A adoção cripto desacelera nas economias desenvolvidas, enquanto as stablecoins oferecem suporte.
O uso de ativos digitais entra em uma fase mais contrastante, após vários trimestres marcados por uma atividade mundial dinâmica. Segundo um estudo da TRM Labs, a adoção de criptomoedas desacelerou no primeiro trimestre de 2026, especialmente nas economias desenvolvidas. Essa evolução mostra um mercado cripto mais seletivo, em que as necessidades locais, os pagamentos digitais, as condições econômicas e as tensões geopolíticas influenciam mais os comportamentos dos usuários.

Em resumo
- A adoção de criptomoedas desacelerou no primeiro trimestre de 2026, especialmente nas economias desenvolvidas.
- Os volumes globais no varejo atingiram 979 bilhões de dólares, uma queda de 11% em um ano.
- Os stablecoins ainda sustentam os usos em vários mercados emergentes, principalmente para pagamentos e transferências.
- A regulamentação, as tensões geopolíticas e a cautela dos investidores tornam o mercado cripto mais seletivo.
O mercado cripto desacelera nas economias desenvolvidas
Segundo o último índice global da TRM Labs, a atividade de varejo ligada às criptomoedas recuou no primeiro trimestre de 2026. Os volumes globais atingiram 979 bilhões de dólares, uma queda de 11% em relação ao mesmo período em 2025. Esse recuo também confirma um segundo trimestre consecutivo de contração.
O bitcoin também caiu cerca de 22% no trimestre, para oscilar em torno de 68.000 dólares. Um movimento que, segundo o próprio relatório, reflete sua sensibilidade aumentada às condições macroeconômicas e às fases globais de aversão ao risco.
As grandes economias permanecem, porém, no centro do mercado. Os Estados Unidos ainda dominam o ranking com 212 bilhões de dólares em atividade. Eles superam a Coreia do Sul, que totaliza 69 bilhões de dólares, seguida pela Rússia com 48 bilhões. A Índia aparece com 46 bilhões, enquanto a Turquia alcança 40 bilhões.

Contudo, a desaceleração cripto aparece mais marcada nos países desenvolvidos. A análise indica que esses mercados já dispõem de sistemas financeiros sólidos, produtos de investimento variados e regras mais estruturadas. Consequentemente, os usuários podem se voltar mais facilmente para ações, títulos ou metais preciosos.
A Coreia do Sul ilustra essa tendência com uma queda anual de 28%. A Alemanha também registra uma redução considerável, estimada em 25%. Essas contrações demonstram uma demanda menor por ativos de risco. Elas também traduzem uma cautela maior dos indivíduos diante dos mercados voláteis.
Os stablecoins e os pagamentos digitais sustentam os usos
A desaceleração não atinge todas as regiões com a mesma intensidade. Em várias economias emergentes, a adoção permanece mais resistente. A Índia registra uma queda limitada de 6%, o que a coloca entre os mercados mais sólidos do trimestre. A Turquia, por sua vez, cresce 7% em um ano e entra no top 10 mundial.
Essa diferença vem principalmente dos usos. Nesses países, a cripto não serve apenas para especular nos preços. Ela também ajuda a transferir dinheiro, conservar valor e facilitar certos pagamentos. Os stablecoins desempenham, portanto, um papel central nessa dinâmica.
Esses ativos digitais, frequentemente indexados ao dólar ou ao euro, atendem a necessidades concretas. Eles permitem trocas mais céleres entre indivíduos e sustentam pagamentos transfronteiriços. Em certos mercados, eles também servem como alternativa quando a moeda local permanece instável.
Venezuela oferece um exemplo notável. O país está classificado na 17.ª posição mundial, com 17,9 bilhões de dólares em atividade. O uso local concentra-se especialmente nas stablecoins, em vez de na negociação especulativa. Os pagamentos P2P, especialmente via Binance, ocupam um lugar notável nessas trocas.
Os stablecoins lastreados no euro também avançam no panorama cripto. Seu uso foi multiplicado por doze entre janeiro de 2025 e março de 2026. Agora atingem 777 milhões de dólares em volume mensal. Essa evolução mostra uma busca por liquidez mais diversificada, além dos ativos vinculados somente ao dólar.
Os riscos geopolíticos e a regulamentação redesenham o mapa da adoção cripto
As disparidades entre regiões também são explicadas pelas tensões geopolíticas. As sanções, os conflitos e as restrições locais podem limitar o acesso às plataformas. Eles influenciam, portanto, os usos, especialmente nos países sujeitos a fortes pressões econômicas.
O Irã ilustra essa fragilidade. O uso de criptomoedas no Irã desacelerou no primeiro trimestre de 2026, devido às sanções e às dificuldades que afetam certas plataformas como Nobitex após os ataques americanos e israelenses, assim como às sanções impostas à Zedcex e Zedxion. O que esta situação demonstra é que a adopção continua dependente de decisões políticas.
Nas economias desenvolvidas, a regulamentação também pesa sobre o mercado. Um marco mais claro pode tranquilizar as instituições, mas pode desacelerar certos usos no varejo. O setor cripto avança, portanto,, para uma fase mais regulada e mais seletiva. Assim, o futuro dependerá das condições econômicas, das regras locais e das necessidades reais dos usuários. Os usos ligados aos pagamentos e aos stablecoins podem permanecer mais sólidos nos mercados emergentes.
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Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.
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