiva de uma valorização forte a uma evolução tecnológica que vai muito além do mercado de criptomoedas.

A computação quântica no centro das preocupações sobre o Bitcoin

O risco quântico mencionado por O’Leary baseia-se em uma possibilidade teórica. Um computador suficientemente potente poderia, um dia, decifrar alguns mecanismos criptográficos e falsificar as assinaturas digitais que protegem as carteiras. A indústria usa o termo “Q-Day” para designar esse momento potencial, embora nenhum aparelho atual permita tal ataque.

As estimativas são muito diferentes sobre a chegada de uma máquina capaz de realizar uma operação dessa magnitude. Algumas projeções mencionam o início dos anos 2030, enquanto outras não indicam prazo exato. Essa incerteza é suficiente para alimentar o debate sobre a segurança a longo prazo das infraestruturas digitais. O assunto, portanto, não diz respeito apenas ao valor do bitcoin. Ele também toca a confiança dada às assinaturas, carteiras e infraestruturas que asseguram as transações.

O’Leary também observa o surgimento de um mercado relacionado a essa questão. Alguns investidores financiam empresas que desenvolvem softwares vinculados à computação quântica. Essa abordagem equivale a apostar em soluções capazes de reforçar a segurança, ao mesmo tempo em que se beneficia de uma evolução tecnológica que pode se tornar uma parte importante da cadeia de valor digital.

A tokenização muda sua leitura do mercado

Durante o summit Avalanche em Nova York, O’Leary também defendeu uma visão mais ampla da blockchain. Ele carregava um card único do Shohei Ohtani, adquirido por seu grupo de colecionadores por 11 milhões de dólares. Para ele, esse objeto ilustra uma evolução possível: os ativos de coleção também poderiam entrar em registros digitais.

Essa reflexão acompanha a evolução regulatória americana mencionada durante a entrevista. A SEC publicou sua “Isenção de Inovação“, que autoriza plataformas aprovadas a negociar ações tokenizadas. Esses tokens representam títulos listados e circulam em uma blockchain, em vez de passar apenas pelos mercados tradicionais.

O’Leary considera então as criptomoedas e a digitalização como um setor transversal. Segundo sua apresentação, essa indústria poderia servir os outros setores do mercado em vez de funcionar isoladamente. Sua própria alocação ilustra essa prudência: ele normalmente limita uma ação a 5% e um setor a 20%, enquanto as criptomoedas atingiram até 23% de seu portfólio nos últimos sete anos. Nesse cenário, o bitcoin não seria mais analisado isoladamente, mas como um componente de um sistema digital. Seu lugar dependeria da segurança da rede e de sua adoção.

De Ethereum às blockchains escolhidas por setor

Dezoito meses atrás, O’Leary defendia uma abordagem diferente. Ele acreditava que comprar bitcoin e Ethereum permitia capturar grande parte da volatilidade do mercado, com a ideia de que a adoção do Ethereum acabaria se impondo. Essa hipótese, finalmente, não se concretizou como esperado, o que o levou a rever seu raciocínio.

Agora, ele prevê uma organização em que cada setor escolheria a blockchain que correspondesse às suas necessidades. Os objetos de coleção esportivos poderiam usar Avalanche, enquanto plataformas de troca poderiam escolher outra infraestrutura. Nessa leitura, a concorrência não acontece apenas entre ativos digitais, mas entre redes capazes de sustentar usos diferentes.

O’Leary não acha, aliás, que Ethereum manterá necessariamente essa posição. Ele julga, em especial, que sua velocidade e segurança não atendem, segundo ele, a todas as exigências futuras. Essa evolução também poderia modificar a forma como os investidores avaliam o bitcoin. Eles deveriam acompanhar os avanços da criptografia e as soluções de proteção. Seu cenário baseia-se mais na adoção de uma infraestrutura por uma grande plataforma de tokenização, com um valor potencialmente aumentado para o token associado à rede escolhida.

A IA, a energia e as infraestruturas no centro

Essa lógica de infraestrutura também se reflete na forma como O’Leary aborda a inteligência artificial. Em vez de escolher um modelo específico, ele prefere investir nos recursos necessários ao seu funcionamento. Para ele, a IA depende diretamente da energia, o que coloca os terrenos, redes e capacidades elétricas no centro de sua estratégia.

Seu portfólio inclui BitZero, antiga mineradora de bitcoins que se tornou empresa energética listada no Nasdaq. Ela possui, entre outros, terrenos, infraestrutura de fibra óptica e licenças na Noruega e Finlândia. O’Leary também detém projetos de usinas privadas em Alberta e Utah, além de exposição ao urânio.

Ele se interessa, por fim, pelos pequenos reatores modulares, concebidos como unidades nucleares mais compactas. Ele acredita que essas instalações poderiam atender às necessidades dos data centers americanos. Em seu raciocínio, o urânio torna-se, portanto, um recurso estratégico, assim como as infraestruturas necessárias para o desenvolvimento da inteligência artificial.

Essa abordagem expressa a vontade de apostar em ferramentas em vez de um vencedor único. Ela se junta à sua ideia de que as infraestruturas poderão captar uma parte significativa do valor criado pela transformação digital. Nesse contexto, o bitcoin continua vinculado a uma questão mais ampla: a segurança e utilidade das redes que suportam essa nova economia.

A trajetória rumo a 1 milhão de dólares depende, então, na visão apresentada por Kevin O’Leary, de várias condições tecnológicas e institucionais. A questão quântica ocupa uma posição central, enquanto a tokenização, infraestruturas energéticas e a evolução das blockchains complementam sua análise. Ele também acredita que a regulamentação americana desempenhará um papel nessa evolução, especialmente em torno do Clarity Act, cuja adoção ele não prevê antes das eleições de meio de mandato. O debate continua, portanto, aberto entre potencial de crescimento e restrições de segurança.

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Ghiles A.

Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.

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